Ligue 1

Desinteressado e desencontrado, o PSG acabou implodido por um Monaco bem mais ligado

O Monaco fez um primeiro tempo claramente superior e, no segundo tempo, aumentou a contagem nos contra-ataques

O Paris Saint-Germain vive um cenário de terra arrasada. O título da Ligue 1 está encaminhado, mas a eliminação na Champions League segue indigesta e parece fazer efeito sobre a própria motivação do time. Neste domingo, os parisienses fizeram uma atuação modorrenta e estavam em uma rotação muito mais baixa que o Monaco, adversário no Estádio Louis II. Os alvirrubros, então, aproveitaram para roubar três pontos dos líderes. Os monegascos fizeram um ótimo primeiro tempo no principado e, mesmo recuando na segunda etapa, tiveram a brecha para ampliar nos contragolpes. O placar de 3 a 0 é condizente à superioridade dos anfitriões sobre um PSG desencontrado e desinteressado. Enquanto Lionel Messi foi ausência dessa vez por estar gripado, Neymar e Kylian Mbappé produziram pouquíssimo para evitar o revés.

Os primeiros minutos logo apresentaram dois times em realidades distintas. O Monaco estava muito mais interessado no jogo e explorava a desatenta defesa do PSG. Os alvirrubros aproveitavam muito bem as jogadas pela esquerda, onde Caio Henrique aparecia. Faltava apenas acertar um pouco mais o pé nas finalizações. Gianluigi Donnarumma fazia defesas seguras, enquanto Jean Lucas desperdiçou grande chance de frente para o gol aos nove minutos. Apesar disso, os parisienses não davam qualquer sinal de reação.

O merecido gol do Monaco saiu aos 25 minutos. Youssouf Fofana fez a jogada pela direita e cruzou baixo. Wissam Ben Yedder se antecipou à marcação e bateu com estilo, com a parte de fora do pé, num belo lance. Só então o PSG despertaria ligeiramente, mas sem tanta contundência. O goleiro Alexander Nübel fez boa defesa em falta cobrada por Neymar, antes de quase fazer um gol contra ao errar o domínio. Depois, se redimiu numa batida rasteira de Achraf Hakimi. Mas não que o Monaco ficasse entregue à própria sorte. Fofana exigiu mais uma boa defesa de Donnarumma, em batida no canto inferior. Foram 11 finalizações dos monegascos na primeira etapa, contra apenas seis dos parisienses.

O PSG voltou com mais energia para o segundo tempo. A equipe dominava o jogo no campo ofensivo e era mais direta em suas ações. A primeira grande chance, aos seis minutos, teve Kylian Mbappé tentando driblar Nübel, mas o goleiro abafou o chute. A partida também ficava mais pegada, com Neymar dando sinais de irritação. O problema é que, com o passar dos minutos, os parisienses voltaram a se acomodar. E o Monaco, que não vinha se apresentando tão bem na segunda metade, precisou de um contra-ataque para ampliar. O segundo gol surgiu aos 23 minutos, numa bola alongada para Ben Yedder na direita. O atacante rolou para o meio da área, onde Rúben Aguilar ajeitou e Kevin Volland definiu.

Mauricio Pochettino só fez as primeiras mudanças depois disso, com as entradas de Mauro Icardi e Idrissa Gana Gueye. Hakimi teria a chance de resposta, aos 28, mas de novo parou em Nübel. Já a saída do apagado Neymar aconteceu aos 31, com Julian Draxler no lugar. Nada que fizesse efeito. Icardi até seria parado por Nübel no mano a mano, mas o Monaco passou a encaixar os contragolpes. Numa dessas, os alvirrubros ganharam um pênalti de Presnel Kimpembe sobre Volland. Ben Yedder cobrou e Donnarumma até defendeu, mas a bola espirrou para dentro e garantiu o terceiro tento aos 39. O atacante saiu bastante aplaudido na sequência. Na reta final, os parisienses não teriam ânimo nem para o gol de honra.

O PSG permanece com 65 pontos, na liderança da Ligue 1. Ainda é uma situação bastante confortável, com 15 pontos de vantagem no momento. Já o Monaco tenta se aproximar da briga pelas copas europeias. Os alvirrubros ocupam agora a sétima posição, com 44 pontos, na perseguição por Liga Europa e Conference. Ben Yedder ainda se isolou na artilharia do campeonato, com 17 gols, dois a mais que Mbappé.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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