Devagar e sempre, o Lyon de Rudi Garcia vai crescendo. A sequência de dez jogos de invencibilidade do OL teve um teste grande neste domingo: o PSG, no Parque dos Príncipes. À altura do desafio, os lyonnais bateram os parisienses por 1 a 0, graças a gol de Tino Kadewere, e, com uma atuação sólida em todos os setores, confirmaram seu bom momento na Ligue 1.

Marquinhos foi o principal desfalque do PSG, e Thomas Tuchel optou por começar com Kylian Mbappé no banco de reservas. Do lado do Lyon, Lucas Paquetá foi titular no meio de campo, com Bruno Guimarães iniciando entre os substitutos.

O Lyon vinha em um momento de crescimento, invicto há dez jogos na Ligue 1, a melhor sequência entre todas as equipes da campanha atual do Francês. Em campo, essa solidez se mostrava: a defesa bem postada dificultava as ações ofensivas do PSG, o meio de campo lyonnais parecia melhor posicionado que o parisiense, e os comandados de Rudi Garcia levavam perigo com constância quando iam ao ataque.

O Paris Saint-Germain tentava desbloquear a barreira defensiva lyonnaise com um esquema próximo de um 3-5-2 com a bola: Danilo Pereira descia para a zaga, Florenzi e Bakker davam profundidade como alas, Di María caía para uma posição mais central, e Neymar e Kean eram os homens mais avançados.

Aos cinco minutos, o Lyon quase teve sua primeira grande chance, mas o passe de Depay para Kadewere não foi dominado pelo atacante, que teria a área livre à sua frente para finalizar. O PSG respondeu aos sete minutos com Florenzi, que acertou um sem-pulo após cruzamento de Verratti e viu a bola passar paralela ao gol.

Mesmo sem o domínio da posse de bola, o Lyon foi superior no primeiro tempo. Quando possível, marcava com pressão a saída do PSG e criava lances importantes retomando a bola no campo de ataque. Aos 35 minutos, Paredes errou passe e entregou no pé de Toko-Ekambi, que partiu para cima da defesa e tocou na direita para Kadewere. O atacante arriscou de fora da área, mas mandou por cima do gol.

O lance anterior havia sido um ensaio. Logo a seguir, os lyonnais pressionaram a saída de Kimpembe, que errou o toque para Paredes. Toko-Ekambi tomou a bola, passou novamente para Kadewere, que desta vez bateu rasteiro para vencer Navas e abrir o placar.

O principal problema do PSG no primeiro tempo se arrastou para o segundo tempo: mesmo com a posse de bola, o campeão francês era muito estático, não acelerava a bola suficientemente no terço final e facilitava a marcação da equipe de Rudi Garcia. Tentando mudar isso, Tuchel promoveu uma mudança tripla aos 20 minutos do segundo tempo: Mbappé, Ander Herrera e Idrissa Gueye entraram nos lugares de Di María, Verratti e Paredes.

Mbappé, em especial, ofereceu ao PSG o produto final que vinha faltando até então. Aos 26 minutos, fez bonita jogada pela direita, tirando Cornet para dançar, e cruzou rasteiro para Neymar, mas o brasileiro não conseguiu a finalização, sendo desarmado antes. Aos 47 minutos, o camisa 10 tocou para Mbappé, que bateu colocado da entrada da área e viu a bola passar a centímetros da trave direita, para fora.

Rudi Garcia, buscando segurar o resultado positivo, reforçou a defesa com a entrada de Diomande no lugar do atacante Kadewere, colocando ainda Bruno Guimarães e Moussa Dembélé e sacando Aouar e Depay. Já aos 43 minutos, Paquetá deu lugar a Caqueret. Com alguns dos nomes que haviam entrado na segunda etapa, o Lyon chegou a assustar o PSG no fim. Aos 46, em contra-ataque puxado por lançamento de Caqueret, Dembélé recebeu pela direita, tocou para Toko-Ekambi, que passou para Bruno Guimarães. Livre, o brasileiro deu azar na hora do chute, com seu pé de apoio escorregando, e parou em defesa de Keylor Navas.

A história do jogo já parecia concluída, mas uma cena triste ficou reservada para os minutos finais. Aos 51 do segundo tempo, Thiago Mendes foi desarmar Neymar, acertou uma tesoura na perna esquerda do conterrâneo e provocou, aparentemente, uma lesão grave no camisa 10 do PSG. Enquanto era atendido, Neymar chorava copiosamente no gramado. Inicialmente, o árbitro havia dado cartão amarelo para Mendes, mas voltou atrás após checar o lance na tela do VAR e expulsou o brasileiro do OL.

O saldo do jogo já era bastante negativo ao PSG, que via o Lyon se juntar ao Lille e ultrapassá-lo na tabela da Ligue 1. A lesão possivelmente grave de Neymar transforma a noite em uma jornada de pesadelo. Por sua reação ao lance, o craque agora corre o risco de desfalcar o clube por um longo tempo.

O Lyon, por sua vez, estendeu sua sequência de invencibilidade na Ligue 1 para 11 partidas, chegou a 29 pontos e ocupa agora a segunda colocação com a mesma pontuação que o líder Lille, ambos com um ponto a mais que o PSG. Em um dado revelador sobre o tamanho desta vitória, o Lyon não vencia os parisienses fora de casa pelo Campeonato Francês desde 2007, quando Juninho Pernambucano ainda jogava pelo OL.

A Ligue 1 tem agora um raro início de grande equilíbrio entre as equipes das primeiras colocações. Além do trio que ocupa o pódio atual, o Olympique de Marseille segue de perto o pelotão, com 27 pontos e dois jogos a menos, podendo assumir a liderança com quatro pontos de vantagem em caso de vitórias nas partidas que lhe restam para igualar os concorrentes. O 5º colocado, Montpellier, também está próximo, com 26 pontos, a três dos líderes atuais.

Classements proposés par SofaScore LiveScore