França

Invencibilidade falsificada

Invicto na Ligue 1, o Lyon está dois pontos atrás do líder Bordeaux. Na Liga dos Campeões, a equipe só encontrou vitórias em seu caminho. O clima deveria estar absolutamente calmo em Gerland, mas por trás deste desempenho em teoria positivo, há alguns pontos importantes para se fixar. Principalmente em seus últimos jogos, os lioneses têm apresentado problemas defensivos e seu ataque também não anda muito bem das pernas.

Domingo, no Parc des Princes, o Lyon arrancou um empate por 1 a 1 contra um Paris Saint-Germain superior e vítima de um erro de arbitragem, que validou um gol em impedimento de Gomis. O OL teve uma exibição apática, de pouca inspiração de seu meio-campo e com uma desarmonia preocupante em seus setores. Daria para se culpar o cansaço causado pelo duelo contra a Fiorentina, mas isto está longe de justificar a sequência de jogos sem brilho.

Contra o Lorient, o OL saiu com uma vitória por 1 a 0, mas Lloris segurou o resultado com uma série de defesas milagrosas. O triunfo pelo mesmo placar diante da Fiorentina só foi obtido quando o time italiano ficou com um a menos em campo. Em ambos, um ponto em comum: um meio-campo de ideias parcas, o que mina a força do ataque, mesmo com a presença de Gomis e Lisandro López, contratados a peso de ouro.

O duelo contra o PSG foi o primeiro grande teste da equipe nesta temporada. Até então, as vitórias tranquilas contra o Anderlecht na fase preliminar da Liga dos Campeões e a sequência de sete vitórias maquiaram a realidade vivida pelos lioneses. A equipe começa a demonstrar uma certa dependência excessiva de Pjanic, o único até agora capaz de fazer a diferença no meio-campo em termos criativos.

Na defesa, a dupla de zaga formada por Bodmer e Cris precisa se ajustar. O brasileiro apresenta algumas oscilações perigosas; e não se deve esquecer que seu companheiro ainda não se adaptou completamente à mudança de posição – de volante para defensor. Outra questão está no ataque. O Lyon não conta com outra opção além de Gomis para ser o ‘atacante central’ de seu 4-3-3. Quando Lisandro desempenhou este papel, como contra o PSG, teve atuação bem abaixo do normal.

Claro, o Lyon também não é uma porcaria completa que só ganha porque seus adversários conseguem ser ainda piores. Como em qualquer início de temporada, o time precisa identificar suas fraquezas e corrigi-las a tempo para a hora dos desafios mais complexos. Só não dá para achar que o fato de estar invicto significa dizer que o time funciona como um relógio. Quando você mais precisar dele, é fundamental despertar na hora marcada, sob o risco de se atrasar para um compromisso importante. E nos últimos anos, o OL perdeu preciosos momentos na LC.

Equilíbrio

Nos duelos franco-italianos pela Liga dos Campeões, o Lyon salvou a honra dos clubes do Hexágono. Em um confronto complicado contra a Fiorentina, os lioneses arrancaram a fórceps um triunfo por 1 a 0 contra o time ‘viola’, que ficou com um a menos em quase metade do tempo – e esse um, Gilardino, tinha grande peso para os visitantes. Nos 45 minutos iniciais, o OL penou contra uma forte marcação e a aplicação tática do clube de Florença.

Claude Puel escalou o Lyon em seu tradicional 4-3-3, mas o esquema se mostrou incapaz de superar a melhor qualidade física e técnica da Fiorentina. Pressionado em seu campo de defesa, o OL pouco incomodou Frey e sentiu extrema dificuldade para fazer seu meio-campo funcionar. Embora os visitantes também não tenham se apresentado tantas vezes à frente, o clube ‘viola’ se mostrava bem mais consistente do que os donos da casa, o que poderia causar maiores preocupações para a segunda etapa.

Só que aí Gilardino resolveu colocar seu cotovelo na parada já nos acréscimos. Expulso pela entrada em Toulalan, o atacante quebrou o equilíbrio exibido até então pelos visitantes. O Lyon veio para a etapa final com ímpeto maior para resolver a questão, mas embora pressionasse com mais vigor, ainda era tímido em suas finalizações. O golpe de mestre para furar a defesa florentina foi dado por Puel.

Dada a solidez defensiva da Fiorentina, o treinador do Lyon achou melhor abrir o jogo pelas pontas para deslocar a marcação e descongestionar um pouco a parte frontal da área. Tal ideia se concretizou com a saída de Gomis e a entrada de Delgado, o que recolocou Lisandro López em uma posição central no ataque. Pronto; foi o suficiente para o OL crescer, marcar o gol da vitória com Pjanic e ainda criar outras oportunidades para ampliar, com Lisandro, Delgado e Källström.

Feito o dever de casa, o Lyon precisa observar alguns cuidados para não derrapar daqui para frente na LC. O principal deles está no aspecto físico, que quase comprometeu o resultado em casa. A preparação lionesa se mostrou inferior à da Fiorentina, e isto pode causar problemas nos confrontos contra o Liverpool e até mesmo complicar as partidas contra o Debrecen, que dificultou demais a tarefa dos Reds em pleno Anfield.

Rigidez

Nice e Grenoble fecharam a rodada da Ligue 1 de forma vergonhosa. As duas equipes sofreram derrotas feias em casa, mas o resultado dos confrontos ficou em segundo plano. O que chamou mesmo a atenção foram os incidentes protagonizados por torcedores dos dois times. Sinalizadores foram atirados no gramado, o que forçou a interrupção dos duelos contra Monaco e Rennes, respectivamente. Os episódios não passaram em branco pela Liga de Futebol Profissional (LFP).

No caso do GF 38, o ‘fumacê’ não é novidade nesta temporada. Parte da torcida também mostrou sua boa educação logo na primeira rodada da Ligue 1, quando a equipe recebeu o Olympique de Marselha. No fim de semana, quando o Rennes já vencia por 3 a 0, sinalizadores foram atirados na direção de Viviani, goleiro do time bretão. O árbitro Clément Turpin interrompeu o jogo aos 30 minutos do primeiro tempo. A cena se repetiu na segunda etapa, aos 25 minutos.

As mesmas cenas se repetiram no dérbi entre Nice e Monaco, vencido pelo time do principado por 3 a 1. Para piorar, depois do jogo, um grupo tentou invadir a tribuna na qual estava o presidente do OGC – e certamente não era para lhe falar com educação sobre sugestões para melhorar a equipe. Preocupado com as novas ações nos estádios, Frédéric Thiriez, presidente da LFP, prometeu ações rápidas para extinguir este tipo de manifestação.

Como resolver este problema? Mesmo com o desenvolvimento de novos sistemas de identificação de torcedores, aumento do efetivo de seguranças e controle dentro do estádio com câmeras de vigilância, estes casos sempre voltam à tona. No mercado, há sinalizadores da grossura de uma caneta, que passam tranquilamente por uma revista policial. O diretor de segurança do Nice provou como é fácil entrar com estes objetos: ele passou sem ser incomodado por um daqueles detectores encontrados em aeroportos com dois ‘petardos’ em seu bolso.

Obviamente, também não dá para pedir para que cada torcedor fique completamente nu para mostrar que não possui qualquer objeto estranho antes de entrar em um estádio. Talvez a solução seja mesmo impor punições pesadas aos clubes, como perda de mandos de campo e multas elevadas. Quando se mexe com o bolso, o controle se torna mais eficiente – infelizmente, pois não dá para viver da ilusão de que marmanjos se tornem bons moços ao ouvir alguém lhes dizer como é feio fazer bagunça.
 

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Equipe Trivela

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