Esperança

Aleluia! Enfim a torcida do Grenoble comemorou uma vitória nesta temporada na Ligue 1. foram necessárias 15 rodadas para o GF 38 conhecer o gostinho de um triunfo. O 1 a 0 sobre o Toulouse no Stade des Alpes completa uma série invicta de quatro jogos (!). O lanterna do campeonato agora espera manter o ânimo para engatar uma incrível recuperação e evitar um rebaixamento praticamente anunciado desde os primeiros confrontos da equipe.
Por coincidência, a última vitória do Grenoble em casa foi em 18 de abril, contra o mesmo Toulouse. Para deixar a TFC ainda mais sentido, o gol da vitória do GF 38 foi marcado por Nicolas Dieuze, com importante passagem pelos Violetas. E foi com esta ‘punhalada pelas costas’ que o Toulouse viu o rival encerrar uma série de 20 partidas oficiais e 224 dias sem ganhar uma vez sequer.
Nos seus onze primeiros jogos na Ligue 1, o GF 38 só conheceu derrotas. Bastaram os primeiros pontos, entre eles um empate com o poderoso Lyon, para que o elenco começasse a pensar na possibilidade de salvação. Planos que se tornaram mais nítidos após o duelo contra o Toulouse, embora a caminhada do clube esteja ainda bem no começo.
Nos três empates, contra Monaco, Lyon e Lorient, o Grenoble mostrou alguns sinais de evolução. Com maior solidez e dinamismo entre defesa e ataque, o time aos poucos tirou o enorme fardo de entrar em campo já sabendo que a derrota o aguardava. Contra os Merlus, a certeza de que a vitória estava perto passou sob os olhos dos jogadores, mas esbarrou na péssima visão do árbitro que validou dois gols dos rivais em lances claros de impedimento.
A diferença para o Saint-Etienne, primeiro time fora da zona de rebaixamento, é de apenas nove pontos. Pouco, levando-se em consideração que o torneio nem chegou à metade. Para o Grenoble, a vitória diante do Toulouse teve impacto libertador, pois o time deixou para trás o rótulo de ‘ridículo’. Com a recuperação do moral, o GF 38 aos poucos pode muito bem sair do fundo do buraco.
Já o Lyon segue meio capenga, mas seus jogos primam pelas fortes emoções. Primeiro, foi o incrível empate por 5 a 5 com o Olympique de Marselha. Agora, os lioneses permitiram uma impressionante virada do Lille, que venceu por 4 a 3 após estar com uma desvantagem de 3 a 1 no placar. O resultado apenas comprova o momento de estagnação vivido pelo OL, com uma exagerada dependência em torno de Lisandro López.
Mais uma vez, o argentino se desdobrou para jogar por ele e por seus companheiros de ataque. López fez três gols nas três únicas jogadas perigosas armadas pelo OL. O Lyon teve a chance de matar o jogo nos contra-ataques, mas outra vez pecou na falta de criatividade de seu meio-campo, sem qualquer agressividade. Para completar o quadro de desgraça, a defesa entregou o ouro, com a cereja no bolo colocada por Clerc nos acréscimos.
Claro, o Lille teve grandes méritos por nunca desistir – o que se traduz na incansável figura de Gervinho. No Lyon, a sonolência contaminou até mesmo Pjanic, que teve uma brusca queda de rendimento nas últimas partidas. O OL entrou em um marasmo que certamente prejudicará todo o seu planejamento para a temporada, não apenas na Ligue 1 como na Liga dos Campeões.
A apatia lionesa terá como rival na rodada seguinte o Bordeaux. Os girondinos bateram o Paris Saint-Germain por 1 a 0 sem brilho, mas contaram com o retorno de Gourcuff. O meia, recuperado de lesão, atuou mais recuado do que de costume, com Plasil exercendo a função de número 10. Mesmo assim, foi o suficiente para superar o time da capital e continuar na liderança. No duelo direto contra o OL, os Marine et Blanc chegam com uma consistência bem maior e têm a chance de abrir uma distância bastante confortável para um de seus maiores concorrentes na disputa pela taça.
Sorteio nada favorável
Os brasileiros torciam para que a França não caísse no mesmo grupo da Seleção. A ‘corrente’ deu certo – ou, melhor, errado para os Bleus. O time comandado por Raymond Domenech pegou uma chave encardida, com África do Sul, Uruguai e México, em uma disputa que se mostra completamente aberta pelas duas vagas para as oitavas de final. Adversários que fizeram até o sorriso de Charlize Theron desaparecer.
Poderia ser bem pior, pois a França teria chances de enfrentar Brasil, Espanha, Argentina, Inglaterra, Alemanha, Holanda ou a carrasca Itália. No entanto, pegou o cabeça de chave mais frágil de todos, que terá como único mérito jogar diante de sua torcida. Encarar as chatas vuvuzelas parece ser o de menos para os Bleus, mas isso não significa dizer que os Bafana Bafana estão fora da disputa.
O retorno de Carlos Alberto Parreira ao comando da equipe, no lugar de um desgastado Joel Santana, mexeu com os ânimos da equipe. Embora tenha visto a seleção empatar seus dois primeiros jogos sob seu comando, Parreira transmite uma segurança muito maior aos jogadores, por já estar acostumado com a forma de tratamento local. Isso se reflete em campo, bem ao contrário do estilo ‘tiozão do churrasco’ de Joel e seu inglês embromation.
O Uruguai lembra a humilhante Copa de 2002. Aquele empate sem gols, que ajudou a França a cair ainda na primeira fase, não deve ficar muito longe do novo embate entre as duas seleções azuis. Embora conte com Forlán, não se deve esquecer que o atacante sente o peso das fracas atuações do Atlético de Madrid. A Celeste Olímpica compensa com sua garra onipresente – aliada à passividade do ataque dos Bleus, dá para se ter uma ideia do que esperar do encontro entre as equipes.
Já o México nunca venceu a França. Em Copas, os mexicanos jogaram três vezes contra os Bleus, com duas derrotas, um empate e oito gols sofridos. A seleção, outrora dominante na Concacaf, tem se mostrado irregular – e sem contar o velho clichê de a equipe sempre refugar na disputa de um Mundial.
Os Bleus caíram em um dos grupos mais equilibrados da Copa-2010, mas calendário de jogos se tornou interessante para a equipe. A anfitriã África do Sul, em teoria o time em um nível um pouco abaixo dos demais integrantes da chave, será a última adversária dos franceses – isto evita com que o time de Domenech pegue a empolgação inicial da torcida. As chances de classificação para as oitavas são razoáveis, desde que o treinador não invente das suas, mas aí seria pedir demais.



