Ligue 1

PSG cumpre a obrigação e reconquista a Ligue 1, mas desfecho é melancólico com empate em casa e mínima comemoração

PSG se torna o maior campeão francês, igualado ao Saint-Étienne, com dez troféus da liga nacional - oito na era catariana

A afirmação pode não ser sempre certa, ainda mais depois do título conquistado pelo Lille na temporada passada, mas se repete com frequência nas manchetes dos jornais franceses: o Paris Saint-Germain se sagra campeão da Ligue 1. Depois do insucesso na última campanha, os parisienses voltaram mais fortes, com um time estelar que tinha obrigação de levar a taça. E isso se confirma neste sábado, de maneira até melancólica, com o empate por 1 a 1 com o Lens no Parc des Princes. Messi fez um golaço, mas os visitantes botaram água no chope e empataram no fim. A ocasião deixa ainda mais claro que faturar o troféu no Francesão não é mais suficiente para o PSG, especialmente pelo nível de investimento. Num ano em que apenas o título da Champions parecia capaz de fazer jus às expectativas criadas pela chegada de Lionel Messi e pela permanência de Kylian Mbappé, a empolgação no Parc des Princes é mínima – não apenas pela falta de concorrência dessa vez, mas também pela falta de brilhantismo em tantas atuações. Apesar disso, agora com dez taças, o PSG fica na história como maior campeão francês, igualado ao Saint-Étienne – por pouco tempo.

A vitória leva o PSG aos 78 pontos. É um aproveitamento superior ao da temporada passada, mas que deixa a desejar em relação a outros anos abastados da Ligue 1. Além disso, desta vez não houve um adversário acima da curva para concorrer com os parisienses – como o Monaco de desempenho altíssimo em 2016/17 ou os três adversários que estavam no páreo até a conquista do Lille em 2020/21. O Olympique de Marseille, principal perseguidor, sequer alcançará a barreira dos 80 pontos em 2021/22. Os demais candidatos à Champions estarão felizes se chegarem a 70. O PSG nadou de braçada mesmo quando parecia cambalear.

Afinal, as goleadas foram relativamente raras nessa temporada. Foram apenas cinco vitórias com uma margem superior a quatro gols de diferença – um número relativamente baixo para o predomínio do PSG, que teve sete goleadas do tipo no vice passado. Com 76 gols, o time dificilmente atingirá a marca centenária de tentos repetida três vezes na década passada. Os apertos também foram frequentes, com cinco vitórias só garantidas depois dos 40 do segundo tempo. O desempenho como mandante compensou, ao menos, com 16 triunfos e só um empate, enquanto as quatro derrotas aconteceram longe do Parc dos Princes.

Outro fato que pesa para a decepção ao redor do PSG está nos reforços. Sergio Ramos mal atuou por causa das lesões. Já Lionel Messi esteve abaixo do domínio esperado na França, com quatro gols em 22 aparições, compensando mesmo pelas 13 assistências. Deixaria ao menos uma grande impressão final, com seu golaço contra o Lens. Melhor para Mbappé, que brilhou como claro protagonista do trio ofensivo, com 22 gols e 14 assistências, incluindo muitos jogos decididos na unha. Neymar também teve rendimento satisfatório, apesar dos problemas de lesão. Achraf Hakimi foi outra boa notícia especialmente no início da campanha, mas oscilou.

Dada a ambição à qual o PSG se propõe, conquistar a Ligue 1 soa como necessidade. E a consideração diminui quando os parisienses não tiveram a imposição suposta. A graça do campeonato se dilui entre um time muito à frente dos demais e um equilíbrio no meio da tabela que passa longe da taça. Fica um ar de sebastianismo, à espera de um Monaco ou de um Lille da vida que mudem essa história. Enquanto o fenômeno não se repete, o PSG vai sobrar na tabela mesmo com o freio de mão puxado, jogando seu ano todo em um punhado de mata-matas da Champions. E, mesmo com o abismo, isso sequer permitiu muito encantamento no Parc des Princes que fosse além de Mbappé durante os últimos meses.

O jogo

Kylian Mbappé criou a primeira chance da partida, mas o Lens equilibrou o duelo ao longo do primeiro tempo e seria mais perigoso no primeiro quarto de hora. Seko Fofana bateu para fora, enquanto Kevin Danso cabeceou por cima quando surgiu sozinho na área. O PSG esbarrava na marcação aurirrubra e só depois dos 20 minutos que emendou oportunidades mais claras. A melhor delas veio com Achraf Hakimi, aos 26, mas o goleiro Jean-Louis Leca cresceu para brecá-lo no mano a mano. Leca também desviaria com o pé um chute cruzado de Lionel Messi.

O Lens fazia um bom trabalho sem a bola e aguardava o momento certo de atacar. Por volta dos 40 minutos, os visitantes voltaram a assustar do outro lado. Jonathan Clauss apareceu livre, mas chutou para defesa fácil de Keylor Navas. Pouco depois, seria a vez de Fofana mandar por cima. As principais ações do PSG vinham com Mbappé, mas nada suficiente para tirar o zero do placar. O empate, mesmo assim, já bastava para confirmar o título da equipe.

O PSG reiniciou o segundo tempo com mais posse de bola no campo de ataque. Uma bela oportunidade surgiu aos sete, com Mbappé. O atacante tentou duas vezes, mas na primeira parou no goleiro e depois viu a bola ser salva em cima da linha. Logo depois, o caminho ficaria aberto aos parisienses com o segundo amarelo para Danso, expulso. O lance gerou uma falta frontal e Messi buscou o canto, com Leca fazendo a ponte para espalmar. Messi também tentaria dar uma assistência para Sergio Ramos aos 20, mas o zagueiro isolou.

O gol do PSG saiu aos 23 minutos. Messi assinou uma pintura. O camisa 30 recebeu a bola na intermediária e mandou um petardo no alto da meta, para Leca saltar e não achar nada. A taça se tornava ainda mais concreta. Todavia, os parisienses resolveram se acomodar e pouco fizeram para ampliar, mesmo com um jogador a mais. A bola puniu aos 43, com o empate do Lens. Deiver Machado cruzou rasteiro e a bola atravessou a área, até a conclusão de Corentin Jean. No fim, o PSG tentou acelerar um pouco para pelo menos vencer e Mbappé teve a melhor chance, mas o apagar das luzes seria mesmo decepcionante. Vaias foram ouvidas e não existia qualquer empolgação dos jogadores. Só mesmo fogos de artifício deram algum clima diferente.

O PSG chega aos 78 pontos na Ligue 1. A vantagem na liderança é de 16 pontos. É o décimo título nacional dos parisienses, o oitavo somado desde o início do investimento catariano. Agora, o clube deixa o rival Olympique de Marseille para trás na lista de maiores campeões e se iguala no topo ao Saint-Étienne. O Lens é o sétimo colocado, com 54 pontos, e ainda briga por vaga nas copas europeias.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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