Ligue 1

Messi: “O PSG é candidato na Champions por nome, mas ainda faltam coisas para sermos uma equipe forte de verdade”

Em longa entrevista ao Marca, Messi abordou diversos assuntos, de sua adaptação no PSG às disputas com Cristiano

Lionel Messi não é um cara de muitas entrevistas. Porém, quando o camisa 10 fala, costuma participar de longas conversas. Nessa semana, o argentino teve um bate-papo com o Marca em que abordou diversos assuntos. Falou sobre Paris Saint-Germain e seleção da Argentina, claro. Mas também olhou para trás sobre sua relação com o Barcelona, analisou a chegada de Xavi como treinador e deu seu parecer sobre o próprio momento do Campeonato Espanhol. Até sobre Cristiano Ronaldo e a nova fase no Manchester United o craque respondeu.

Abaixo, destacamos alguns dos principais trechos da entrevista, dividindo as respostas por tópicos:

O favoritismo na Champions

“Todo mundo diz que somos os grandes favoritos e não vou negar que somos um dos candidatos por nome, mas ainda nos faltam coisas para sermos uma equipe forte de verdade. Temos que acabar de nos consolidar como equipe e temos a vantagem de contar com grandes jogadores para conseguir. Mas não somos os únicos, há outras grandes equipes que se candidatam. A Champions é uma competição muito difícil, que a torna tão bonita e especial. Estão as melhores equipes e cada vez é mais complicada. Sim, somos um dos favoritos, mas não os únicos”.

Os outros candidatos

“Hoje, o Liverpool está muito bem, voltou a ser o Liverpool que ganhou a Champions. Depois vem o City, o Bayern, o Real Madrid, o Atlético… Há muitas equipes que podem lutar por esta Champions, que é uma das mais niveladas e competitivas dos últimos anos, porque há várias equipes que podem ganhá-la”

O vestiário do PSG

“Tive a sorte de chegar a um vestiário com ótimos jogadores e ótimas pessoas. Isso é o mais importante. Minha adaptação foi rapidíssima. É verdade que, no começo, foi muito estranho. Por um lado existe a dificuldade da mudança a um lugar novo, depois de tantos anos no mesmo lugar, mas por outro lado foi muito fácil, porque conhecia muitos jogadores e falam muito espanhol. Existem pessoas muito boas, é um vestiário muito unido, já se via de fora e é algo que posso confirmar de dentro”

A relação com Sergio Ramos

“No começo foi estranho, depois de tantos anos de rivalidade, sendo os capitães de Barcelona e Real Madrid, depois de tantos clássicos disputados, tantas brigas que tivemos dentro de campo. Mas tudo isso ficava lá dentro e sempre nos respeitamos muito, por mais que fôssemos grandes rivais nesses clássicos. Tê-lo hoje como companheiro é um espetáculo. Aos poucos ele se junta a nós e espero que jogue o mais rápido possível, porque será um jogador fundamental para lutarmos pelos objetivos. Eu já o conhecia. É verdade que não tínhamos conversado muito, mas são muitos anos nos cruzando em La Liga e nos falamos mais de uma vez. Eu tinha uma ideia de como era. Tinha ex-companheiros que estiveram com ele na seleção. Agora, que temos mais contato, vi que é uma grande pessoa”.

A adaptação a Paris

“Estou muito bem, totalmente adaptado, já que conseguimos ficar na nossa casa nova e os meninos começaram no colégio, com sua rotina. Viajei muito à Argentina com as partidas das Eliminatórias, o que me impediu de ter continuidade nas partidas, mas na vida pessoal eu me acomodei bem. Foi muito mais fácil do que imaginávamos. Pensamos muito como seria difícil para as crianças. No fim, eles se adaptaram mais rápido e se acostumaram. Muito rapidamente eles estavam adaptados à nova cidade e ao novo país, isso deu muita tranquilidade, tanto a Antonela quanto a mim”

Messi, do PSG (Matthias Hangst/Getty Images/OneFootball)

Xavi no Barcelona

“Xavi pode contribuir muitíssimo. É um treinador que sabe muito, que conhece perfeitamente a casa e viveu desde pequeno no Barcelona. Renovou as esperanças no Barcelona, porque é uma pessoa muito respeitada pela torcida e pelos jogadores. Será um treinador muito importante para os jogadores mais jovens, porque vai ensiná-los. A equipe vai crescer muito com ele, não tenho dúvidas. Falo muito com Xavi, desde sempre. Somos amigos, compartilhamos muitas coisas e, desde que ele se foi, mantemos contato. Felicitei pelo novo passo e desejei o melhor. Tenho certeza que vai muito bem, porque sabe muito, é trabalhador e conhece o clube”.

A demissão de Koeman

“Sempre é injusto quando demitem os treinadores. Foi injusto com Koeman, com Valverde… Quando há maus resultados, o mais fácil é apontar para o treinador, mudá-lo, e não para os jogadores. Koeman chegou num momento muito difícil do clube, em que se foram jogadores importantes, mas pode tirar muito dos jogadores jovens. Como te digo, sempre o mais fácil é culpar o treinador. E eles também sabem disso, porque é a profissão”.

A volta de Daniel Alves

“A volta de Dani me surpreendeu, sobretudo pelo momento. Creio que pode ser uma boa adição, como no caso de Xavi, pode ser importante aos mais jovens. Vai ajudá-los a crescer, porque é um ganhador e transmite muito. Fará com os jovens, tanto nas partidas quanto nos treinamentos. Porque também vai contribuir muito fora de campo com o trabalho diário, o empenho e a vontade que sempre tem de vencer”.

A volta ao Barcelona no futuro

“Sempre quero o melhor para o Barcelona. Sou um torcedor, ainda que agora não esteja jogando lá. E tenho companheiros e amigos dentro da equipe. Quero que eles se saiam bem. É verdade que em La Liga perderam pontos, mas falta muito e não tenho dúvidas de que o Barcelona vai voltar e subir na tabela. Sempre disse que em algum momento voltarei ao Barcelona, porque é minha casa e porque vou viver lá. Obviamente, se puder contribuir e ajudar o clube, adoraria voltar”.

Laporta e Messi (Foto: Getty Images / One Football)

O momento dos clubes espanhóis

“O Real Madrid sempre é competitivo. O mesmo acontece com o Atlético e os dois vão lutar. São dois rivais muito difíceis nos confrontos diretos em duas partidas. Ambos conhecem muito bem a competição e como jogá-la, por isso são dois dos favoritos, sem dúvidas. O Barcelona atravessa uma etapa de reconstrução, com uma equipe em que há muitos jogadores jovens. Hoje creio que há times melhores que o Barcelona, mas, embora agora deem essa impressão, isso não quer dizer que mais tarde não possam brigar, porque é preciso ter em conta a chegada de Xavi, as esperanças renovadas e a possibilidade de recuperar alguns jogadores lesionados. Eles podem seguir crescendo e lutando”.

Sente falta da competição com Cristiano Ronaldo?

“Já passou muito tempo desde que deixamos de competir na mesma liga. Competíamos em nível individual e como equipe pelos mesmos objetivos. Foi uma etapa muito bonita para nós e também para as pessoas que aproveitaram. É uma linda lembrança que ficará para a história do futebol”.

Cristiano Ronaldo no United

“O United é uma equipe muito forte, com grandes jogadores. Cristiano já conhecia o clube, mas isso era em outro momento e agora já se adaptou de maneira impressionante. Desde o princípio fez gols, como sempre, e não teve problemas de adaptação. Não estão tão bem na Premier League como pensávamos, mas é uma competição muito difícil e equilibrada, em que as coisas mudam muito. Depois de dezembro muda muitíssimo e pode acontecer de tudo”.

O esvaziamento de La Liga

“Espero que o Campeonato Espanhol volte a trazer grandes jogadores e tenha os melhores, como foi na última década ou nos últimos 15 anos. E como foi historicamente. Sempre foi uma das melhores ligas do mundo e espero que possa recuperar. É verdade que muitas das figuras se foram por diferentes motivos, mas confio que no futuro possa ser La Liga de sempre”.

Mbappé no Real Madrid

“Não sei. Só Mbappé sabe o que tem em sua cabeça e o que vai fazer. Só posso dizer que estou feliz por ele ter ficado aqui nesta temporada. É um jogador importantíssimo para nós e para brigar pelos objetivos que temos. Ele tem a cabeça totalmente em nossos objetivos. E então decidirá o que fará quando a temporada terminar. Não sei o que vai acontecer”.

Messi, da Argentina (Foto: Imago / One Football)

Os recordes

“Hoje, estando em Paris, não dou o valor que meus recordes realmente têm. Temos um jogo a cada três dias e você não tem tempo para pensar nisso. Você foca nos confrontos que vêm e em conseguir os objetivos que nos propusemos. No futuro, uma vez aposentado, quando olhar todos os recordes que tive a sorte de alcançar, então darei o valor que eles realmente têm. Repassar isso será algo extraordinário”.

O ano com a seleção

“O ano foi espetacular e incrível a nível de seleção. Consegui cumprir um dos objetivos que tanto me custaram, que foi a Copa América, porque disputei várias vezes muito perto do título, mas nunca havia conquistado. Terminamos com o objetivo cumprido de nos classificarmos para a Copa, de uma maneira brilhante. E agora estamos com vontade de ir por mais”.

O sonho de vencer a Copa

“Estamos muito bem. Vencer a Copa América ajuda muito, porque a equipe trabalha de outra maneira e tem mais confiança. Mas sabemos que nos falta muito para ser um dos grandes candidatos à Copa do Mundo. Tentaremos chegar da melhor maneira possível para seguir competindo, como estamos fazendo em cada partida. Gostaria de estar em uma nova final e conseguir um novo objetivo. A esperança e o sonho estão sempre lá”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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