Ligue 1

Depay anuncia fim de etapa importante no Lyon: “Quero jogar no maior clube e maior campeonato possíveis”

Depois de quatro anos e meio, atacante deixa o clube ao fim de seu contrato e carrega consigo boa relação com presidente, torcida e recordações de um período de crescimento

O Lyon até que tentou manter o seu grande destaque Memphis Depay, mas o ciclo do neerlandês no clube francês chegou ao fim. Fim este esperado, lamentado, mas resignado por parte dos torcedores, que entendem as ambições do jogador e sentem apenas gratidão pelos quatro anos e meio dedicados pelo atacante ao clube. Agora, na mira do Barcelona e de outros grandes clubes, Depay tem apenas um desejo: mostrar o mesmo futebol de alto nível que apresentou no OL em um dos maiores clubes o mundo, “no maior campeonato possível”.

À ocasião de sua despedida dos Gones, que acontece neste fim de semana, contra o Nice, na rodada final da Ligue 1, Depay se sentou para uma conversa com o L’Équipe em que falou sobre a importante etapa que passou no Lyon, a evolução que experimentou no futebol francês e os próximos passos que deseja dar em sua carreira.

Depois de um início promissor de carreira no PSV Eindhoven, Depay se transferiu ao Manchester United em 2015 cercado de expectativas. Por questões que iam do momento instável do clube à sua própria imaturidade, como já admitiu em entrevistas anteriores, o atacante não teve o sucesso esperado e, em janeiro de 2017, deu um passo atrás para dar vários à frente ao se juntar ao Lyon. No clube francês, reencontrou a alegria de jogar e cresceu como atleta e ser humano.

“Eu tinha apenas 23 anos quando cheguei. Mudei, cresci. Aqui, me tornei um homem. Quando olho para trás, é bonito de ver. Construí recordações para sempre, amizades também. Esta foi minha casa, e é estranho pensar que (o duelo com o Nice) será meu último jogo aqui. Fico triste de partir em um estádio vazio, sem os torcedores, mas minha família e meus amigos estarão comigo neste momento especial. Passei momentos magníficos aqui, joguei na Liga dos Campeões, me tornei capitão, um jogador melhor, mais completo. Então, sim, será emocionante para mim, no domingo, mas também não me esqueço que precisamos vencer”, disse ao L’Équipe, em referência à luta pela classificação à Champions League da próxima temporada, que será definida na rodada final.

Aos 27 anos, Depay está naquele momento da carreira de um jogador em que, normalmente, ele atingiu seu ápice físico, técnico e mental e está pronto para entregar seu melhor produto em campo. Neste sentido, considera que tomou a escolha certa ao ir para o Lyon de forma que pudesse ter mais minutos em campo e chegar a este estágio de sua trajetória como alguém pronto.

“Cheguei como um jovem jogador talentoso, vou partir como um jogador maduro, que assumiu responsabilidades. Quatro anos e meio, nesta idade, é um caminho longo. É um período crucial em uma carreira, é neste período que nos construímos. Aos 27 anos, tenho a idade para ser o homem que queria ser. Posso partir com vários bons sentimentos: dei meu máximo e, em troca, o clube me fez novamente feliz por ser jogador de futebol. Amei tudo, o clube, o estádio, os torcedores.”

Grato ao presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, Depay lamentou que não tenha conseguido corresponder à confiança e ao bom relacionamento com títulos, citando em especial a derrota nos pênaltis para o PSG na Copa da Liga Francesa da temporada passada como um episódio doloroso.

“Quando olho para trás, hoje, o que me falta é um troféu. É muito difícil dizer para mim mesmo que não ganhei nada no Lyon. A final da Copa da Liga Francesa que perdemos para o PSG (nos pênaltis, após empate sem gols), em julho do ano passado, ainda me machuca. Mas a semifinal da Champions League, com jogadores formados no clube, foi grande também. Só tenho sentimentos positivos aqui, desde o primeiro dia em que fui apresentado no estádio, onde senti uma conexão com o presidente. Adoraria ter podido lhe oferecer mais. Ele teve muitos anos de glória no passado e entrega seu coração e espírito a serviço do clube.”

Recentemente, Depay se desligou de seu empresário e está ele próprio se representando nas negociações. Seu objetivo era tirar da jogada um intermediário e acelerar o processo – estando cercado, é claro, de advogados especializados para garantir que esteja fazendo bons acordos. Livre para assinar com qualquer clube, o jogador prevê que a negociação não será muito difícil. Trata-se apenas de ouvir todas as propostas e escolher a melhor.

“Hoje, estou livre, então a negociação não deve ser muito difícil, minha mãe poderia fazê-la! Quero mostrar minhas qualidades no maior clube possível, no maior campeonato possível. Estou pronto para dar um passo à frente”, afirmou.

O atacante esteve perto de se transferir ao Barcelona no passado, e o interesse do clube ainda existe. No entanto, a transferência está incerta devido à situação de Ronald Koeman, técnico do Barça e maior interessado em seu futebol no clube catalão. Depay afirma que há outros clubes na jogada e, questionado sobre a influência da instabilidade de Koeman no cargo, deixou claro que a pergunta deveria ser feita aos blaugranas.

O destino específico pode não estar decidido, mas Depay visa os grandes clubes e os grandes campeonatos. Seu desafio pessoal é repetir o sucesso do Lyon em uma instituição mais forte, em que seus feitos possam ser mais notados do que foram no clube francês.

“Se eu tivesse as mesmas estatísticas no PSG que as que tenho no Lyon (20 gols e dez assistências na temporada atual da Ligue 1), todo mundo saberia disso na Europa. O mesmo se eu as tivesse tido em Manchester. Então, preciso provar nos três ou quatro maiores clubes europeus que posso fazer neles a mesma coisa que fiz aqui, é este o meu objetivo. Quero ir para um dos dois ou três melhores clubes dos cinco grandes campeonatos. Onde será, ainda não sei, não está claro, mas é o meu objetivo.”

Depay deixa o Lyon com números impressionantes. Em 177 jogos disputados, teve participação direta em 129 gols, com 76 marcados e 53 assistências. No período, se estabeleceu como um dos destaques da Ligue 1, ficando atrás apenas de Neymar e Mbappé como uma das principais estrelas da competição.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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