Ligue 1

Julien Stéphan mudou o patamar do Rennes e, por achar que não era mais o treinador ideal, pediu demissão

O Rennes iniciou a temporada com sede de história. Os rubro-negros disputariam a Champions League pela primeira vez, enquanto permaneceram na briga pela liderança da Ligue 1 até meados de outubro. Desde então, o time sofreu uma queda vertiginosa no campeonato nacional e protagonizou uma campanha tímida no torneio continental. Os resultados degringolaram e custaram, nesta semana, a saída do treinador Julien Stéphan. Por avaliar que seu trabalho não era mais suficiente, o próprio técnico pediu demissão. O comandante passou nove anos no clube, os últimos três à frente da equipe principal, e ainda deixou um legado positivo no Roazhon Park.

Nascido na cidade e antigo comandante do time B, Stéphan assumiu o Rennes em dezembro de 2018, quando o clube vagava pela metade inferior da Ligue 1. Logo em sua primeira temporada, gerou grande impacto. Os rubro-negros quase derrubaram o Arsenal nas oitavas de final da Liga Europa e ainda conquistaram a Copa da França em cima do Paris Saint-Germain. O trabalho também foi positivo em 2019/20, a primeira temporada completa. O Rennes caiu na fase de grupos da Liga Europa, mas chegou às semifinais da Copa da França e, quando a Ligue 1 acabou interrompida, ocupava a terceira colocação. Assim, se assegurou na Champions pela primeira vez.

O problema de Stéphan seria a continuidade de seu trabalho em 2020/21. O Rennes perdeu cinco de seus seis jogos na Champions, sequer conseguindo beliscar a vaga na Liga Europa. Já na Ligue 1, os rubro-negros oscilaram demais. Começaram almejando as primeiras colocações, mas caíram em novembro. Uma boa sequência em dezembro recolocou o time na quinta colocação, mas o início de 2021 voltou a ser ruim. O clube não vence há seis rodadas, com quatro derrotas no período, e despencou à nona colocação. Também foi eliminado pelo Angers na Copa da França. Assim, Stéphan preferiu deixar a cena e pediu demissão nesta segunda, em postura aceita pela diretoria.

“A análise da situação depois da derrota contra o Nice me levou a apresentar minha demissão à diretoria. Deixo o Rennes com o coração pesado, mas com a sensação de sempre ter dado meu melhor para o bem do clube. Esta decisão, difícil de tomar, foi profundamente pensada. Sinto que fiz tudo o que podia, nas últimas semanas, para tirar o time da espiral negativa. Espero de coração que, com outra abordagem e outro método, os jogadores alcancem os resultados mais adequados ao seu talento”, declarou Stéphan, em carta publicada pelo L’Equipe.

Já o presidente Nicolas Holveck afirmou que, se dependesse dele, o treinador seguiria no cargo apesar da sequência recente: “Julien confirmou que não se sentia mais capaz de dar a força necessária para o time. Ele sempre disse que colocaria a instituição acima de tudo e que não queria botá-la em perigo. Vocês conhecem a força de seu caráter. Fazer mudá-lo de opinião é impossível e eu não esperava conseguir isso. É a decisão dele, foi cuidadosamente pensada e ele está convencido que não é o homem que o Rennes mais precisa neste momento. Não concordo com a análise dele, mas respeito a decisão”.

Aos 40 anos, Julien Stéphan segue com um bom mercado na França. Até chegar ao Rennes, o treinador havia trabalhado apenas por categorias de base e deu um salto tremendo no Roazhon Park. Além disso, marcou seu nome na história do clube, faturando a Copa da França após 48 anos e registrando a melhor campanha dos rubro-negros na história da Ligue 1. De qualquer maneira, o momento não favorecia. Depois de perder jogadores importantes, como Edouard Mendy e Raphinha, o Rennes não manteve o nível de desempenho – mesmo garantindo reforços interessantes no início da temporada. Nem todos os novatos se adaptaram, assim como alguns dos destaques caíram de nível.

O Rennes será treinado pelo interino Philippe Bizeul nesta quarta, numa dura visita ao Lyon. Bruno Génésio, antigo comandante dos Gones, é exatamente o favorito para assumir o cargo, após deixar o Beijing Guoan. Com 38 pontos, o Rennes está a três pontos da zona de classificação à Liga Europa, mas já aparece 18 pontos distante do G-3. No fim das contas, Julien Stéphan se tornou vítima de um patamar que ele mesmo forjou no Roazhon Park.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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