França

Em queda livre

O Olympique de Marselha tinha toda a chance de assumir a liderança da Ligue 1. Um dia antes, o Lyon empatara sem gols com o Auxerre fora de casa e abriu uma brecha para o OM. Só que a equipe de Eric Gerets tinha pela frente o clássico contra o Paris Saint-Germain. Mais uma vez, o Vélodrome viu os marselheses sentirem a pressão de sua torcida e sucumbiram diante de seu maior rival. Adeus liderança e invencibilidade no torneio.

A semana para o Olympique havia sido difícil. O clube perdeu para o PSV por 2 a 0 e viu suas chances na Liga dos Campeões se tornarem quase nulas. O PSG também vinha de uma derrota (o time se deu mal em sua visita ao Schalke 04 pela Copa Uefa), mas o técnico Paul Le Guen provou ter sido acertada sua decisão de mandar a campo uma equipe repleta de reservas em Gelsenkirchen. O clube da capital sobrou no segundo tempo, quando o Olympique pregou no gramado, e construiu sua vitória sem maiores problemas.

Na primeira etapa, o Olympique reagiu bem ao gol prematuro sofrido por Hoarau e conseguiu a virada. Gerets preferiu sacar alguns jogadores da equipe que não renderam tão bem nas últimas partidas. Zubar e Ziani aceitaram a reserva numa boa; o mesmo não ocorreu com Ben Arfa. E justamente a reação do meia demonstra como o espírito do OM anda abalado. O jogador simplesmente se recusou a se aquecer no segundo tempo e causou mal-estar na equipe. Embora tenha se desculpado com o técnico por seu gesto intempestivo, Ben Arfa havia contribuído para o fracasso marselhês.

Já Paul Le Guen preferiu apostar na qualidade ofensiva de sua equipe. O treinador escalou cinco jogadores de qualidades ofensivas e também contou com certa sorte. Foram quatro as chances reais de gol criadas pelo PSG, com aproveitamento total. Méritos principalmente para Hoarau, autor de dois gols, e que não se limitou apenas a esperar por lances no ataque. Ele ainda ajudou a marcação e foi peça crucial para o sucesso dos visitantes.

Enquanto teve pernas, o Olympique até teve uma posse de bola razoável, mas de nada adiantou diante da marcação forte exercida pelos rivais. Cana, a novidade no miolo da zaga, repetiu a atuação irregular dos outros zagueiros ali testados. Da mesma forma, Valbuena e Niang oscilaram demais, mesmo com Bourillon e Camara abaixo de seus melhores níveis. Sem fôlego, pressionado e oferecendo todos os espaços do mundo para os contra-ataques, o OM permitiu nova reviravolta no placar e amargou sua primeira derrota no campeonato – além da polêmica com Ben Arfa revelar um ambiente longe de uma fraternidade.

Quando mais precisava de um bom resultado para recuperar seu ânimo em um momento delicado da temporada, o Olympique fez água mais uma vez e em pleno Vélodrome. De novo, o OM deixa nítida sua falta de equilíbrio, principalmente quando atua em casa, embora este problema tenha se repetido há tempos sem ser corrigido. Sem ter muito a esperar na LC e com as chances desperdiçadas agora na Ligue 1, o time corre o risco de comprometer seu final de ano e ser obrigado a buscar uma reação tardia, quando poderia estar em situação bem mais confortável. Até porque o Lyon não deve oferecer mais tantas oportunidades assim.

Por falar no OL, a equipe somou apenas dois pontos em suas três partidas mais recentes no torneio. Mesmo assim, os lioneses seguem no topo da tabela, apesar de todos os seus problemas. No 0 a 0 com o Auxerre, a dupla de zaga formada por Cris e Boumsong deu claros sinais de desentrosamento, com problemas na cobertura e condições físicas discutíveis. Pode-se culpar o cansaço provocado pelo ritmo do duelo contra o Steaua Bucareste no meio da semana, mas alguns outros pontos merecem uma reflexão mais cuidadosa.

Por exemplo, Benzema foi obrigado a recuar demais para buscar jogo, para compensar o excesso de individualismo de Källström e Éderson. Keita, que poderia desafogar o meio-campo, foi pouco acionado. Para completar, o Lyon estava torto, procurando apenas o lado esquerdo para jogar. Para sorte de Puel, o OL aproveita a folga garantida pelo ótimo desempenho nas primeiras rodadas para dar suas engasgadas. Elas só não devem se tornar mais freqüentes do que deveriam.

Adeus, LC

Em três jogos na Liga dos Campeões, o Olympique colecionou um vexame atrás do outro. O time conseguiu perder seus três confrontos do primeiro turno, até mesmo para um fraco PSV. Sem pontos e sem a menor perspectiva de se classificar para as oitavas-de-final, o clube corre o risco de nem se consolar com a possibilidade de disputar a Copa Uefa. Em Eindhoven, o OM demonstrou não ter ânimo para reagir e se apagou no segundo tempo. Exatamente como suas chances de fazer um bom papel em competições européias nesta temporada.

No primeiro tempo, os marselheses até exerceram uma pressão sobre os donos da casa, com um 4-5-1 mais ofensivo (com Valbuena no lugar de Ziani no meio-campo). Uma postura necessária, devido à tática do PSV de se encolher em sua defesa e tentar alguma coisa nos contra-ataques. Estaria tudo muito bem se o Olympique não esquecesse sua coragem nos vestiários do Philips Stadium.

Bastou um pouco de ação por parte dos anfitriões para a defesa marselhesa desmoronar. Da mesma forma como desde o começo da temporada, o Olympique bobeou em um lance de bola parada. Desta vez, um erro de marcação em uma cobrança de escanteio permitiu a Koevermans abrir o placar. Zubar, de novo, está na berlinda por conta de falhas de posicionamento neste tipo de lance. O pior é olhar para o elenco do OM e ver que não há uma opção muito melhor, como se viu no duelo seguinte contra o Paris Saint-Germain, na Ligue 1.

Incomoda a passividade com a qual o Olympique entra em campo na LC. A equipe não consegue sair de um padrão de jogo estático, com poucas variações de jogadas e, portanto, bastante previsível. Quem deveria fazer a diferença, como Ben Arfa, Niang, Ziani e Koné, esteve em uma outra dimensão, bem distante de Eindhoven. Contra um adversário que exibiu quase nenhuma qualidade, o OM tinha a obrigação de buscar um resultado melhor.

Em um confronto de duas equipes com futebol ruim, ganhou quem acertou ao menos alguma coisa. Méritos do PSV, que tentou fazer algumas jogadas pelas laterais e contou com a ajuda de Taiwo. O nigeriano, como sempre, fez a alegria do adversários pela direita, ao deixar uma avenida em suas costas. Um erro há tempos apontado, mas sem o menor sinal de correção.

A chance do OM em competições européias se concentra na chance de disputar a Copa Uefa. Para isso, precisa de um pequeno milagre: não se deixar abater pela derrota no clássico para o PSG e ter mais cuidado com sua defesa. Pode não servir para erguer o título da LC, mas estará de bom tamanho para enfrentar o PSV no Vélodrome, o desafio real do Olympique.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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