Em águas calmas

O Debrecen havia deixado a impressão de que complicaria a vida dos demais integrantes do grupo E da Liga dos Campeões ao vender caro a derrota por 1 a 0 para o Liverpool, em Anfield. O Lyon foi para a Hungria preocupado, ainda mais por não contar com dois de seus principais nomes – Michel Bastos e Lisandro López. No entanto, o fantasma que se mostrava assustador passou bem longe de Budapeste.
Melhor para o OL, que conseguiu sua segunda vitória na fase de grupos da LC, segue com 100% de aproveitamento na competição e deixou bem encaminhada sua passagem para as oitavas-de-final. Diante de um adversário desorganizado na defesa, os lioneses tiveram pouco trabalho para abrir uma vantagem de três gols em apenas 24 minutos – todos os lances com origem em uma bola parada.
Outra coincidência nos gols marcados nesta blitz está em Pjanic. O jovem meio-campista esteve presente em todos – guardou o seu em uma cobrança de falta e participou dos outros dois, nascidos em cobranças de escanteio pela esquerda. Com o mesmo número 8 usado por Juninho Pernambucano, já há quem o compare ao brasileiro, especialmente por sua importância em bolas paradas.
Pjanic fez um grande jogo, é verdade, mas o Lyon desde já demonstra um perigoso excesso de dependência do jogador. Adotar esta tática se mostra um perigo, ainda mais quando se trata de um jovem com uma oscilação normal de uma partida para outra. Seria bom o OL explorar com maior frequência outras variações de jogadas para não ficar tão manjado. Ou pior, queimar um talento.
Voltando a falar do jogo em si, o Debrecen praticamente não mostrou a que veio. Prova disso está na jogada do terceiro gol lionês, na qual a defesa do clube húngaro apenas assistiu o OL tocar sem pressa, como se fosse um treino coletivo para corrigir posicionamento. O Lyon nem precisou forçar tanto para construir sua vitória e ainda se deu ao luxo de poupar alguns jogadores no segundo tempo.
O Lyon cumpriu com louvor seu dever de casa: venceu seus dois primeiros jogos e ganhou moral para enfrentar o Liverpool, bicho-papão da chave que já caiu diante da Fiorentina e parece estar em um plano mais acessível. Com moral elevado diante de um adversário cambaleante, as chances de garantir uma classificação antecipada aumentam. Cabe ao OL buscar o equilíbrio para, enfim, trilhar um caminho seguro na LC.
Altos e baixos
O Olympique de Marselha ostentava uma marca invejável na Ligue 1. Desde fevereiro, a equipe não perdia como visitante na competição. O Valenciennes foi o responsável pela quebra desta sequência invicta do OM ao bater o rival por 3 a 2. O mesmo VA de tantas lembranças (ruins) para o clube… No Nungesser, os marselheses apenas constataram algo que vem se tornando uma constante em suas últimas partidas, e que se tornou motivo de preocupação para o treinador Didier Deschamps.
A defesa se mostrava sólida no começo da temporada, com apenas dois gols sofridos nos quatro primeiras rodadas. A instabilidade do setor logo se confirmou nos jogos seguintes, quando o OM sofreu cinco gols em duas partidas (sem contar a derrota por 2 a 1 para o Milan na Liga dos Campeões) e, por consequência, perdeu o contato com o líder Bordeaux. Contra o Valenciennes, os erros defensivos custaram uma vitória desenhada, pois o time ficou duas vezes em vantagem no placar e levou a virada nos minutos finais.
Diante do VA, Deschamps escalou Cheyrou e Cissé na proteção à defesa. A falta de entendimento entre os dois complicou a vida da zaga. Ambos encontraram dificuldades para se posicionar, o que deixou os atacantes do Valenciennes mais soltos. Com espaços de sobra dados aos rivais, eles ainda foram pouco eficientes no combate, o que prejudicou a ligação com o meio-campo e o ataque. Ou seja: sem a posse de bola, nada funcionou bem para os marselheses.
O treinador ainda havia mandado a campo três atacantes (Brandão, Niang e Morientes), em uma aposta ousada. Como o brasileiro mais uma vez ficou devendo, Deschamps ainda tentou corrigir ao armar um 4-4-2, com as entradas de Valbuena e Ben Arfa. As mudanças de nada adiantaram. Isso sem contar as falhas defensivas em jogadas de bola parada, como nos gols de Bisevac e Rafael.
E é com todos estes problemas que o Olympique visita o Real Madrid pela Liga dos Campeões. Com a necessidade de se recuperar após a derrota em casa para o Milan, o OM parece ter pouca resistência para colocar alguma dificuldade para os Merengues em pleno Santiago Bernabéu – ainda mais se levarmos em conta a excelente fase apresentada por Cristiano Ronaldo, Kaká e os demais galácticos.
Enquanto os marselheses estão em baixa, o Sait-Etienne aos poucos se recupera de seu péssimo início de temporada. O ASSE perdeu seus três primeiros jogos na Ligue 1; em cinco rodadas, foram quatro reveses. No entanto, o clube iniciou uma rápida progressão na tabela e já deixou a zona de rebaixamento. Parecia que o pesadelo de 2008/09 continuava a ser vivido pelos Verdes.
Os problemas ofensivos eram latentes por conta da saída de Gomis e da lesão de Ilan. Em cinco rodadas, o ASSE havia marcado apenas dois gols. A diretoria resolveu colocar a mão no bolso e gastar € 10 milhões para trazer Boubacar Sanogo e Gonzalo Bergessio. A aposta deu certo. Passado o período necessário de adaptação, os dois logo começaram a mostrar seu trabalho.
Em apenas uma semana (e três partidas), o Saint-Etienne empatou com Auxerre (1 a 1) e ganhou do Nice (4 a 1 pela Copa da Liga) e Monaco (2 a 1). Sanogo fez dois gols; Bergessio foi às redes quatro vezes e ainda deu uma assistência. Após o fracasso em sua passagem pelo Benfica, o atacante argentino foi para o San Lorenzo, destacou-se novamente e, nas últimas horas da janela de transferências aberta, foi contratado pelos Verdes.
Bergessio, desconhecido pela torcida, logo se entendeu com o marfinense Sanogo. Ambos possuem estilos de jogo que se complementam e estão em evolução. Os torcedores até começam a se esquecer de Gomis, contratado pelo Lyon, e celebram o ressurgimento da equipe no campeonato. Pelo menos, eles aumentaram a esperança de que o ASSE não os faça sofrer tanto como na temporada passada.



