França

França dupla face

Os primeiros jogos da França nas eliminatórias da Eurocopa-2012 deixaram a torcida apreensiva. Afinal, qual será a cara da equipe durante a competição? Se o time apresentar o futebol pobre da estreia contra Belarus, quando perdeu em pleno Stade de France por 1 a 0, a vaga para a Polônia/Ucrânia estará comprometida. Agora, se houver a qualidade exibida no triunfo por 2 a 0 diante da Bósnia fora de casa, a classificação parece estar nas mãos do treinador Laurent Blanc.

Em Sarajevo, os Bleus mostraram uma face completamente diferente da exibida em Saint-Denis. A timidez e um certo abatimento ficaram para trás. Desde o início da partida, os franceses marcaram a saída de bola dos donos da casa e, concentrados na figura de Benzema, criaram as principais chances de perigo. A Bósnia, com seu temido setor ofensivo, pouco criou.

A eficiência na marcação foi o grande segredo do sucesso francês. O meio-campo dos Bleus se destacou com as atuações precisas de M’Vila, Diarra e Diaby, que anularam qualquer criatividade da Bósnia. Como os franceses também adiantaram sua pressão sobre os rivais, sobrava pouco espaço para a bola chegar até Dzeko, isolado no ataque e pouco a fazer.

Blanc certamente se orgulhou ao ver seu 4-3-3 dar tão certo em Sarajevo. Se o sistema defensivo funcionou tão bem diante de uma equipe considerada ofensiva e de grande talento, faltava agora fazer a lição de casa no ataque. Benzema se encarregou disso ao abrir o placar e se tornar um perigo constante para a defesa bósnia.

Para o técnico, a cobrança feita aos jogadores após o fiasco no Stade de France funcionou, um sinal de que os atletas estão comprometidos a segui-lo – uma ligação que deixou de existir quando Domenech estava no cargo. Blanc prometeu tornar seu meio-campo mais denso e assim o fez. Sem correr tantos riscos, a França fez uma boa exibição. Resta saber se ela se repetirá ou se virá apenas quando seu treinador fizer uma cobrança pública.

Estreia desastrosa

Se na Bósnia os Bleus tiveram uma apresentação convincente, o público que compareceu ao Stade de France viu a outra face da equipe. Apáticos, os franceses capengaram na organização ofensiva e foram castigados por Belarus com um gol no final. De nada adiantou dominar um adversário que pouco incomodou defensivamente. Se você também não cria chances, fica difícil fazer alguma mágica para vencer.

Pelas estatísticas, a França teve 59% de posse de bola, finalizou 18 vezes e teve 12 escanteios a seu favor. Os números, porém, são traiçoeiros. O que sugere uma ampla dominação e indicariam uma vitória fácil revelam outra faceta: o de uma equipe com dificuldades para definir o jogo. Como na época de Domenech, a seleção se enrolou demais e tropeçou em seu próprio cadarço.

Contra Belarus, Malouda foi incumbido de servir Rémy, Ménez e Hoarau no ataque. Ora, o jogador do Chelsea não tem esse cacoete de armador, embora tenha tido alguns bons momentos. Os atacantes novatos, por sua vez, mostraram-se pouco eficientes, nervosos até. Sem nomes como Ribéry, Benzema, Gourcuff ou Nasri, a França revelou suas limitações ofensivas e, mesmo diante de um rival de pouco calibre, fraquejou.

Ménez perdeu metade das bolas que disputou. Hoarau foi ainda pior, com um incrível índice de 60%. O atacante parisiense, isolado, deve ter sua parcela de culpa amenizada: ele teve que se virar para tentar dominar os lançamentos longos e ineficazes em sua direção. Quando o único recurso ofensivo de uma equipe se limita à ligação direta, não dá para se esperar grande coisa mesmo.

Exatamente esse “salto” sobre o meio-campo foi corretamente identificado por Blanc como o problema a ser resolvido de forma imediata. E foi exatamente isso o que o técnico fez para o duelo contra a Bósnia. Mesmo se M’Vila, Diarra e Diaby não se caracterizem como jogadores ofensivos, houve uma melhor organização no setor e isto bastou para que o time funcionasse melhor. Diante de rivais mais robustos, Blanc precisa agora combinar esse estilo forte de marcação com criatividade na armação – tudo para não levar mais sustos como na derrota para Belarus.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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