O Paris Saint-Germain tem uma perspectiva financeira ruim para o final da atual temporada, 2020/21. Segundo o L’Equipe, o clube apresentou um balancete à DNCG (Direção Nacional de Controle de Gestão) da Liga de Fútbol Profesional (LFP) que mostra uma previsão de perdas de €204 milhões, um valor 60% maior do que na temporada passada, 2019/20, a primeira afetada pela pandemia da COVID-19.

O clube é um dos mais ricos do mundo, já que tem como dono a Qatar Investment Authority (QIA), controlada pela família real do Catar. Apesar disso, a operação financeira dos parisienses ficou comprometida, assim como grande parte dos clubes no mundo, pela crise causada pela pandemia. Por isso, o clube terá que reduzir gastos ou se verá obrigado a vender para equilibrar o caixa. É provável que outros clubes estejam em situação parecida, mas a folha salarial do PSG é grande e o clube já vinha em um processo de tentar reduzi-la nos últimos tempos.

Na última temporada, 2019/20, o clube já foi um pouco mais contido nas contratações em relação às temporadas anteriores. Levou a Paris o zagueiro Abdou Diallo, do , por €32 milhões; Idrissa Gueye, do Everton, por €30 milhões, Pablo Sarabia, do Sevilla, por €18 milhões; e Keylor Navas, do Real Madrid, por €15 milhões. Isso além das contratações de Mitchel Bakker, Marcin Bulka e Ander Herrera, que chegaram de graça após o fim dos seus contratos. Também contratou, por empréstimo, Mauro Icardi, da Inter, e Sergio Rico, do Sevilla. Gastou um total de €95 milhões.

No , porém, o balanço foi positivo, ao arrecadar €105 milhões em vendas de jogadores: Giovanni Lo Celso (€22 milhões), Moussa Diaby (€15 milhões), Christopher Nkunku (€13 milhões), Stanley Nsoki (€12,5 milhões), Grzegorz Krychowiak (€12 milhões), Timothy Weah (€10 milhões), Arthur Zagre (€10 milhões) e Kevin Trapp (€7 milhões). Ainda emprestou Alphonse Areola (por €2 milhões), José (€2 milhões) e vendeu também Rémy Descamps (€400 mil).

Nesta temporada, o PSG teve gastos. Essencialmente, porque contratou dois jogadores que estavam emprestados: Mauro Icardi (€50 milhões) e Sergio Rico (€6 milhões), além dos de Danilo Pereira (€4 milhões) e Florenzi (€1 milhão). Contratou ainda dois jogadores sem qualquer custo: Alexandre Letellier, do Orléans, e Rafinha, do Barcelona. No total, o clube gastou €61 milhões e arrecadou só €5 milhões com a venda de Loïc Ben Soh ao Nottingham Forest.

Além de não poder fazer grandes contratações na próxima temporada, já que a perspectiva financeira é ruim, o clube ainda vive uma incerteza com as negociações das renovações de Neymar e Kylian Mbappé. Os dois jogadores têm contrato até junho de 2022, depois de terem assinado contratos de cinco anos em 2017. Não renovar com um deles seria desastroso, já que são dois dos jogadores mais valiosos do mundo. Caso não cheguem a um acordo para a renovação, é muito provável que um dos dois – ou mesmo ambos – sejam vendidos, para que não saiam de graça no ano seguinte. Seria um desastre em termos financeiros.

Os problemas financeiros, ao mesmo tempo que suas duas maiores estrelas estão ainda negociando uma possível renovação, podem fazer com que uma coisa tenha que ser usada para resolver a outra. Leonardo, diretor do clube, já afirmou que o planejamento é renovar com os dois jogadores. A prioridade do clube, porém, é renovar com o brasileiro, o jogador mais caro do mundo desde a sua transferência de €222 milhões em 2017. Mbappé, portanto, é o maior candidato a deixar o clube na próxima temporada.

Com tudo isso, o PSG ainda sonha com Messi. Isso só é possível porque o jogador fica sem contrato ao final da temporada, já que seu vínculo com o Barcelona termina. Ainda não se sabe se o argentino poderá ser convencido a continuar na , mas os indicativos é que ele quer sair. O Manchester City segue como favorito a contratá-lo, até pela presença de Pep Guardiola.

O PSG, porém, tem o trunfo de ter Neymar, que já disse que quer jogar com o argentino novamente. Apesar de não custar nada para ser contratado, há outro problema: os salários do jogador são imensos, maiores até que Neymar. Isso tem um peso em um clube que precisa cortar custos. Seria possível fazer um time com Neymar, Messi e vendendo mais jogadores e enfraquecendo mais o resto do elenco? É uma questão que deve pesar.

Com €204 milhões de prejuízo projetados ao final da temporada, e depois de violações no Financeiro que passaram só com uma multa, mas fizeram com que a Uefa ficasse de olho no jogador, parece mais provável que o clube tente montar o time apenas com Neymar e com um time moldado ao seu redor.