Ligue 1

Blanc: “Varane é muito melhor do que fui, fico honrado em ser comparado com ele”

Laurent Blanc construiu uma carreira sólida em seus tempos de jogador. O zagueiro atuou em grandes clubes da Europa, mesmo sem emplacar em todos. Mais importante ainda foi o brilho que teve com a seleção francesa, um dos principais nomes na conquista da Copa de 1998. E acaba sendo bacana ver a reverência que o antigo ídolo tem pela atual geração. Sem bancar o saudosista, ele declarou ser fã de Raphaël Varane e colocou o atual defensor dos Bleus acima de si mesmo. Inclusive, apontou que votou no jogador do Real Madrid para a Bola de Ouro.

“Eu sou jurado da Bola de Ouro e voto em Varane. Ele ganhou a Champions e a Copa do Mundo. É melhor do que eu! E está muito à frente de mim. Ele tem sorte, mas acima de tudo o talento por evoluir em um dos grandes clubes do mundo por oito temporadas, com apenas 25 anos. Ele ganhou quatro Champions com o Real Madrid, tem mais de 50 jogos pela seleção. É quase inédito para um francês, ainda mais para um defensor. É uma honra para mim ser comparado a Varane”, declarou o veterano, ao L’Equipe.

Ainda sobre o Real Madrid, Blanc também falou sobre a passagem do antigo companheiro Zinedine Zidane pelo comando do clube: “Foi enorme o que Zizou fez. Quando vivemos essa profissão podemos entender. Depois disso, tem que ter a capacidade para fazê-lo. Não existem muitos treinadores que podem. Sempre tem coisas que te levam a seguir. Mas Zidane tinha todos os elementos na mão, como vimos mais tarde com o Real Madrid”.

O Paris Saint-Germain também foi assunto na entrevista. E o antigo treinador dos parisienses falou sobre as expectativas de uma grande campanha na Champions: “O PSG não percebeu a dimensão do alto nível europeu. É bom dizer que ficamos entre os oito primeiros em 2016, mas a competição também evolui. Há grandes clubes que estão à frente do PSG, em um nível mais alto há trinta, quarenta, cinquenta anos. E que também estão à frente do Paris em muitas áreas: a cultura do clube, a experiência, a influência. Estas são coisas que são construídas ao longo do tempo, que não se compra. A vitória não é programada. Esse é o encanto do futebol”.

Aliás, Blanc não poupou questionamentos nem mesmo a ex-comandados, ao falar sobre a estagnação de Marco Verratti e Adrien Rabiot nos últimos meses: “A evolução de Rabiot e Verratti não tem sido o que eu esperava. São dois jogadores que atuam no meio-campo e é lá que o PSG tem alguns limites, para não dizer problemas. Adrien tem tudo para fazer sucesso, mas alguma coisa não está clara. Por um instante, ele não tem mais o caminho que deveria seguir. Já Verratti não joga como há dois ou três anos”.

Por fim, o treinador falou sobre as perspectivas de sua carreira: “Eu não tinha planejado ficar tanto tempo sem clube, nada é previsível neste trabalho. Ficar três anos em um clube é algo raro atualmente. Hoje eu digo para mim mesmo que eu deveria ter assumido outro trabalho de imediato. Tinha propostas de belos times. Treinar é uma felicidade para mim. O PSG te causa impacto. Achei que um ou dois anos de descanso me dariam energia para enfrentar um grande desafio. Estou esperando um bom projeto, com um clube que tenha ambição”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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