Ligue 1

Briga pela Ligue 1 afunila, e cada um dos três concorrentes tem razões para acreditar no título

Lille, PSG e Monaco deixam Lyon para trás e, com dois pontos separando primeiro do terceiro, prometem luta de tirar o fôlego na reta final

Graças ao seu apoio, as colunas das cinco grandes ligas da Europa estão de volta. Faça parte do nosso financiamento coletivo no Apoia.se.

A temporada europeia atípica, condicionada pela crise do Coronavírus e o fim de campanha passada tardio e repleto de jogos, traz disputas acirradas em diferentes campeonatos. Na Inglaterra, à exceção do líder Manchester City, a briga por vagas na Champions League tem sido boa e envolvido diversas equipes. Na Espanha, Real Madrid e Barcelona não se desprenderam do restante como costumam fazer e deverão brigar até o fim contra Atlético de Madrid e Sevilla. Na França, por fim, a Ligue 1, normalmente campeonato de um time só, o PSG, viu os parisienses bastante afetados pela participação na final da Champions League passada e o começo tardio na temporada atual, com uma preparação curta. Neste cenário, formou-se o caminho para a briga por título mais aberta em mais de uma década.

A quatro rodadas do fim, a corrida pela taça está tudo, menos definida. No fim de semana passado, o Lyon acabou derrotado pelo líder Lille em confronto espetacular e se distanciou da briga, a seis pontos do primeiro colocado. Com isso, os Dogues, ao lado de PSG e Monaco, parecem os concorrentes restantes ao topo de pódio. Com apenas dois pontos de diferença do primeiro ao terceiro, cada um deles tem boas razões para acreditar no título, cada qual à sua maneira.

A tabela da Ligue 1 a quatro rodadas do fim

Na rodada anterior, após um primeiro tempo ruim, falhas defensivas que não lhe são comuns e dois gols sofridos, o Lille viu sua candidatura ao título da Ligue 1 ameaçada ao sair perdendo por 2 a 0 para o Lyon. Numa demonstração de força e resiliência dignas de um campeão, foi buscar a virada liderado pelo veterano Burak Yilmaz.

Burak Yilmaz comemora gol pelo Lille (Imago / OneFootball)

O triunfo por 3 a 2, mais do que deixar um dos concorrentes para trás, foi uma representação da força do Lille nesta temporada. A equipe de Christophe Galtier não é a de melhor futebol no Campeonato Francês, mas passou, ao longo da campanha, a melhor imagem de unidade e entrega, de consistência e coletividade. Soube surfar os diferentes momentos do calendário, conseguindo colecionar pontos mesmo em más atuações e não se escondendo nos grandes duelos.

O time de Galtier é o que teve melhor desempenho nos confrontos diretos contra o restante do G4. De 18 pontos possíveis, conquistou 12, incluindo seis pontos em confrontos já nesta reta final, contra PSG e o da semana passada, contra o Lyon. Em um contraste importante, o Paris Saint-Germain conseguiu apenas quatro dos 18 pontos que disputou contra Lille, Monaco e Lyon.

Nesta reta final, o Lille conta com uma agenda de jogos “abordável”, por assim dizer. Tem pela frente Nice, Lens, Saint-Étienne e Angers. O mais difícil desses confrontos deve ser contra o Lens, recém-promovido que faz grande campanha na elite, atualmente na quinta colocação. No entanto, o Lens será o denominador comum de todos os concorrentes ao título nestas últimas jornadas, enfrentando também PSG e Monaco.

Por sua vez, o Paris Saint-Germain pode não estar tão emocionalmente envolvido nesta corrida pelo título francês como estaria se não estivesse entre os quatro restantes da Champions League. Boa parte da energia dos parisienses se concentra no torneio continental e em como se recuperar da derrota por 2 a 1 para o Manchester City na ida, no Parque dos Príncipes. Ainda assim, a força para buscar este feito pode muito bem sair de sua disputa local.

Mbappé e Neymar comemoram (FRANCK FIFE/AFP via Getty Images/OneFootball)

Se enxergar a Ligue 1 como um combustível adicional para enfrentar o desafio europeu, o PSG tem a seu favor a disparidade de nível em relação a seus adversários como motivo para acreditar na manutenção da taça na capital. Com Lens, Rennes, Reims e Brest pela frente, os parisienses são favoritos em todos os confrontos, restando como grande desafio a sua capacidade de se concentrar e se entregar nestes duelos enquanto algo muito maior está em jogo a nível continental.

O Monaco, por fim, é o time mais embalado entre os três e cujo crescimento ao longo da temporada é o mais claro. Sob o comando do técnico Niko Kovac, os monegascos foram pouco a pouco fazendo os ajustes necessários. Mantiveram o poderio ofensivo ao longo da campanha e, nas últimas semanas, corrigiram seu grande problema defensivo que colocava os pontos a perder na primeira metade da liga.

De defesa bastante vazada no primeiro turno, com 27 gols sofridos em 19 jogos, o Monaco foi encontrando solidez ao longo do campeonato até chegar ao momento atual, em que não sofre gols há seis jogos, com apenas um tento concedido se estendermos o período de observação para nove partidas. Tudo isso enquanto manteve seu ataque dinâmico e repleto de qualidade. A equipe de Niko Kovac tem a melhor série recente da liga, com cinco vitórias em cinco jogos, e marcou 15 gols neste período.

Sidibé, Ben Yedder, Volland e Golovin, do Monaco
Sidibé, Ben Yedder, Volland e Golovin, do Monaco (Anthony Bibard/Imago/OneFootball)

Por outro lado, para equilibrar ainda mais as coisas, o Monaco é também o candidato a título com a reta final de campeonato mais complicada. Enfrenta na próxima rodada o Lyon, que ainda briga ao menos por uma vaga na Champions League, encara o Reims e encerra o torneio contra os duros adversários Rennes e Lens.

Lyon briga por lugar na Champions League

A menos que uma sequência de resultados improváveis nas rodadas finais mude a história, o Lyon está fora da briga pelo título depois de abrir 2 a 0 em casa e levar a virada para o Lille na rodada passada, distanciando-se do pelotão de frente. Da mesma maneira que o resultado foi uma boa expressão do rosto dos Dogues, o jogo de momentos distintos dos lyonnais também representou adequadamente o desempenho da equipe no ano, capaz de grandes e péssimos momentos – por vezes na mesma partida, mais de uma vez.

O time de Rudi Garcia, no entanto, precisa absorver o golpe rápido e reagir, já que, após ficar de fora de competições europeias nesta temporada pela primeira vez desde 1996/97, devido ao sétimo lugar na campanha passada, é fundamental conseguir levantar o máximo de fundos possível em meio a um momento de crise financeira e de tanta incerteza geradas pela ausência de torcida nos estádios e pela quebra do contrato de direitos de transmissão da Mediapro com a Ligue 1 logo no primeiro ano do acordo.

Pela frente, além do Monaco neste fim de semana, o Lyon enfrenta Lorient, Nîmes, que lutam pela permanência na primeira divisão, e Nice, que, no meio da tabela, não tem nada por que brigar. É uma reta final que pode reservar grandes emoções devido ao que está em jogo e também à capacidade dos lyonnais de se complicarem.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo