França

Ligue 1: A última batalha

Como em seus outros jogos nesta reta final de Ligue 1, o Lyon passou longe de ser brilhante. Contra um Nancy na briga para ficar com a última vaga para a Liga dos Campeões, ao menos o OL demonstrou alguma vontade de sair de campo com o triunfo. Uma vitória arrancada a fórceps, mais pelo erro do adversário do que por méritos próprios. Os lioneses mais uma vez se mostraram sem grandes qualidades como a intensa movimentação, um toque de bola rápido, objetividade e um ritmo de jogo capaz de acuar o adversário nas cordas.

Os hexacampeões devem agradecer demais à papagaiada de Bracigliano e André Luiz para ficar a um empate de mais uma taça. A falta cobrada por Juninho Pernambucano não oferecia qualquer perigo, mas o goleiro fez o favor de se atrapalhar com o zagueiro, que mandou a bola contra suas próprias redes. O 1 a 0 pode até parecer aquele famosa ‘sorte de campeão’, mas acabou por coroar de forma injusta uma equipe que provou mais uma vez não ter acertado os ponteiros em toda a temporada.

Como de costume em Gerland, o OL deu a impressão de que sufocaria o ASNL facilmente nos primeiros minutos, dada a pressão constante sobre a defesa rival. No entanto, o gás acabou. Benzema ficou isolado demais na frente, devido à noite ruim vivida por Keita, uma das decepções do elenco em 2007/07, e Govou. Os dois deveriam oferecer opções pelas pontas, mas não se deram bem na maioria das jogadas das quais participaram. Foi necessária uma jogada de bola parada para os lioneses respirarem aliviados. Muito pouco para um time de jogadores de bom toque de bola – pelo menos no papel.

Ao Nancy, coube lamentar a única distração de sua defesa, até então sólida. Se seu setor defensivo mereceu elogios, seu ataque passou quase despercebido pelo gramado de Gerland. Fortuné mal teve chances para assustar Coupet, enquanto Dia não se livrou de Grosso. Apesar da derrota, o time se manteve à frente do Olympique de Marselha, que não foi além de um empate sem gols com o Le Mans. A vantagem sobre o OM poderia ser um pouco maior, pois a equipe não merecia deixar Gerland derrotada.

Por sua vez, o Bordeaux manteve a dúvida sobre o campeão até a rodada final. Os girondinos receberam um Sochaux sem grandes ambições e ganharam por 2 a 0. Como no duelo da semana anterior contra os marselheses, os Marine et Blanc não contaram com Cavenaghi, desta vez suspenso, desde o início. Com Bellion ao lado de Chamakh, o ataque enfim funcionou.

Entretanto, o duelo com os Leões não deve ser considerado como uma prova definitiva da melhor fase do Bordeaux quando comparado ao Lyon. Diante de um rival postado em um 4-5-1, cujo único atacante (Grax) mal ameaçou a meta, os girondinos apenas precisaram de tempo para deixar o nervosismo de lado e, com os incentivos de sua torcida, partir em busca do triunfo. O time só não contava com o gol contra de André Luiz; do contrário, a equipe comandada por Laurent Blanc estaria empatada com o OL na liderança.

Na rodada decisiva, os dois concorrentes ao título atuam fora de casa. Ao Lyon, coube a tarefa mais simples: os líderes pegam o Auxerre, sem qualquer interesse no campeonato. Já o Bordeaux vai ao Félix-Bollaert encarar o ameaçado Lens, disposto a lutar até a última gota de sangue para evitar o rebaixamento. Como se a diferença de motivação de seus adversários não fosse suficiente, há ainda outro item a favor dos lioneses. Com uma vantagem de dois pontos e um saldo de gols superior (35 a 27), o Lyon se tornará hepta com um empate diante do AJA – a menos que os girondinos goleiem.

Os Marine et Blanc só ficam com a taça sem fazer muitas contas se ganharem dos Sang et Or e o Lyon perder do Auxerre. Uma combinação de resultados um tanto quanto improvável, mas nem tão impossível assim de acontecer. Na verdade, trata-se de um castigo aos lioneses, que tiveram todas as oportunidades do mundo para definir o campeonato com várias rodadas de antecedência. Um reflexo de suas falhas de planejamento, desgaste entre alguns membros de seu elenco e apostas furadas na contratação de reforços.

Caso queira manter sua hegemonia na França, o clube não deve se deixar cegar pelas conquistas seguidas de títulos nacionais e achar que está tudo bem. Com o sonho de seu presidente Jean-Michel Aulas de se tornar respeitado no cenário europeu, é preciso deixar o comodismo de lado. Para o espectador, torna-se muito melhor acompanhar a disputa da taça da Ligue 1 até os últimos instantes, desde que essa briga desperte o interesse em acompanhar bons elencos, não um amontoado de atletas mais preocupados em ver o fim da temporada para sair de férias.

Ah, Lens…

No dérbi do norte da França, o Lens dependia de um bom resultado diante do Lille para se livrar da areia movediça. Os resultados da rodada ainda ajudaram, pois a derrota do Toulouse e o empate do Paris Saint-Germain lhe abriam a possibilidade de ultrapassar os dois rivais diretos na briga para escapar do rebaixamento. No entanto, todos os esforços da equipe foram em vão. Os Sang et Or caíram por 2 a 1 diante de um LOSC na batalha por uma vaga na Copa Uefa e dependem de um milagre para permanecer na elite do futebol francês em 2008/09.

Para arrancar ao menos um ponto de seu rival, o Lens entrou em campo com uma formação bastante defensiva, com Rémy isolado no setor ofensivo. Embora tenha aberto mão de agredir o inimigo, ao menos a equipe tentava se fechar diante dos donos da casa. Os visitantes só não contavam com mais uma tarde inspirada dos meias Makou, Mavuba e Cabaye, perfeitos tanto no combate como na armação. O lado ofensivo do LOSC se reforçou com as constantes subidas de Michel Bastos e Obraniak pelas laterais.

O gol de Cabaye no final do primeiro tempo forçou Jean-Pierre Papin a mudar sua estratégia. Com Maoulida em campo, o treinador tentou reforçar seu inoperante ataque. Embora tenham sido mais perigosos, os Sang et Or se abriram aos contra-ataques. Em um deles, Frau ampliou. Pouco depois, Monterrubio diminuiu de pênalti, mas a esperada pressão nos minutos finais ficou comprometida com a precipitação e o uso excessivo de lançamentos sem noção para o campo de ataque. A dupla de zaga formada por Franquart e Remi fez a festa e garantiu a manutenção do placar.

Na rodada final, o time terá pela frente ‘apenas’ o Bordeaux, em perseguição ao líder Lyon pela taça. Ao menos o Lens terá a vantagem de atuar em casa, embora a força do adversário diminua de forma considerável este fator. Com a necessidade dos girondinos de buscar a vitória a qualquer custo, os Sang et Or devem esperar a criação de bons espaços para explorar em contra-ataques. Se a postura de atrair o inimigo para seu campo de defesa parece camicase demais, também não dá para querer se lançar como loucos para frente, pois uma bola perdida logo se tornaria fatal.

Para o Lens, o ideal seria avançar um pouco sua marcação, não deixar Cavenaghi tocar na bola um segundo sequer e, o mais difícil, manter a concentração nos 90 minutos. Contra o Lille, a equipe se mostrou muito nervosa pouco depois de sofrer o gol. Embora tivesse a bola em seus pés por mais tempo, o time estragou muitas jogadas por pura pressa. O desespero se justifica pela visão das chamas do inferno ardendo em seus calcanhares, mas os jogadores precisam manter o sangue frio. O LOSC nem se deu tanto ao trabalho de evitar as jogadas ofensivas, pois a velocidade pura e simples, desprovida de raciocínio, e a visão limitada tiram qualquer chance de reação organizada.

Com a derrota do Toulouse para o Rennes por 2 a 1, o Paris Saint-Germain nem precisou de grandes esforços para enfim sair da zona de rebaixamento. Em um Parc des Princes lotado, a equipe teve os méritos de segurar um empate por 1 a 1 com o Saint-Etienne. Antes que se desmereça o ASSE, deve-se lembrar que os Verdes entravam na rodada na briga por uma vaguinha na Copa Uefa.

O jogo apresentou ares épicos para os donos da casa. Além da carga emotiva natural para uma situação de desespero como essa, a equipe realizava seu último jogo diante da torcida nesta temporada. Para completar a bomba de sentimentos, Pauleta se despedia daqueles que tanto o aplaudiram e de quem se tornou uma das poucas esperanças de salvação do inferno. A Águia dos Açores, se não esteve em seus melhores dias, pelo menos deu sua contribuição para este pontinho chorado e que pode fazer toda a diferença no final. Basta derrotar o Sochaux fora de casa na última rodada para garantir a permanência na Ligue 1. Contudo, o clube precisa superar sua série negativa como visitante: perdeu seis vezes e empatou uma em suas últimas atuações na casa dos adversários.
 

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