França

Hora da definição

O título da Ligue 1 está cada vez mais restrito a Lille e Olympique de Marselha. Os dois primeiros colocados contaram com a ajuda providencial do Auxerre, que segurou um empate sem gols com o Rennes, que vê os rivais abrirem distância. Assim, LOSC e OM concentram suas últimas cartadas para as nove rodadas decisivas do campeonato. Já o Lyon, com o empate por 2 a 2 com o Nice, desperdiçou a chance de ganhar forças na disputa pela terceira vaga na Liga dos Campeões.

O Lille não muda seu discurso. Mesmo após a vitória por 3 a 1 sobre o Caen, a equipe mantém a postura modesta, de quem não se considera favorito ao título. Algo que não condiz com a realidade, já que os Dogues têm confortáveis quatro pontos de vantagem sobre o Olympique de Marselha. A equipe ainda completou uma série de quatro vitórias e, embalada, parece não dar muitas chances ao concorrente.

Uma prova do poderio do Lille está em seu ataque, que foi o primeiro dos competidores da Ligue 1 a ultrapassar a simbólica marca de 50 gols marcados nesta temporada. Gervinho teve mais uma atuação de gala ao infernizar o lado direito e dar uma assistência para Moussa Sow – que ampliou suas estatísticas goleadoras ao fazer seu 20º tento. O Caen sentiu demais esta força e a aplicação tática dos Dogues, cuja marcação sufocou os adversários.

Curiosamente, o Lille pecou nas finalizações diante do Caen, com direito a um pênalti perdido. Tal ansiedade só foi corrigida quando Chedjou abriu o placar. Com a porteira aberta, o LOSC se acalmou e fez o que melhor sabe: tocar a bola com velocidade e objetividade. Talvez seja este o maior inimigo dos Dogues nesta reta final da Ligue 1: o nervosismo para querer despachar logo seus oponentes.

O Olympique de Marselha entrou em campo um dia depois, pressionado pelo triunfo do Lille e por um Lens que, se luta para escapar do rebaixamento, tinha uma boa série diante do OM. Pois é, tinha. Os Sang et Or não perdiam para os marselheses em casa desde 2003. Os visitantes podem não ter brilhado, mas arrancaram uma vitória bem ao seu estilo: com eficiência.

O Lens sentiu a falta de alguém com maior capacidade de armação para organizar seu meio-campo. Sébastien Roudet não preencheu os requisitos necessários para aproveitar os espaços dados pelo Olympique de Marselha. O OM, por sua vez, teve o domínio das ações, mas essa superioridade era estéril. A equipe sentia muitas dificuldades para finalizar. Além disso, dependeu de uma atuação inspirada do goleiro Steve Mandanda para não sair de campo derrotada.

Os Sang et Or ameaçavam, sobretudo, em lances de bola parada e até acertaram o travessão. O OM contou com sua maior competência para arrancar a vitória a fórceps. Era o mínimo necessário, e os marselheses ganharam um pouco mais de ímpeto para tirar a diferença para o Lille.

O Rennes não encontrou a fórmula para desmontar o ferrolho armado pelo Auxerre, amargou um empate sem gols e agora vê reduzidas suas chances de brigar pelo título. Os bretões até tiveram maior posse de bola, mas faltou inteligência à equipe para driblar o 5-4-1 montado pelo AJA, que somou um ponto precioso em sua luta para escapar da degola. Em um jogo arrastado, o Rennes se afundou em sua própria ineficiência.

Se o Lyon aproveitasse a oportunidade, estaria em festa pela conquista do terceiro lugar. A reação de Hugo Lloris explica bem o que aconteceu com a equipe diante do Nice. O OL vencia por 2 a 0 fora de casa, mas permitiu ao OGC fazer dois gols nos acréscimos e arrancar o empate. O goleiro xingou Deus e o mundo nos vestiários, tamanho o vacilo de seus companheiros para segurar um resultado crucial.

Reviravolta

Steve Mandanda teve papel fundamental para a vitória fundamental do Olympique de Marselha sobre o Lens por 1 a 0. O goleiro se desdobrou para fazer defesas difíceis e assegurar mais um triunfo do OM, que segue na briga pelo título. O arqueiro, que viveu dias complicados na temporada passada, deu a volta por cima e agora colhe os louros de sua participação cada vez mais decisiva.

Tal metamorfose tem uma explicação simples: a chegada de Nicolas Dehon ao clube. O treinador acompanhou o goleiro nas categorias de base do Le Havre e se tornou um dos principais reforços trazidos pelo OM, mesmo sem entrar em campo. Com o velho conhecido, com quem mantém quase uma relação entre pai e filho, Mandanda apresentou uma nítida evolução quando comparado com seu nível em 2009/10.

Na última temporada, Mandanda teve atuações medianas. Embora fosse convocado com frequência para a seleção francesa, ele perdeu a condição de titular da seleção francesa para Hugo Lloris. Com a chegada de Dehon, o goleiro se transformou. Para começar, o arqueiro passou a se sentir mais seguro em campo. A prova pode ser feita ao se analisar as saídas pelo alto – um pesadelo que foi corrigido e deixou de ser problema.

Mandanda também aprimorou seus reflexos, como se viu em uma cabeçada à queima-roupa de Issam Jemaa. Tamanha segurança lhe rendeu a braçadeira de capitão do OM, o que também certamente contribuiu para lhe dar mais segurança. Para completar sua recuperação, falta apenas retomar a condição de titular absoluto da seleção francesa – algo que não deve demorar se ele repetir suas excelentes atuações.

Queda livre

O Paris Saint-Germain parecia fadado a brigar pelo título francês. No entanto, a impressionante queda de rendimento do time no segundo turno coloca em risco até a classificação para a Liga Europa (via Ligue 1). Com um ritmo parecido com o de uma equipe prestes a ser rebaixada, o PSG se arrasta há tempos e frustra seus torcedores – como se viu no fraco empate sem gols com o Lorient em pleno Parc des Princes.

O pessimismo tomou conta do elenco, como revelou um jogador, sob condição de anonimato, ao jornal Le Parisien. Ele revelou as tensões internas e o pensamento fixo de alguns companheiros já na próxima janela de transferências. Com um ambiente assim, realmente fica difícil querer algo além de um fiasco.

Os olhares de reprovação vão para o setor ofensivo da equipe. A partir do início deste ano, a média de gols marcados por partida caiu de 1,58 para pífios 1,2. Guillaume Hoarau demonstra pouca confiança em seu taco. Mevlut Erding não tem a mesma eficiência de antes. Para completar, Nenê exagera no individualismo. Quando há uma melhora no ataque, o resto do time apronta suas lambanças.

A figura do goleiro Apoula Édel ajuda a explicar bem esta tese, com suas seguidas falhas ridículas. Resta a Antoine Kombouaré, que contribui para criar um clima hostil com seu temperamento explosivo e impaciência, tentar conduzir o barco. Com os líderes do elenco Makélélé, Giuly e Coupet em fim de contrato, a alternativa para o treinador é lançar jovens como Kebano (19 anos) e Bahebeck (18 anos). Um fim de temporada melancólico para quem tinha todas as ferramentas necessárias para fazer uma temporada especial.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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