Ligue 1

Mbappé: “Ligue 1 não é o melhor campeonato do mundo, mas é minha responsabilidade ajudá-la a crescer”

Em entrevista à revista Esquire, atacante do PSG e da seleção francesa falou sobre suas influências, as exigências do futebol de alto nível e a competição para ser um dos melhores

Próximo da disputa de mais um grande torneio com a seleção francesa, Kylian Mbappé se sentou para uma entrevista com a revista Esquire em que falou de sua carreira, experiências na infância que o moldaram como jogador e as exigências do futebol no mais alto nível. Entre todos esses tópicos, questionado se já estava grande demais para o futebol francês, deu uma resposta que vai tranquilizar uma boa parte dos torcedores do PSG.

Especulado no Real Madrid e em clubes ingleses, e com seu futuro no Paris Saint-Germain ainda indefinido, já que a novela de sua renovação vai se estendendo, Mbappé garantiu que, como um dos atletas principais da Ligue 1, cabe a ele, também, elevar o nível ou a percepção da competição internacionalmente.

“A França não tem o melhor campeonato do mundo, mas é minha responsabilidade, como jogador símbolo, ajudar a liga a crescer”, disse à Esquire, em entrevista publicada nesta quarta-feira (2).

Precoce, Mbappé tem fortalecido o status da competição já há algum tempo. O camisa 7 do PSG estreou como profissional pelo Monaco em dezembro de 2015, aos 16 anos, e na temporada 2016/17 ajudou a equipe a conquistar a Ligue 1, marcando 15 gols naquela campanha. Desde cedo, pôde testemunhar que a caminhada de um jogador, por mais que seja cercada de amigos mesmo dentro do futebol, é solitária – e que, em geral, cada um está tentando preservar seu espaço.

“É muito difícil, porque os grandes jogadores não querem te dar o espaço deles, é isso que os torna grandes jogadores. Eles especialmente não querem te dar o espaço deles se você chega com o rótulo de ‘futuro grande jogador’”, explicou. Isso, no entanto, não significa que não há espaço para camaradagem e transmissão de conhecimento. No Monaco, especificamente, teve um mestre especial: Radamel Falcao García.

“Ele era uma estrela, mas tinha um desejo a transmitir. Foi como um professor para mim. É alguém que sempre quer marcar, mas me dava o espaço para que eu me expressasse. Ele é muito tranquilo na frente do gol, calmo em seu jogo, e transmitia essa serenidade que eu não tinha, porque eu era jovem, empolgado e queria correr a 2.000 quilômetros por hora”, relembrou.

Outras influências importantes para o jogador datam de sua infância e vêm da própria família. Seu pai e seu tio, treinadores, o levavam para suas partidas e desde cedo o ambientaram ao vestiário e ao papo tático. Dali, analisa o atacante, Mbappé tirou um aprendizado importante para enxergar melhor o futebol, através de todas as suas lentes.

“Muito jovem, eu sempre estava nos vestiários, ouvindo as conversas táticas e os diferentes pontos de vista, porque o futebol é feito de diferentes pontos de vista. Aprendi a ter esta tolerância, e acho que isso me ajudou, porque ser treinador é se colocar no lugar dos outros. Acho que tenho o dom de fazer isso, ajuda no futebol. Porque, se você é jogador, geralmente você só pensa em si mesmo, na sua carreira. Eu consigo ver, por exemplo, quando algo em um jogo está frustrando um companheiro – e posso tranquilizá-lo.”

Em entrevistas do passado, Mbappé nunca escondeu ser alguém cheio de confiança em si mesmo e com muita ambição. Suas declarações às vezes podem ser lidas como presunçosas, embora o francês sempre contextualize a importância deste tipo de sentimento para um atleta de elite.

“No futebol de alto nível, ninguém reservará um espaço para você ou te dirá que você é capaz. Cabe a você se convencer de que você é.  Ego e amor próprio não são caprichos de estrelas, são também o desejo de se superar, de dar o seu melhor. Sempre que entro em campo, digo para mim mesmo que sou o melhor”, explicou.

Ele sabe muito bem, no entanto, que a realidade pode ser diferente e que a conversa interna é sobretudo um combustível. Para ele, afinal, mesmo que estejam já mais próximos da aposentadoria do que de seus anos de auge, ninguém supera Cristiano Ronaldo e Messi.

“Não sou só eu que sabe isso (que Messi e Ronaldo são melhores), todos sabem. Se você disser para si mesmo que é melhor que eles, isso vai além de ego ou determinação, é falta de consciência. Estes jogadores são incomparáveis, quebraram todas as leis das estatísticas. Tiveram dez, 15 anos extraordinários”, exaltou.

“Você sempre se compara com os melhores no seu esporte, assim como o padeiro se compara com os melhores padeiros ao seu redor. Quem faz o melhor croissant, o melhor pain au chocolat? Eu vejo as partidas de outros grandes jogadores para ver o que eles estão fazendo. ‘Eu consigo fazer isso, mas será que aquele cara também?’ Acho que outros jogadores também me veem. Isso impulsiona os jogadores a aumentarem seu nível. Da mesma maneira que o Messi foi bom para o Ronaldo e o Ronaldo foi bom para o Messi.”

Agora, o mundo do futebol vê no francês e em Erling Haaland, do Borussia Dortmund, os herdeiros da disputa entre o português e o argentino. Perguntado sobre essa possível nova rivalidade, Mbappé é contido – e um pouco competitivo nas entrelinhas: “É o segundo ano dele, estamos começando a conhecê-lo. É o começo para ele, estou feliz por ele, por aquilo que está fazendo”.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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