Ligue 1

Moffi ofuscou Mbappé e o Nice doutrinou o PSG em pleno Parc des Princes

O Nice fez uma partidaça no Parc des Princes e derrotou o PSG por 3x2, com dois gols e uma assistência do ótimo Terem Moffi

O Nice é um time que merece um olhar atento nesta temporada da Ligue 1. As Águias trouxeram o promissor técnico Francesco Farioli e possuem um bom número de talentos à disposição, priorizando mais os jovens do que os medalhões dispensados recentemente. E as credenciais dos rubro-negros foram apresentadas em grande estilo nesta sexta-feira, dentro do Parc des Princes. O time fez uma partida maiúscula para manter o Paris Saint-Germain sob controle e vencer por 3 a 2 na capital. Kylian Mbappé até anotou dois bonitos gols, mas acabou ofuscado por Terem Moffi, infernal com dois tentos e também uma assistência.

Luis Enrique tinha várias de suas caras novas no PSG. Criticado recentemente, Gianluigi Donnarumma permanece no gol. A defesa contava com Milan Skriniar e Lucas Hernández, ao lado de Achraf Hakimi e Danilo Pereira. No meio, chamava atenção a nova presença do garoto Warren Zaïre-Emery, firme como titular. Já na frente, um trio composto por Ousmane Dembélé, Gonçalo Ramos e Kylian Mbappé, além do reforço de Randal Kolo Muani no banco. A noite ainda teve uma emotiva despedida a Marco Verratti, vendido ao Al-Arabi. O volante deu uma volta olímpica antes que a bola rolasse, para celebrar a torcida após 11 anos de clube.

Do outro lado, o Nice possui uma boa zaga, com a azeitada dupla formada por Jean-Clair Todibo e o capitão Dante, cheio de moral na Riviera. O meio é conduzido pelo talento de Khéphren Thuram. Já na frente, um excelente trio com Gaetan Laborde, Terem Moffi e Sofiane Diop. No banco, o técnico Francesco Farioli é quem chama atenção, despontando antes como treinador de goleiros nos times de Roberto De Zerbi, antes de se destacar na Turquia, em trabalhos à frente de Fatih Karagümrük e Alanyaspor. Possui uma filosofia de jogo mais agressiva, que se notaria em campo.

Nice já começa a incomodar

O PSG tentou acelerar durante os primeiros minutos, mas não podia se dar ao luxo de se descuidar atrás. O Nice conseguia encaixar seus ataques com velocidade e não demorou para Terem Moffi exigir a primeira defesa de Donnarumma. As Águias fechavam bem sua defesa e eram competentes na transição. Desde o início se mostravam adversários perigosos no Parc des Princes. Dembélé tentou encobrir o goleiro Marcin Bulka aos 19, sem sucesso. Aos poucos, a equipe da casa perdia fôlego e parecia numa situação cada vez mais desprotegida.

O Nice não perdoou a chance de abrir o placar aos 21 minutos. Mbappé perdeu uma bola roubada por Todibo no campo de ataque. O próprio Todibo chutou prensado após a tabela e, na sobra, Moffi bateu na marra para o fundo das redes. A pressão das Águias na marcação funcionava. O segundo ainda poderia ter vindo na sequência, mas Donnarumma buscou um chute de Khéphren Thuram. E quando Dembélé poderia responder, isolou sozinho na área.

Por sorte, o empate do PSG veio logo depois, aos 29 minutos. Num avanço de Achraf Hakimi pela direita, o passe chegou limpo para Mbappé na meia-lua. O artilheiro chutou de primeira e Bulka não conseguiu a defesa. Os parisienses cresceram com o gol e tiveram condições de virar o placar. Ficaram no quase, com bons lances de Gonçalo Ramos e Dembélé, que erraram por pouco. Mas não que o Nice estivesse totalmente entregue. Pouco antes do intervalo, Jordan Lotomba poderia ter retomado a vantagem e mandou por cima. Os rubro-negros indicavam que ainda acreditavam.

Terem Moffi é o cara

O segundo tempo recomeçou com o Nice mais ligado. Todibo e Dante estavam muito sólidos na defesa. E as Águias teriam a chance do segundo gol logo cedo, num contra-ataque. Moffi teve papel brilhante no lance, ao receber o lançamento longo e encarar a marcação de Danilo Pereira. Pedalou, escapou do carrinho e cruzou da linha de fundo. Gaëtan Laborde se esticou todo para mandar para o fundo da rede e retomar a dianteira aos oito minutos. Donnarumma ainda seria providencial de novo, numa boa saída contra Sofiane Diop. Do outro lado, o ataque do PSG mal aparecia contra um adversário bem posicionado.

Luis Enrique acionou seu banco a partir dos 19. Colocou Manuel Ugarte, Bradley Barcola e Randal Kolo Muani, numa esperada estreia do centroavante no lugar de Dembélé. A noite, porém, era de Terem Moffi – o excelente reforço trazido do Lorient no meio da última temporada. O centroavante ampliou a diferença enquanto os parisienses se acertavam, aos 23. O gol aconteceu a partir de uma construção da defesa. Moffi fez o pivô e tabelou com Laborde para receber na frente. A marcação era dobrada, mas o atacante ameaçou o chute e depois, da entrada da área, mandou um tiro rasteiro no cantinho de Donnarumma. O italiano não alcançou. A missão do PSG se tornava ainda mais dura, especialmente pela qualidade dos adversários.

O Nice aproveitou a sequência da partida para injetar sangue novo e segurar o resultado. O próprio Moffi seria substituído para a entrada de Jérémie Boga. Mas a verdade é que o PSG ofereceu pouquíssimo na noite, limitado a espasmos. Os melhores lances do time dependiam da aceleração de Dembélé e o atacante havia saído. Outro trunfo era a qualidade de Mbappé e o craque esboçou a reação aos 42, com o segundo gol. Foi uma pintura: Hakimi espetou pela direita e acionou Kolo Muani. O centroavante girou para o cruzamento e achou Mbappé livre no segundo pau. Erro fatal do Nice, com um belíssimo voleio do artilheiro. Mas ficou nisso. Sem mais tempo, o PSG bateu a cabeça contra a parede. E só não tomou o quarto no fim porque Donnarumma salvou no mano a mano com Evann Guessand.

O Nice ocupa a segunda colocação da Ligue 1, com nove pontos. Está invicto, apesar dos três empates nas primeiras rodadas. O Monaco é o líder com um ponto a mais, mas ainda jogará na rodada. Já o PSG cai para o terceiro lugar e pode despencar um pouco mais, com só duas vitórias em cinco rodadas, oito pontos no total. É hora de voltar a cabeça para a Champions e para o duro Grupo F, com a visita do Borussia Dortmund ao Parc des Princes.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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