Ligue 1

Nem o puxão de orelha brecou Mbappé, que saiu do banco e decidiu o clássico para o PSG

Se havia um jogo que ameaçava os 100% de aproveitamento do Paris Saint-Germain na Ligue 1, ele estava reservado para este domingo. O Olympique de Marseille pode não viver a melhor de suas fases, mas é o principal rival dos parisienses. Um clássico efervescente, sobretudo por acontecer sob clima nada amistoso no Vélodrome, com a massa celeste empurrando os provençais. Durante boa parte, o OM parecia capaz de derrubar a invencibilidade do PSG. Não aconteceu porque há um tal de Kylian Mbappé do outro lado. O atacante havia sido punido disciplinarmente por Thomas Tuchel, ao se atrasar na apresentação antes do clássico. Começaria a partida do banco. E só ressaltou como não se pode abrir mão de seu talento: a partir do segundo tempo, comandou o triunfo por 2 a 0, o 11° seguido neste começo imparável na Ligue 1.

Mbappé não estava sozinho na punição. Adrien Rabiot também se atrasou para a preleção e ficou na reserva. Porém, as entradas de Eric Choupo-Moting e Julian Draxler não ajudaram muito o PSG. Edinson Cavani era outra ausência sentida e o time sofria para criar oportunidades. Ficava limitado a lampejos, sem muito sucesso. Enquanto isso, empurrado pela torcida ensurdecedora, o Olympique parecia disposto a fazer vale seu jogo. Contava com as boas participações de Luiz Gustavo e Lucas Ocampos, mas não conseguia criar chances tão claras. O melhor lance da primeira etapa aconteceu pouco antes do intervalo, e do outro lado do campo. Os parisienses deram um susto em bola de Choupo-Moting que Kevin Strootman salvou em cima da linha.

Durante o início do segundo tempo, o PSG seguia com ameaças esparsas, enquanto Alphonse Aréola trabalhou em cobrança de falta de Dimitri Payet. Mas a história da partida só mudou depois dos 17, quando Mbappé substituiu Choupo-Moting e assumiu o comando a linha de frente. Três minutos depois, o craque já participou do primeiro tento. Ángel Di María lançou o atacante, que ganhou de Boubacar Kamara na corrida e tocou na saída de Steve Mandanda.

Já durante os 15 minutos finais, o Olympique dominou o jogo. Partiu para a pressão e teve seus momentos, sem conseguir converter. Aos 32, Jordan Amavi arriscou de longe e resvalou na trave de Aréola. Depois, ainda haveria um tento anulado, em falta contestável sobre Marquinhos, confirmada pelo VAR. Todavia, era mesmo a noite dos parisienses, que suportaram a pressão do OM e ampliaram diferença nos acréscimos. Neymar puxou o contra-ataque, tabelou com Mbappé e finalizou cruzado. Draxler apareceu na pequena área para escorar à meta vazia.

O Paris Saint-Germain permanece perfeito. As 11 vitórias valem um recorde notável. Pela segunda vez na história das cinco grandes ligas, um time vence todos os seus compromissos nas 11 primeiras rodadas, igualando o Tottenham de 1960/61. Os 33 pontos rendem uma vantagem de oito sobre o segundo colocado, o Lille. Já o Olympique cai para a quinta posição, com 19 pontos – quase metade dos rivais. Uma diferença que escancara o tamanho das disparidades na Ligue 1.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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