França

Guia da Ligue 1 – III

Chegamos à terceira e última parte da apresentação dos 20 clubes que disputam a Ligue 1 na temporada 2007/08. Para concluir a série, passamos pelos principais clubes do país para analisar se algum deles terá condições de fazer sombra ao Lyon e impedir o clube de conquistar o heptacampeonato. O Olympique de Marselha, embora tenha perdido Franck Ribéry, desponta como candidato a quebrar essa hegemonia.

Ao contrário do OM, o Paris Saint-Germain sonha baixo, com a intenção de enterrar o desempenho sofrível de 2006/07. Passar longe da zona de rebaixamento já será uma vitória para o clube da capital. Sochaux e Rennes buscam algum espaço na Copa Uefa, mas sem tirar o olho da Ligue 1 e de uma vaga para a próxima edição da Liga dos Campeões.

Por falar em LC, o Toulouse pretende aproveitar ao máximo sua experiência na principal competição interclubes do continente. Mesmo se for eliminado pelo Liverpool, o TFC ainda terá a chance de disputar um prêmio de consolação na Copa Uefa. Já o Lyon tenta enfim concretizar os sonhos de seu presidente Jean-Michel Aulas: conquistar tudo o que vier pela frente. A redenção na LC, porém, tornou-se questão de honra para o clube.

Paris Saint-Germain

O PSG viveu uma de suas piores temporadas em 2006/07. Após passar um longo período ameaçado pelo rebaixamento, o time da capital recuperou o fôlego e conseguiu escapar da fogueira da Ligue 2. O torcedor da equipe já sabe que para esta temporada não deve se iludir. Os novos donos do clube mantiveram a política pés-no-chão e investiram pouco em reforços. Em um primeiro momento, pode parecer uma estratégia arriscada, mas a aposta em jovens valores para a montagem da base (além de diminuir a folha salarial) obedece aos anseios a médio/longo prazo do PSG. Caberá ao treinador Paul Le Guen, salvador da lavoura na segunda metade da Ligue 1 passada, montar um time ao menos equilibrado para não fazer feio.

Édouard Cissé e David Rozehnal deixaram o clube. Para preencher esse vazio no sistema defensivo/de marcação, o PSG investiu € 6 milhões em Zoumana Câmara, em fase de progressão no Saint-Etienne. Bourillon chegou do Rennes como outra promessa, como também foi caso de Digard, ex-Le Havre. Le Guen deve lançá-los logo entre os titulares, assim como já fez com Mulumbu, Diané e Chantôme na temporada anterior. Se por um lado a juventude se apresenta como uma possível solução dos problemas da equipe, há ainda a chance de o PSG perder seu principal jogador. Pauleta voltou a cogitar uma possível transferência. Caso a Águia dos Açores resolva migrar para uma outra equipe, o clube da capital será obrigado a buscar algum substituto à altura, sob pena de ver seu ataque cair bastante de qualidade.

Nome do Clube: Paris Saint-Germain Football Club
Estádio: Parc des Princes (48.527 pessoas)
Técnico: Paul Le Guen
Principal jogador: Pedro Miguel Pauleta
Fique de olho: Amara Diané
Competição continental que disputa: nenhuma
Contratações: Digard (M – Le Havre), Bourillon (M – Rennes), Camara (D – Saint-Etienne), Pancrate (A – Betis/ESP), Haddad (M – Valenciennes), Bueno (A – Sporting/POR)
Jogadores que deixaram o clube: Cissé (Besiktas/TUR), Rozehnal (Newcastle/ING), Hellebuyck (Nice), Baning (Sedan), Dja Djedje (Grenoble), Piètre (sem clube)
Objetivo na temporada: ficar no meio da tabela

Sochaux

Alain Pérrin conduziu os Leões da parte de baixo da tabela à disputa por uma vaga na Liga dos Campeões em 2006/07. O treinador ainda levou a equipe à conquista do título da Copa da França, com a conseqüente classificação para a Copa Uefa. Uma temporada vitoriosa para o Sochaux, mas o sucesso chamou a atenção de outras equipes. Pérrin aceitou a proposta do Lyon para comandar o clube rumo ao hepta nacional; Jérôme Leroy e Karim Ziani, dois dos mais importantes jogadores do elenco, foram negociados com Rennes e Olympique de Marselha, respectivamente. Com a perda de tantos elementos-chave, o clube de Montbéliard se prepara para se remontar.

Para o lugar de Pérrin, os Leões contrataram Frédéric Hantz, que deixou sua marca no Le Mans ao formar uma equipe bastante ofensiva. Stéphane Dalmat, Lionel Mathis e Nicolas Maurice-Belay chegaram com a missão de manter a estabilidade defensiva do time. No mais, o Sochaux deposita suas fichas em Sébastien Grax, que enfim parece ter se encontrado. Além disso, o ataque do clube conta com alguns bons nomes, como Álvaro, Birsa, Dagano e a revelação Quercia. Conciliar as disputas da Ligue 1 com a da Copa Uefa será o grande desafio.

Nome do Clube: Football Club Sochaux-Montbéliard
Estádio: Auguste Bonal (20.000 pessoas)
Técnico: Frédéric Hantz
Principal jogador: Sébastien Grax
Fique de olho: Julien Quercia
Competição continental que disputa: Copa Uefa (campeão da Copa da França)
Contratações: Hantz (T – Le Mans), Jokic (D – Nova Gorica/ESN), Mathis (M – Auxerre), Dalmat (M – Bordeaux), Josse (D – Brest), Genghini (M – Raon-l’Etape), Perisic (A – Hajduk Split/CRO), Maurice-Belay (M – Sedan), Dramé (D – Paris Saint-Germain)
Jogadores que deixaram o clube: Pérrin (T – Lyon), Ziani (Olympique de Marselha), Le Tallec (Liverpool/ING), Brunel (Angers), Lonfat (sem clube), Potillon (sem clube), Zekara (Germinal Beerschot/BEL), Diawara (Saint-Etienne), Leroy (Rennes), Tosic (Werder Bremen/ALE)
Objetivo na temporada: vaga em competições européias

Rennes

Nos últimos anos, o Rennes criou uma imagem forte: no início do campeonato, patina e ocupa posições intermediárias na tabela; no segundo turno, inicia uma recuperação fantástica e, por pouco, não belisca uma vaga para a Liga dos Campeões. Desta vez, os bretões vêm mordidos. A classificação para a LC estaria nas mãos deles se a Liga de Futebol Profissional não decidisse declarar o Toulouse vencedor do confronto contra o Nantes, em partida interrompida quando torcedores dos Canários invadiram o gramado para protestar. Para finalmente ganhar um lugar na principal competição interclubes do continente, a equipe espera cobrir a perda de jogadores importantes.

Bourillon, Faty e Utaka foram embora. O Rennes fez contratações inteligentes para tentar cobrir estas ausências. Para a defesa, a equipe buscou Rod Fanni no Nice; no meio, Leroy, um dos destaques do Sochaux, chegou credenciado por seu desempenho em 2006/07; por fim, no ataque, as esperanças recaem sobre Pagis. O clube também se orgulha por dispor de um dos melhores centros de formação de atletas da França. De lá vieram Jimmy Briand, que até mereceu uma convocação para a seleção principal da França, e M’bia, por exemplo. Badiané, Lemoine e Borne assinaram seus primeiros contratos como profissionais e devem ser utilizados pelo técnico Pierre Dréossi. Com a força de uma equipe jovem, o Rennes espera enfim começar a Ligue 1 no mesmo ritmo como a termina.

Nome do Clube: Stade Rennais Football Club
Estádio: de la Route de Lorient (31.200 pessoas)
Técnico: Pierre Dréossi
Principal jogador: Jérôme Leroy
Fique de olho: Jimmy Briand
Competição continental que disputa: Copa Uefa (4º colocado na última Ligue 1)
Contratações: Hansson (D – Heereveen/HOL), Luzi (G – Charleroi/BEL), Pagis (A – Olympique de Marselha), Catherine (G – Tours), Leroy (M – Sochaux), Fanni (D – Nice)
Jogadores que deixaram o clube: Coulibaly (sem clube), Faty (Olympique de Marselha), Revault (Le Havre), Melchiot (Wigan/ING), N’Diaye (Créteil.), Utaka (Portsmouth/ING), Bourillon (Paris Saint-Germain)
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões

Toulouse

Pela primeira vez em sua história, os Violetas se classificaram para a disputa da Liga dos Campeões. Embora tenham pela frente o Liverpool como rival por uma vaga na fase de grupos, o TFC tenta manter o foco para não se perder durante a temporada. A disputa de uma competição européia nem sempre se torna um sonho, pois um planejamento equivocado coloca o futuro de qualquer equipe mediana em risco. Nesse ponto, os Violetas estão com o sinal de alerta ligado. Embora tenha feito algumas boas contratações, o clube deve encontrar algumas dificuldades para se dividir entre a Ligue 1 e a LC (ou, mais provável, a Copa Uefa). Pelo menos por enquanto, a equipe soube lidar com o assédio dos diversos interessados em Johan Elmander. O meia, contratado sem muito alarde em 2006/07, logo se tornou um dos mais importantes jogadores em ação na França. Caberá a ele comandar um elenco modesto, mas eficiente.

Por um lado, o Toulouse receberá uma bela quantia apenas pela classificação para a LC. Além disso, já apresentou um aumento no número de vendas de carnês de sócios (6,8 mil contra 6,5 mil da última temporada) e maior repasse dos direitos de transmissão de suas partidas. O orçamento pulou de € 35 milhões para € 41 milhões. O TFC não faz planos ambiciosos, como revelam os reforços que chegaram (Jönsson, Ilunga e Riou). A única cara nova que causou maior impacto foi André-Pierre Gignac, revelação do Lorient e que só trocou de clube após intensa batalha jurídica. Os Violetas pensam baixo, mais preocupados em garantir um bom nível do que dar um tiro no escuro e colocar tudo a perder. Uma postura sensata de um clube que há cinco temporadas deixou a Ligue 2 e encontrava algumas dificuldades para escapar do rebaixamento.

Nome do Clube: Toulouse Football Club
Estádio: Municipal (38.650 pessoas)
Técnico: Elie Baup
Principal jogador: Johan Elmander
Fique de olho: Moussa Sissoko
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões (3ª fase preliminar)
Contratações: Jönsson (D – Elfsborg/SUE), Illunga (D – Saint-Etienne), Gignac (A – Lorient), Riou (G – Istres)
Jogadores que deixaram o clube: Camara (Rodez), Bonnet (Sedan), Pentecôte (Bastia), Cherfa (Tours), Psaume (Boulogne sur Mer), Aubey (Lens), Benvegnu (Amiens), Robic (sem clube), Dao (sem clube)
Objetivo na temporada: vaga em competições européias

Olympique de Marselha

Enfim o Olympique de Marselha voltou a encontrar a calmaria após seguidos anos de tormenta. O retorno do time à Liga dos Campeões, competição da qual se orgulha de ser o único clube francês a conquistá-la, trouxe uma nova perspectiva. A estabilidade voltou a fazer parte do ambiente interno do OM, que passou por infinitos problemas como irregularidades na venda de jogadores, indefinição quanto à venda do clube, elencos desequilibrados, ‘síndrome’ de atuar no Vélodrome e troca de presidente. Sem essas questões para assombrar, os marselheses se dedicaram com maior afinco à temporada 2007/08. Pelo menos no papel, o clube se candidata ao posto de maior ‘pedra no sapato’ do Lyon – e principal desafiante na luta pelo título francês.

Para começar, o Olympique se preparou para sobreviver sem Franck Ribéry, negociado com o Bayern de Munique por € 26 milhões. Tal dinheiro foi muito bem aplicado, com a contratação de jogadores importantes por um preço justo. Ziani deixou o Sochaux para tentar auxiliar Nasri na tarefa de armar a equipe. No meio-campo, o OM ainda buscou a experiência de Benoît Cheyrou. Para o setor ofensivo, Djibril Cissé foi contratado em definitivo e, de quebra, na mesma conversa o Liverpool aceitou liberar de Boudewijn Zenden. Os marselheses também trabalharam para corrigir seu ponto fraco: a defesa. Givet e Faty chegam para equilibrar setor defensivo, motivo de críticas na temporada anterior. Com um elenco rico, com boas opções para cada posição, o Olympique vem para colocar pressão em cima do Lyon. Por ter participação garantida na fase de grupos da LC, o clube ainda ganhará um bom dinheiro, o que deve ser suficiente para fazer planos ainda mais ambiciosos. A concorrência acordou.

Nome do Clube: Olympique de Marseille
Estádio: Vélodrome (60.000 pessoas)
Técnico: Albert Emon
Principal jogador: Samir Nasri
Fique de olho: André ‘Dede’ Ayew
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões (vice-campeão francês, entra na fase de grupos)
Contratações: : Zenden (M – Liverpool/ING), Ziani (M – Sochaux), Givet (D – Monaco), Benoît Cheyrou (M – Auxerre), Bonnart (D – Le Mans), Faty (D – Rennes), Gragnic (M – Libourne), Cissé (A – Liverpool/ING), Mandanda (G – Le Havre)
Jogadores que deixaram o clube: Bamogo (Nice), Pagis (Rennes), Maoulida (Auxerre), Ribéry (Bayern de Munique/ALE), Cantareil (Lorient), Gimenez (Herta Berlim/ALE), Barry (Sedan), Bégéorgi (Amiens), Déruda (Amiens), Bocaly (Libourne), Ba (Libourne), Dennoun (Libourne), Benatia (Lorient), Olembé (sem clube)
Objetivo na temporada: título francês e bom desempenho na LC

Lyon

Recordista em títulos franceses consecutivos, o Lyon não terá a mesma moleza para celebrar o heptacampeonato. Embora siga com um elenco de qualidade superior ao de seus concorrentes em âmbito nacional, os lioneses se depararam no início desta temporada com uma série de pequenos problemas. A luz amarela está acesa, fruto dos péssimos momentos vividos pela equipe em 2007. Seria esse o início da quebra da hegemonia do OL? O clube apagou o incêndio principal, mas ainda restam alguns pequenos focos que podem comprometer o desempenho do clube na temporada.

A eliminação nas oitavas-de-final da última LC para a Roma, com uma derrota em pleno Gerland por 2 a 0, provocou efeitos imediatos. Nunca o Lyon passou por uma fase tão efervescente, com jogadores descontentes (Juninho Pernambucano e Grégory Coupet reclamaram abertamente da demora na renovação de seus contratos), atos de indisciplina (protagonizados por Fred, Wiltord e Alou Diarra) e irritação com o treinador (Gérard Houllier não era unanimidade entre os atletas, ao contrário de seus antecessores). Tantas discussões provocaram a queda de desempenho do Lyon no returno da Ligue 1, mas a vantagem obtida na primeira metade do torneio era tamanha que nem mesmo esse período turbulento atrapalhou.

Para 2007/08, o clube iniciou uma limpeza para eliminar esses pontos divergentes. Houllier foi embora e, para seu lugar, veio Alain Pérrin, de notável sucesso no Sochaux. Diarra e Caçapa, dois dos mais descontentes, também deixaram o OL. Tiago, Florent Malouda e Jéremy Berthod foram negociados e renderam um bom dinheiro aos cofres lioneses. Para repor as perdas, a velha política de sempre: enfraquecer seus rivais e contratar seus melhores jogadores. Assim, do Lille, chegaram Kader Keita e Mathieu Bodmer. Fabio Grosso e a revelação Nadir Belhadj preencheram as vagas abertas pelo lado esquerdo.

Como nem tudo poderia ser perfeito, o Lyon perdeu dois de seus nomes mais importantes por um longo período. Tanto Coupet como Cris sofreram graves lesões no joelho e só voltam aos gramados em 2008. A diretoria estuda a necessidade de se contratar substitutos. Se conseguir controlar sua ansiedade na Liga dos Campeões e abrir logo vantagem para seus concorrentes, o time terá tudo para enfim provar ser um clube de respeito.

Nome do Clube: Olympique Lyonnais
Estádio: Gerland (42.000 pessoas)
Técnico: Alain Pérrin
Principal jogador: Juninho Pernambucano
Fique de olho: Karim Benzema
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões (campeão francês, entra na fase de grupos)
Contratações: Nadir Belhadj (D – Sedan), Fabio Grosso (D – Internazionale/ITA), Kader Keita (M – Lille), Mathieu Bodmer (M – Lille)
Jogadores que deixaram o clube: Florent Malouda (Chelsea/ING), Tiago (Juventus/ITA), Alou Diarra (Bordeaux), Eric Abidal (Barcelona/ESP), Caçapa (Newcastle/ING), Jérémy Berthod (Monaco), Mourad Benhamida (Montpellier), Grégory Bettiol (Troyes), Sylvain Idangar (sem clube)
Objetivo na temporada: título francês e bom desempenho na LC

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Equipe Trivela

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