França

Ligue 1: Leões em perigo

Mais uma vez o Sochaux parece inclinado a ficar na parte de baixo da tabela. Passadas seis rodadas da Ligue 1, os Leões se tornaram a única equipe que ainda não sentiu o gosto de vencer no campeonato. Até mesmo o Nantes, em grande instabilidade neste começo de temporada, pôde festejar um 2 a 0 contra o Valenciennes. Para o clube de Montbéliard, porém, nada pior do que figurar na lanterna, com apenas dois pontos ganhos e quatro derrotas, todas por 2 a 1. Ou seja, não foram resultados assim tão humilhantes, que suporiam uma desproporção gigantesca se comparado aos seus adversários.

Em 2006/07, o FCSM também viveu momentos ruins nas primeiras rodadas, mas depois melhorou um pouco com a chegada do treinador Francis Gillot. Agora, nem ele mesmo consegue tirar algum esforço extra de seus comandados. O exemplo fica em seu comentário após a derrota para o Toulouse fora de casa, na 6ª rodada. “Este jogo não inspirou vocês? A mim também não. Vou me deitar”. Um indício de que algo não vai lá tão bem assim no clube.

Em seus outros dois duelos fora de casa, contra Olympique de Marselha e Saint-Etienne, o Sochaux exibiu uma postura muito diferente da sua apresentação ruim contra o Toulouse. No Vélodrome, por exemplo, o goleiro Steve Mandanda teve bastante trabalho para impedir os Leões de obter um resultado melhor. Só que o futebol apresentado pela equipe regrediu, em vez de se aprimorar. Diante de um TFC pouco criativo, o FCSM só incomodou quando o cutucaram. Tal postura passiva apenas contribuiu para facilitar o trabalho dos Violetas, que passaram longe de uma atuação brilhante.

Se na temporada passada o Sochaux penou para escapar da zona do rebaixamento (terminou o primeiro turno em penúltimo), nesta o clube enfrenta dificuldades para suprir a saída de jogadores importantes. N’Daw, Dagano, Bréchet, Grax, Mathis, Sène, K.Traoré, Josse, Dramé… Todos podem não formar um elenco dos sonhos, mas contribuíam com sua experiência e um nível de jogo suficiente para não passar um vexame mastodôntico.

Na ausência destes atletas, a equipe falhou na hora de contratar reforços. Carlão, Faty e Francileudo não são exatamente garantia de melhoria de elenco. O próprio atacante tunisiano, esperança de dividir a função de marcar gols com Erding, vem de um período de decadência técnica e física. Confiar uma tarefa tão importante a alguém com o status de contratação de risco soa como uma irresponsabilidade ou mesmo falta de compreensão do mundo real.

Para complicar um pouco mais, os jovens lançados na equipe principal se mostraram muito ‘crus’. Dreyer, Nogueira, Butin, Martin, Tulasne, Boudebouz e Duplus até devem evoluir bastante, mas cobra-se deles uma responsabilidade muito maior do que a esperada para um momento assim. O capitão Stéphane Dalmat reconhece as falhas da equipe e promete mudanças, principalmente com uma conversa mais longa com os mais novatos. Uma atitude simples, mas de resultados úteis.

O primeiro e maior passo para o Sochaux conseguir sair dessa má fase será readquirir confiança. A Copa da Liga Francesa teve exatamente esta função para o clube. Eliminar o vice-líder Olympique de Marselha com uma vitória por 1 a 0 e se classificar para as oitavas-de-final do torneio certamente deixará o elenco motivado. Há ainda outros problemas a se resolver dentro de campo, mas Gillot ao menos terá um pouco de ânimo novo para pensar em melhorar a defesa da equipe e quebrar essa dependência quase exclusiva dos gols de Erding.

Plano frustrado

Já começou a perder a graça. O Lyon não parece disposto a dar tanta moleza assim aos seus concorrentes na temporada passada. Com a vitória fora de casa por 1 a 0 sobre o Le Havre e o empate sem gols entre Olympique de Marselha e Monaco, o líder OL abriu uma confortável distância de quatro pontos para os marselheses, em segundo. Nestas horas, os lioneses provam como faz a diferença ter um bom elenco à disposição para a disputa de dois torneios simultâneos.

Pela primeira vez na história, um duelo entre Olympique e Monaco na Ligue 1 terminou sem gols. Embora o OM tenha criado algumas chances, quem se sobressaiu foi o goleiro Stéphane Ruffier. Embora ele tenha trabalhado bem, o OM não foi exatamente um exemplo de eficiência. Os comandados de Eric Gerets sentiram o cansaço da partida contra o Liverpool, pela Liga dos Campeões, e exibiram suas limitações no Vélodrome.

A estratégia do OM diante de um rival que priorizaria o lado defensivo foi marcar sob pressão no campo do inimigo. O plano deu certo se analisado apenas o lado estatístico. No começo da partida, o Olympique ficou com a bola nos pés por 75% do tempo; só que este amplo domínio foi praticamente inútil. Nos 20 primeiros minutos, apenas Valbuena chutou a gol, e sem incomodar Ruffier.

Com um ASM perigoso no contra-ataque, Gerets fez de tudo para dar maior poder de finalização ao time. Trocou o 4-5-1 por um 4-4-2, sem sucesso; formou um trio ofensivo, mas Ruffier estava inspirado e a dupla de zaga Simic-Nkoulou ajudou a anular qualquer tentativa mais perigosa. Com um ataque ineficiente, a defesa marselhesa sofria com as rápidas investidas de Park e Nimani, em um sinal da fragilidade do setor – principalmente quando partiam para cima de Zubar.

Enquanto o Olympique tropeça em suas próprias limitações, o Lyon caminha com tranqüilidade para sacramentar sua condição de líder absoluto. O OL não fez uma grande partida contra o Le Havre, mas ao menos apresentou algo que os vice-líderes ainda demoram para encontrar: confiança. Não aquele sentimento de soberba, mas sim a tranqüilidade necessária para administrar o ritmo de jogo conforme seu desejo e uma dose de eficiência para dar o bote fatal no inimigo.

Contra o ‘novato’ na Ligue 1, o OL se fez valer de seu banco de reservas, após as desgastantes partidas contra Nice (Francês) e Fiorentina (LC). Claude Puel mandou a campo o mesmo 4-5-1 do duelo contra o time ‘viola’, com Piquionne como referência na área. Embora tenha sofrido o pênalti convertido por Éderson, o atacante ainda segue com o status de ‘um bom reserva’. A entrada de Benzema deu maior vida ao setor.

Na defesa, Cris apresentou uma boa evolução, sem cometer os mesmos erros pela sua lentidão. Govou quase colocou tudo a perder com sua expulsão, mas o Lyon soube se virar bem sem ele. Os líderes ainda contaram com os problemas ofensivos do Le Havre, que até fazia a bola circular com certa facilidade, mas na hora de concluir as jogadas sempre fazia alguma bobagem que comprometia toda a elaboração da jogada.

Abrir uma distância de quatro pontos logo no começo do campeonato dá uma excelente margem para o Lyon administrar. Levando-se em consideração a inconstância exibida pelo Olympique de Marselha e as dificuldades do Bordeaux em se acertar, a Ligue 1 já deve se preparar para outra disparada lionesa. Os planos de atrapalhar o octocampeonato parecem se desmanchar com apenas seis rodadas.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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