Futebol francês

Monaco de Filipe Luís bate PSG de virada com coragem e estratégia arrojada

Técnico brasileiro conquista resultado enorme no Parque dos Príncipes e mantém clube monegasco na liderança da Ligue 1

O Monaco conquistou uma vitória de enorme peso nesta sexta-feira (4). Jogando no Parque dos Príncipes, a equipe comandada por Filipe Luís bateu o Paris Saint-Germain por 2 a 1, de virada, pela terceira rodada da Ligue 1. Mais do que os três pontos, o resultado representa um cartão de visitas importante do treinador brasileiro em seu primeiro grande teste no futebol francês.

O início de trabalho de Filipe à frente do Monaco não poderia ser mais promissor. São cinco vitórias em cinco jogos desde a chegada do técnico, sendo três delas pelo Campeonato Francês. Com o triunfo sobre o atual bicampeão europeu, o time monegasco também se mantém na liderança da competição e mostra que pode surpreender na temporada.

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A vitória ganha ainda mais peso pela maneira como foi construída. Diante de um adversário que costuma controlar os jogos a partir da qualidade individual de seus jogadores, o Monaco não entrou em campo apenas para resistir. A equipe teve coragem para propor, soube sofrer quando necessário e encontrou soluções para transformar uma desvantagem em uma vitória que diz muito sobre a personalidade que Filipe Luís começa a imprimir no time.

Monaco mostra coragem e Filipe Luís passa no teste de fogo

Desde os primeiros minutos, chamou atenção a postura do Monaco. Em vez de simplesmente entregar a bola ao PSG e apostar todas as fichas nos contra-ataques, a equipe de Filipe Luís tentou dividir o controle da partida. Em alguns momentos, os monegascos buscaram sair jogando desde trás, assumindo riscos para escapar da pressão parisiense e construir suas próprias jogadas a partir da posse.

A estratégia exigia coragem, especialmente diante de um PSG acostumado a sufocar os adversários e recuperar rapidamente a bola. Ainda assim, o Monaco não abandonou a ideia quando encontrou dificuldades. Mesmo depois de sofrer o gol e ir para o intervalo em desvantagem, a equipe não demonstrou conformismo com o resultado. Pelo contrário: voltou para o segundo tempo com uma postura mais agressiva.

E foi justamente aí que o trabalho de Filipe Luís ganhou ainda mais destaque. O Monaco passou a atacar com maior frequência, ocupou espaços no campo ofensivo e aumentou a pressão sobre o Paris. A equipe não somente buscou o empate, mas teve personalidade para continuar atacando depois de deixar tudo igual. A virada mostrou que o time não depende de uma única forma de jogar e consegue mudar de comportamento conforme as circunstâncias da partida.

Nos minutos finais, veio outra demonstração de maturidade. Depois de construir a vantagem, o Monaco soube baixar as linhas, defender-se com organização e suportar a pressão do PSG para preservar o resultado. Foi um desempenho que apresentou diferentes versões do time: corajoso com a bola, agressivo quando precisou buscar a reação e disciplinado sem ela quando chegou a hora de proteger a vitória.

Vencer o adversário mais difícil da França — e, por que não, o mais forte da Europa neste momento — dentro do Parque dos Príncipes transforma o triunfo em algo ainda maior. Filipe passou pelo primeiro grande teste de fogo com louvores e mostrou que seu Monaco pode ser muito mais do que um time competitivo. Ainda é cedo para fazer grandes projeções, mas o começo de trabalho do brasileiro é, sem dúvida, extremamente promissor.

Monaco faz 2 a 1 no PSG e segue na liderança da Ligue 1
Monaco faz 2 a 1 no PSG e segue na liderança da Ligue 1 (Foto: Johnny Fidelin / Icon Sport)

Como foi a vitória do Monaco sobre o PSG

O Monaco fez bons primeiros 30 minutos no Parque dos Príncipes. A equipe de Filipe Luís, mesmo ciente da superioridade técnica parisiense, tentava dividir a posse de bola, buscava sair jogando desde trás e, por vezes, pressionava alto. Pouco ameaçava o time da casa, é verdade; mas também praticamente não sofria na defesa.

Bastou uma trama boa ofensiva, porém, para que o PSG abrisse o placar. Fabián Ruiz enxergou bem a presença de Kvaratskhelia dentro da área, descolou bom passe e desmontou o sistema defensivo monegasco. O georgiano cruzou na segunda trave, e Marquinhos, livre de marcação, completou de peito para balançar as redes.

Na volta do intervalo, o Monaco passou a atacar mais o Paris. No entanto, pecava muito no acabamento das jogadas e via os donos da casa criarem situações de perigo. Buscando empatar o jogo, era um risco que o time de Filipe Luís estava disposto a correr. E foi premiado por essa ousadia.

Aos 12 minutos, Golovin levantou a bola na segunda trave, Teze cabeceou para o meio da pequena área e viu Pacho afastar. Ela voltou de novo para ele, que cruzou na medida para Nazinho testar consciente e deixar tudo igual.

A partir daí, o jogo ficou completamente aberto e a trocação entre os ataques tomou conta. Em um desses contra-golpes, os visitantes conseguiram a virada. Zakaria arrancou, Vitinha tirou parcialmente e a bola sobrou com Golovin, que serviu Idumbo pelo lado esquerdo da grande área. O francês encheu o pé, venceu Safonov e colocou o Monaco na frente.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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