Ligue 1

Harit tenta recuperar a reputação no Olympique e engrossa o mercado movimentado em Marselha

Harit não ficaria no Schalke para a disputa da segunda divisão e é um reforço de última hora do Olympique

O mercado do Olympique de Marseille não se compara ao do Paris Saint-Germain, mas ainda assim está entre os melhores da Europa nesta temporada. Para um clube que não disputará a Champions League, os marselheses se movimentaram bastante – até para saciar a inesgotável exigência de Jorge Sampaoli por novos jogadores em seu elenco. E a última peça confirmada pelos celestes também garante um pouco mais de qualidade ao setor ofensivo. Nesta quinta, o clube anunciou o empréstimo de Amine Harit, num negócio só oficializado depois do fechamento da janela. O meia que deu ótimas demonstrações de sua habilidade no Schalke 04, apesar do desastre vivido com o clube na última temporada.

Parecia evidente que Harit não permaneceria nesta temporada com o Schalke 04. O meia teve problemas disciplinares no clube em outros momentos e sequer entrou em campo pela segunda divisão. Além disso, a diretoria alemã queria enxugar sua folha de pagamentos, enquanto ainda vislumbra uma venda na próxima temporada com a valorização do marroquino. E o retorno para a França parece muito bem-vindo ao jogador. Embora defenda a seleção de Marrocos, Harit nasceu nos subúrbios de Paris e iniciou sua carreira no país. O armador cresceu na base do Nantes e fez uma temporada pela equipe principal na Ligue 1, antes de ser contratado pelo Schalke em 2017/18.

Ao longo de sua passagem por Gelsenkirchen, Harit deu provas irrefutáveis de seu talento. O meia brilhou em momentos importantes do Schalke, emplacando logo de cara na campanha do vice em 2017/18 e depois retomando o protagonismo sob as ordens de David Wagner. Porém, assim como o restante da equipe nestes últimos quatro anos, Harit alternou muito. A irregularidade geral também correspondia um pouco à inconstância de um de seus maiores talentos. Quando a coisa degringolou na temporada passada, com o inescapável rebaixamento, o marroquino foi um dos mais cobrados.

A mudança para o Vélodrome representa uma importante renovação de ares para Harit. Habilidade e poder de decisão não são problemas para o meia, mas ele ainda precisa ir além dos lampejos. Aos 24 anos, segue com margem de progressão e deverá ser muito mais cobrado por Sampaoli, sobretudo nos aspectos táticos. Se estiver mesmo disposto a crescer, esta pode ser a grande oportunidade de redefinir sua carreira. Além do mais, há toda a ambientação na França, sobretudo numa região de marcante presença da comunidade árabe.

A transferência para o Olympique de Marseille pode ser importante até mesmo para a carreira de Harit na seleção. O meia defendeu as equipes de base da França, mas optou por Marrocos às vésperas da Copa de 2018 e se tornou uma boa revelação na campanha dos Leões do Atlas na Rússia. Porém, Harit não ganhou a sequência que se aguardava na seleção e não disputou a Copa Africana de Nações em 2019. Precisa de mais destaque para reaparecer no torneio em 2022 e, quem sabe, disputar sua segunda Copa do Mundo caso o país se classifique.

Pela maneira como o Olympique de Marseille tem atuado e também pela presença de Dimitri Payet no elenco, Harit deve ser usado mais como um ponta do que como um meia central. Com isso, a tendência é que concorra por um lugar na ponta esquerda com o garoto Konrad de la Fuente – trazido da base do Barcelona, mas já destaque nesse início de temporada. Ainda assim, a capacidade do marroquino em se tornar uma referência técnica no ataque marselhês é evidente, caso cumpra mesmo as expectativas ao redor de seu futebol.

Com isso, o Olympique deve encerrar o ciclo de contratações. O clube trouxe 11 jogadores para seu elenco principal nesta janela. Arkadiusz Milik, Leonardo Balerdi e Pol Lirola já estavam por lá, mas foram contratados em definitivo. Os celestes compraram Gerson, Luan Peres e De la Fuente. Também asseguraram os empréstimos de Pau López, Cengiz Ünder, William Saliba e Mattéo Guendouzi, além do próprio Harit. Ainda não é time para perseguir o PSG em busca do título. Em compensação, representa uma melhora em relação à temporada passada e deve ser suficiente para manter os marselheses no páreo pela Champions.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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