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Liberado para tirar férias, PSG bate ponto para conquistar o seu 11º título francês

Campeonato rendeu ao clube parisiense o status de maior campeão nacional

Se o seu time alcançasse a façanha de ser o maior campeão do país, você celebraria loucamente, se emocionaria ou pelo menos esboçaria um sorriso no apito final? A resposta seria sim para a maioria esmagadora dos torcedores ao redor do mundo.

Mas em nenhum outro lugar se comemora tão pouco uma conquista quanto no Paris Saint-Germain, que melancolicamente se transformou neste sábado (27) no maior campeão francês da história, com 11 títulos. O contexto não ajuda, o cenário da partida também não, já que a conquista se deu em um modorrento 1 a 1 contra o Strasbourg, fora de casa.

Há meses que o Paris Saint-Germain vive esperando o momento de finalmente meter o pé da rotina para tirar férias. Polêmicas envolvendo Lionel Messi, rusgas entre diretoria e Kylian Mbappé por direitos de imagem e agora até mesmo a possível saída de Neymar tumultuaram o ambiente de um clube que foi turbinado para vencer. Como o objetivo e a obsessão do PSG atendem pelo nome de Liga dos Campeões, qualquer outra coisa que seja diferente disso é recebida sem grande cerimônia. Não deveria ser dessa maneira.

Isso ajuda a explicar a postura preguiçosa e desinteressada dos atletas nas últimas semanas. E até surpreendente se levarmos em conta que, com a vantagem segura para os demais concorrentes, o título só tenha sido confirmado na penúltima rodada. O Lens, que terá feito uma campanha irretocável com mais de 80 pontos, ficou com o vice-campeonato e jogando muito além de suas pretensões e limites técnicos. Alguém que não sabe o que é vencer o campeonato local desde 1998 teve de se contentar com o vice para uma potência que resolve todos os seus problemas com dinheiro, jamais com inteligência ou planejamento.

O PSG visitou o Strasbourg como se estivesse indo a um cartório registrar firma em um documento. O empate em 1 a 1 teve gol e recorde de Lionel Messi, mas nada que valha nota, efetivamente. Curiosamente, a partida tinha impacto muito maior para os locais, que precisavam pontuar para se manter na elite, em uma temporada que rebaixará mais equipes do que o habitual para a reformulação da Ligue 1 a partir de 2023-24. Graças ao gol de Kevin Gameiro, na etapa final, o Strasbourg abriu margem segura para o Nantes, primeiro na zona de rebaixamento, e não pode mais ser alcançado.

Messi e PSG: qual foi o saldo?

Messi? Falemos de Messi, que está de malas prontas para picar a mula de Paris com a família. Com o gol de hoje, o argentino deixou uma marca positiva em sua passagem esquecível de duas temporadas pelo PSG, chegando à marca de 496 tentos nas principais ligas europeias. Ninguém fez mais gols do que ele somando os campeonatos de Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha. O antigo líder dessa estatística era Cristiano Ronaldo (495), que deixou a disputa ao assinar com o Al-Nassr, no fim de 2022. Naturalmente, como se sabe, Lionel atuou apenas na França e Espanha, até o momento. O dia de hoje também conferiu a Messi o título de número 43 em sua carreira, englobando clubes e seleção da Argentina.

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Maior campeão da França: nada mais que a obrigação?

O PSG ultrapassou o Saint-Etienne em títulos nacionais. Hoje na segunda divisão, os Verts sabiam que esse dia chegaria. E não é que demorou mais do que eles pensavam? Para se ter uma ideia da dominância do projeto do Catar, os parisienses tinham apenas dois títulos franceses antes da chegada da turma de Nasser Al-Khelaifi, conquistados em 1986 e 1994. Em pouco mais de 12 anos, essa diferença para os demais, incluindo o rival Marseille, foi pulverizada.

Esta versão do PSG é talvez a que mais suscita mudanças na montagem do elenco. Desequilibrado, o time de Christophe Galtier sofreu por desfalques na zaga na reta final da temporada, pagando caro com a eliminação diante do Bayern de Munique na Liga dos Campeões, além de partidas sofríveis na Ligue 1. Depois da lesão de Neymar, em fevereiro de 2023, Mbappé e Messi tentaram manter o bom nível, embora ficasse visível a pouca vontade da dupla em entregar algo acima da média. Com isso em mente, é mais fácil de explicar os meses de partidas tediosas até o título, tornando a tarefa de ver esse elenco milionário em campo em algo quase burocrático.

Todo esse drama e caos para somar 27 vitórias em 37 rodadas. Não é pouco. Contudo, é certamente menos do que o plantel pode produzir. Não dá para esperar uma chuva de placares magros com tantos recursos à disposição. E o PSG certamente terminará a campanha tendo perdido mais do que o Lens, vice-líder, que acabou deixando o campeonato escapar (parece um sacrilégio dizer esse tipo de coisa) por conta dos nove empates acumulados. A situação nos faz refletir um bocado: será que é mesmo interessante para a Ligue 1 ter um time acomodado no topo e ganhando com alguma folga, ano após ano, apenas utilizando a força de seu elenco como argumento, não necessariamente um desempenho desportivo louvável?

O Lens chega para mais uma disputa da Liga dos Campeões comemorando bastante seu feito. Em uma liga equilibrada de fato, talvez os 80+ pontos serviriam para chegar ao título. Mas sabemos que mesmo sem ter qualquer desejo em vencer a competição, o PSG sobrará como amplo favorito por ter jogadores que os seus adversários jamais poderão pagar em condições normais. Ponto batido e título conquistado para o PSG, que tratou a Ligue 1 como uma sexta-feira às 16h50 durante toda a temporada e ainda assim saiu campeão.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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