Futebol francês

Filipe Luís: ‘O jogo ofensivo do Monaco estava caótico demais. Senti um pouco de desespero’

Brasileiro reconheceu perda de organização na partida contra o Lille, que terminou em 1 a 1, e viu sequência sem vitórias na Ligue 1 chegar a três jogos

Filipe Luís não escondeu a frustração com o desempenho do Monaco no empate por 1 a 1 com o Lille, neste domingo (25), pela oitava rodada do Campeonato Francês. Depois de um primeiro tempo em que a equipe teve dificuldades para construir jogadas e sofreu um gol, o treinador brasileiro admitiu que seus jogadores perderam a calma e se desorganizaram na tentativa de reagir.

“Nosso jogo ofensivo estava caótico demais, muito confuso, e, após o gol sofrido, senti um pouco de desespero, sendo que ainda restavam 70 minutos de jogo. Naquele momento, perdemos a calma”, afirmou o técnico em entrevista após a partida.

O resultado ampliou para três jogos a sequência sem vitórias do Monaco na Ligue 1. Depois de empatar com o Toulouse por 2 a 2 e perder para o Lorient por 1 a 0, a equipe voltou a tropeçar em casa, apesar de ter dominado o segundo tempo contra o Lille. O início de trabalho de Filipe Luís havia sido promissor, com quatro vitórias nos quatro primeiros compromissos oficiais, mas o treinador agora enfrenta seu primeiro período de maior instabilidade no futebol francês.

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Filipe Luís vê Monaco perder organização e calma no ataque

A principal insatisfação de Filipe Luís esteve na maneira como o Monaco tentou buscar o empate durante a primeira etapa. Embora tenha considerado que a equipe manteve certa agressividade sem a bola, o brasileiro apontou falhas de posicionamento e falta de coordenação no momento de atacar.

“Fomos agressivos na pressão e na defesa. Depois, perdemos o Ansu [Fati], e não fizemos o necessário para desestabilizar a defesa deles com a bola. Não atacávamos o espaço no momento certo, a coordenação não estava boa”, analisou.

O treinador assumiu a responsabilidade pelos problemas táticos e citou movimentações que, segundo ele, não estavam previstas no planejamento para a partida. Lamine Camara, Denis Zakaria e Mamadou Coulibaly não conseguiram manter sempre o posicionamento esperado, o que dificultou a organização coletiva e tornou as ações ofensivas mais previsíveis.

Filipe Luís, técnico do Monaco (Foto: Johnny Fidelin/Icon Sport)
Filipe Luís, técnico do Monaco (Foto: Johnny Fidelin/Icon Sport)

Filipe Luís não atribuiu os problemas aos jogadores e afirmou que a responsabilidade pela organização da equipe é sua. A declaração reforça a linha de autocrítica adotada pelo brasileiro, que preferiu discutir os ajustes necessários em vez de justificar o resultado apenas pela eficiência defensiva do adversário.

A reação veio depois do intervalo, quando o Monaco passou a ocupar mais o campo de ataque e encontrou melhores condições para pressionar. Edan Diop e Matthis Abline entraram no início da segunda etapa, mudanças que, na avaliação do treinador, ajudaram a equipe tanto na criação quanto na organização.

“Edan consegue entrar muito bem na área adversária. É um perfil box-to-box de que precisávamos para conseguir buscar o empate. Quanto à entrada do Matthis, precisávamos de mais movimentação na frente”, explicou.

Bom início dá lugar ao primeiro teste de consistência no Monaco

A sequência recente representa uma mudança em relação às primeiras semanas de Filipe Luís no comando da equipe. O brasileiro começou o trabalho com quatro vitórias consecutivas em todas as competições, incluindo triunfos sobre o Strasbourg e o Olympique de Marselha. O bom desempenho colocou o Monaco entre os primeiros colocados e alimentou a expectativa em torno do projeto do treinador.

Ansu Fati celebra gol pelo Monaco
Ansu Fati pelo Monaco (Foto: LiveMedia / Icon Sport)

O momento atual, no entanto, exige correções. O empate com o Toulouse, a derrota para o Lorient e o resultado diante do Lille mostram que o Monaco ainda busca regularidade no campeonato, mesmo quando consegue reagir durante as partidas. A vitória por 3 a 0 sobre o Freiburg, pela Conference League, entre os dois últimos tropeços na Ligue 1, também indica que a oscilação não se estende necessariamente a todas as competições.

Contra o Lille, a equipe terminou a partida em vantagem numérica e criou oportunidades para virar o placar, mas esbarrou na organização defensiva adversária e nas intervenções do goleiro Berke Ozer. O volume ofensivo da etapa final não foi suficiente para compensar as dificuldades apresentadas antes do intervalo. Para Filipe Luís, a saída passa por recuperar o controle sobre os aspectos do jogo que dependem diretamente do trabalho diário.

“Esta tarde marca o nosso terceiro jogo sem vitória na Ligue 1. Não conseguimos controlar tudo, mas podemos, no entanto, controlar a nossa forma de jogar, a nossa pressão, a nossa defesa ou a nossa construção de jogadas. Se melhorarmos em todos esses aspectos, teremos mais chances de obter resultados”, afirmou.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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