Ligue 1

Com lágrimas no rosto e sinalizador na mão, Di María se despediu como um gigante do PSG

Di María teve uma despedida emocionante do PSG, com gol e assistência, além de muitos aplausos

Ángel Di María não precisou ser a estrela principal de seus times para ganhar o rótulo de craque. Bastava olhar para a qualidade do Fideo, tantas vezes decisivo. Ele desequilibrou final de Champions pelo Real Madrid e foi brilhante nas melhores lembranças da seleção argentina nos últimos 15 anos. E quando o ponta não cumpriu as expectativas na Premier League, a transferência para o Paris Saint-Germain o ajudou a recuperar seu melhor. Há muita discussão sobre as ambições que não se cumprem entre os parisienses, mas não por culpa de Di María. O camisa 11 entregou muito ao clube e deixa o Parc des Princes depois de sete anos como um personagem bastante querido pela torcida.

A saída de Di María acabou confirmada nesta sexta. Assim, o duelo contra o Metz no Parc des Princes, neste sábado, marcaria sua despedida. Os holofotes todos na goleada por 5 a 0 foram para Kylian Mbappé, seja pela renovação de contrato ou pela tripleta. Porém, como tantas vezes na carreira, Fideo mereceu o prêmio de “melhor ator coadjuvante”. O primeiro gol de Mbappé saiu com uma assistência belíssima de Di María, uma de suas especialidades. Caberia a ele também a marcar o último gol da noite, num rebote depois que Lionel Messi carimbou a trave.

Di María se emociona (ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP via Getty Images/One Football)

Durante a comemoração do gol, Di María já parecia comovido. Foi muito festejado pelos companheiros e teve seu nome gritado nas arquibancadas. Mas nada se compara ao que aconteceu pouco depois, quando foi substituído e deixou o Parc des Princes pela última vez. Os demais jogadores do PSG fizeram uma guarda de honra, enquanto os torcedores o aplaudiram de pé. Era difícil mesmo de conter as lágrimas, e o ponta se desmanchou. O carinho imenso se repetiu depois da partida, em mais uma homenagem, ao lado da família. Recebeu o troféu da Ligue 1 e também um prêmio especial do clube. Como se não bastasse, antes de deixar o estádio, o argentino foi até a rampa do Parc des Princes. Sem camisa e com sinalizador na mão, puxou os cânticos dos ultras feito um verdadeiro torcedor.

Aos 34 anos, Di María ainda tem qualidade para jogar em times de peso. Tanto é que seu destino mais provável nesse momento é a Juventus. Seu papel na seleção argentina, como se viu na Copa América, também fala por si. E o PSG sabe que teve um jogador especial nesses sete anos. O craque somou 93 gols e 111 assistências em 295 partidas, com 13 títulos conquistados, sendo cinco da Ligue 1. A falta da Champions, neste caso, não faz o Fideo menor em Paris – até porque essa lacuna ele preencheu antes em sua carreira. Os passes de mágica e a sutileza nos lances é que ficam para um jogador que nem precisa de tanta badalação para ser um dos grandes.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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