Ligue 1

Neymar dobrou sua aposta ao renovar com o PSG e tem no clube todas as condições de colher os frutos da escolha

Com vínculo até 2025, o brasileiro coloca todo seu foco na equipe da capital francesa e tem motivos de sobra para celebrar a decisão

A longa novela da renovação de Neymar com o PSG chegou ao fim no sábado (8), quando o clube anunciou a extensão do contrato do brasileiro até 2025. Por muito tempo especulado no Barcelona, o craque colocou um fim às conversas ao dobrar a sua aposta na capital francesa. Se, por um lado, sua ida ao Paris Saint-Germain foi cercada de críticas e de um sentimento de que o brasileiro cometia um erro ao deixar o Barça por uma equipe de menor estatura no continente, por outro Neymar há boas razões para renovar seu vínculo com os parisienses e tem no clube as condições necessárias para ser bem-sucedido e reforçar seu legado.

Em um exercício de tentar imaginar o que se passa na cabeça do brasileiro e de adivinhar quais eram seus anseios mais profundos, a opinião pública sempre presumiu que seu objetivo maior fosse individual e que o ápice para ele seria a conquista da Bola de Ouro. Mesmo que tomemos isso como verdade, jogar no Paris Saint-Germain em nada impede este objetivo.

O argumento frequente é de que, no PSG, Neymar diminui significativamente suas chances de conquistar o prêmio individual máximo já que o campeonato nacional, a Ligue 1, não carrega o mesmo peso de seus equivalentes como a Premier League e La Liga – e que, portanto, seria necessário vencer a Champions League. Enquanto a avaliação da disparidade entre as ligas é correta, afirmar isso ignora que dificilmente a premiação se dá com base no sucesso doméstico. É sempre a glória continental – ou uma boa participação na Liga dos Campeões – que molda a narrativa em torno do melhor do mundo, com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo sendo exceções ao monopolizarem a disputa mesmo em anos em que não levantaram a orelhuda.

Tivesse permanecido no Barcelona, Neymar igualmente precisaria ser protagonista de um título de Champions League, ou ao menos brilhar em uma longa campanha que chegasse até os últimos estágios, para poder ser candidato forte ao prêmio. Se seus caminhos o levassem a Bayern de Munique, Liverpool, Juventus ou Real Madrid, a história seria parecida. Por mais que seus possíveis feitos na Ligue 1 sejam sempre menos reconhecidos do que seriam em uma liga de maior prestígio, o desempenho doméstico nunca seria suficiente por si só.

Com isto claro, é hora de nos debruçarmos sobre as razões que tornam o PSG um dos destinos mais fortes para um jogador no futebol atual. Não é segredo para ninguém que por trás do projeto do clube e de todo o dinheiro lá investido está uma máquina de sports washing feita para melhorar a imagem do Catar no ocidente. Este pano de fundo controverso sempre estará lá, mas não apaga o que o clube cada vez mais tem representado no futebol europeu.

O Paris Saint-Germain está em uma das principais capitais do mundo, tem há alguns anos uma cultura muito bem alinhada com o que o futebol tem se tornado em termos de produto cultural e é uma marca não só forte no presente, como também com perspectiva de crescimento significativo no futuro. Como fator extra, conta ainda com uma torcida diversa, significativa, apaixonada e identificada com a instituição. É um gigante do futebol europeu em construção, e Neymar pode deixar uma marca grandiosa nesta entidade nestes anos de ápice técnico e físico que está dedicando ao clube.

A evolução dos parisienses pode ser facilmente constatada a partir dos resultados recentes a nível europeu. Na temporada passada, não só alcançou as semifinais da Champions League pela segunda vez em sua história (25 anos depois da primeira vez) como também chegou à inédita final, dando agora sequência a isso com uma campanha semifinalista. Tudo indica que terá condições de se manter entre as principais equipes do continente, à medida que aprende de seus erros, refina seus processos internos e reforça o elenco com um capital difícil de ser igualado.

Ao encontro desta progressão do PSG como clube está a do próprio Neymar como figura deste clube. Durante a primeira metade desses quatro anos que já acumula em Paris, a verdade é que Neymar não esteve completamente integrado à instituição. Seu relacionamento com a torcida era frágil, chegando a ser belicoso nos momentos em que expressou sua vontade de deixar o clube, e a impressão era de que o Parque dos Príncipes era apenas um ponto de parada em seu percurso. A partir do momento em que viu que seu futuro estava na França e que era melhor abraçar as circunstâncias e tirar o melhor delas, essa relação passou a se transformar – e o estágio final desta mudança ainda não foi alcançado.

Neymar sofreu até hoje, por exemplo, para ser constante no clube em termos de aparições. Grosso modo, passou metade do tempo indisponível por causa de lesões. Se a relação com o clube e a torcida era algo que precisava de uma correção e isso foi feito, a sua disponibilidade é a próxima etapa.

Conseguindo alcançar o tipo de regularidade que mostrou em seus anos de Barcelona, Neymar terá as condições de ser o líder técnico de um clube que se aproxima do topo e que pode lhe possibilitar as maiores glórias coletivas e individuais. Tudo isso com a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e as beiras do rio Sena como pano de fundo. Nada mau.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo