A mais nova lesão de Neymar, que irá tirar o jogador da partida de ida das oitavas de final da Champions League contra o Barcelona, e possivelmente do jogo de volta, abriu espaço para que parte da francesa começasse a questionar os cuidados extracampo do jogador, constantemente lesionado desde que chegou ao Paris Saint-Germain em 2017. Técnico do PSG há pouco mais de um mês, Mauricio Pochettino saiu em defesa de seu comandado nesta sexta-feira (12), apontando o excesso de jogos em um curto espaço de tempo como o responsável pela nova contusão do brasileiro.

“O Neymar não é o único que está machucado. O Di María está machucado também, como outros jogadores, e não apenas em Paris. Precisamos parar de visar os jogadores individualmente, de focar apenas um jogador. Em vez disso, precisamos pensar no acúmulo de partidas”, sugeriu Pochettino.

O argentino argumentou que existe um excesso de partidas causado sobretudo pela Covid-19 e que este acúmulo cobra caro dos atletas. “Estamos aqui há apenas 40 dias e já tivemos nove jogos. Esse acúmulo é devido à Covid-19, mas o calendário não ajuda a recuperação física. Falo pelo , mas também por todas as outras equipes.”

“Quando você observa o aumento do número de lesões, isso está diretamente ligado ao acúmulo de partidas. Isso faz com que corramos esse tipo de risco. O Neymar é um grande profissional, um rapaz muito humilde, muito dedicado ao clube. Nós o conhecemos, podemos dizer que é um profissional com um talento enorme”, defendeu Poch.

Dos 191 jogos que poderia ter disputado pelo PSG desde que se transferiu para a capital francesa em 2017, Neymar participou de apenas 101. Em duas das temporadas passadas, perdeu confrontos importantes de oitavas de final de Champions League por lesão – e não pegou bem para a sua imagem que em uma dessas oportunidades, em 2019, tenha viajado ao Brasil e pulado Carnaval mesmo lesionado. É também a partir desse histórico que vem parte da crítica da imprensa.

Há, no entanto, outras camadas para explicar as repetidas lesões do brasileiro. Seu estilo de jogo, que atrai pancadas e faltas do adversário, é uma delas, e já há uma divisão entre aqueles que gostariam de ver o atleta mudar seu jeito e aqueles que defendem que o 10 mantenha sua postura. Ela, afinal, é parte importante do jogador que Neymar é.

Pochettino está mais próximo deste último grupo. Para ele, “Neymar é um dos três ou cinco melhores jogadores do mundo. É uma pessoa muito profissional, que mostra a cada dia uma grande dedicação ao clube. Depois de 40 dias aqui, temos a sorte de conhecê-lo e de ver suas qualidades humanas e profissionais. Às vezes, faz bem escutar o que dizem os treinadores sobre seus jogadores nas entrevistas coletivas.”

Questionado sobre uma possível volta de Neymar ao Brasil durante a recuperação da vez, Pochettino afirmou que o cenário não passa de suposição: “Não falamos de nada sobre este assunto, estamos concentrados em encontrar uma estratégia para que ele possa voltar o mais rápido possível (a campo). A estratégia da equipe médica, tanto para o Neymar quanto para o Di María, é a mesma. Um retorno ao Brasil não está previsto nem pelo clube, nem pelo jogador, nem por ninguém. São apenas suposições”.

Após o jogo em que se lesionou, a por 1 a 0 sobre o Caen pela Copa da França, na quarta-feira (10), Neymar foi atacado pelo técnico adversário, Pascal Dupraz, que afirmou que o brasileiro era “um chorão e se beneficia da indulgência dos árbitros porque provoca sempre os adversários com as fintas. Saiu com a mão na coxa, mas não percebi que estivesse lesionado. Não vou discutir esse fato, mas ele tem que perceber que é prejudicial para ele próprio, para a sua equipe e para o futebol francês. Devia se comportar mais como o Michel Platini ou o ”.

Em resposta sobretudo a Dupraz, mas também ao restante de seus detratores que compartilham da visão do técnico do Caen, Neymar fez uma postagem em sua conta no Instagram: “Triste demais ter que escutar de jogador, treinador, comentarista ou o caralho a quatro: ‘Ele tem que apanhar mesmo’, ‘cai-cai’, ‘chorão’, ‘moleque’, ‘mimado’ etc. Sinceramente, isso me entristece, e não sei até quando aguentarei. Só quero ser feliz jogando futebol, nada mais”.

Com uma previsão de quatro semanas de recuperação, apenas uma reabilitação acelerada permitiria ao brasileiro participar do jogo de volta das oitavas de final da Champions League contra o Barcelona, em 10 de março. O período até lá poderia ser também de descanso. Porém, quando se é Neymar, não é exatamente simples ficar longe das manchetes.