Deixa o OM trabalhar

O Olympique de Marseille deu provas reais de que vem com tudo para atropelar neste fim de temporada. A conquista do título da Copa da Liga Francesa apenas ratifica o excelente momento vivido pelo clube e lhe dá ainda mais forças na disputa com o Lille pela liderança da Ligue 1. A vitória por 1 a 0 sobre o Montpellier na decisão, porém, ficou em segundo plano diante de um fato polêmico.
Taye Taiwo passou de herói a vilão em um intervalo muito curto. O lateral esquerdo, autor do gol que deu a taça ao OM, pegou o microfone durante a comemoração e ajudou os torcedores a cantar uma música nada agradável para provocar o Paris Saint-Germain: “Os marselheses vão à Paris para f… o PSG”. Um grito até normal para torcedores, mas que pegou muito mal por ter sido incentivado por um jogador.
Seria muito diferente se Taiwo fizesse alguma declaração provocativa, mas repleta de ironia (algo como “o PSG não vê isso faz tempo”). O nigeriano passou dos limites e sabe bem disso – tanto que pediu desculpas por sua atitude. De nada adiantou, porém. A Ligue de Football Professionel (LFP) já abriu uma investigação para analisar o incidente. A Comissão Nacional de Ética pediu ao jogador para que se explicasse.
Taiwo deveria ter um pouco mais de responsabilidade antes de pensar no que faz. Além de acirrar uma rivalidade que já anda quente nos últimos tempos, o lateral deve prejudicar o OM em um momento decisivo. Afinal, ele corre o risco de ser suspenso e aumentar a lista de desfalques da equipe, algo que tem atormentado o treinador Didier Deschamps. O atacante Loïc Rémy cumpre suspensão e o meio-campista Stéphane M’Bia, lesionado, deve ficar afastado dos gramados de duas a três semanas.
Polêmicas à parte, o Olympique de Marseille parte com força total para cima do Lille e tomar a liderança da Ligue 1. O LOSC dá sinais claros de que a máquina está emperrada, como ficou claro no empate por 1 a 1 fora de casa com o Lorient. Foi o terceiro jogo consecutivo sem vitórias dos Dogues, que já foram ultrapassados pelos marselheses, que derrotaram o Nice por 4 a 2 no meio da semana.
O Lille não soube canalizar a motivação trazida pela classificação na Copa da França. Em vez de usá-la como trunfo, o LOSC guardou-a em um baú bem escondido no sótão. Diante do Lorient, o empate por 1 a 1 caiu do céu como um milagre. Mais uma vez, a defesa dos Dogues deixou a equipe na mão, e Mickaël Landreau precisou se multiplicar para evitar um resultado mais desastroso ainda.
A ausência de Florent Balmont tem sido um tormento para o Lille. O técnico Rudi Garcia percebeu o desequilíbrio inicial do time e tentou mudar o panorama com a entrada de Gueye no segundo tempo. Isso permitiu a Debuchy e Béria atuarem em suas posições de origem, mas não significou uma grande mudança. O LOSC continuou inofensivo, algo que já se tornou comum em seus últimos jogos, e caminha firme para uma das maiores frustrações de sua história.
O OM repete a fórmula da última temporada, quando teve uma arrancada espetacular nas últimas rodadas da Ligue 1. na ocasião, foram oito vitórias em dez partidas. O time agora busca confirmar sua fama de time de chegada. Embora o jogo contra o Nice no Vélodrome tenha tido um gosto de ressaca pela conquista da Copa da Liga, o OM segue impossível. Em estado de graça, ninguém segura o Olympique.
Boas vindas no principado
Se a disputa pelo título francês se mantém acirrada, o mesmo pode ser dito da luta contra o rebaixamento. Com exceção do Arles-Avignon, rebaixado desde a primeira rodada, até mesmo o Brest, que está no meio da tabela, tem motivos para se preocupar. Na 32ª rodada da Ligue 1, porém, um time teve motivos de sobra para comemorar. O Monaco, enfim, respira um pouco mais aliviado.
Em um fim de semana marcado pelos empates (foram seis em oito partidas), o ASM foi a única equipe da parte de baixo da tabela a conquistar uma vitória. O time, que tem dado sinais de reação em seus últimos jogos, obteve um triunfo crucial sobre um Rennes cada vez mais trepidante. Os bretões, que tinham até chances de lutar pela taça, somaram apenas dois dos últimos 18 pontos que disputou.
Contra o Rennes, brilhou a estrela de um desconhecido, cujo nome se encaixa muito bem com a façanha protagonizada por ele. Georgie Welcome, que chegou ao Monaco nesta temporada, mostrou realmente ser muito bem-vindo (desculpem, leitores, mas o trocadilho estava fácil demais). Seu primeiro gol com a camisa do time do principado foi essencial para o ASM ganhar força na briga contra o descenso.
Caen, Lens, Auxerre e Nancy (que conseguiu a façanha de não bater o Arles-Avignon) patinaram. O Monaco aproveitou os empates dos rivais para, com 38 pontos, abrir uma distância pequena, mas importante, para o bloco dos rebaixados. São apenas dois pontos, mas essenciais para dar aquele sopro de confiança a um elenco limitado e que pouco mostrou durante a temporada.
Pela primeira vez desde a oitava rodada, o Monaco aparece na 15ª colocação. Como as projeções indicam que a barreira dos 43 pontos será suficiente para evitar o rebaixamento, o ASM tem totais condições de atingir seu objetivo. Por outro lado, o Lens está cada vez mais perto de selar seu retorno à Ligue 2 e fazer companhia ao Arles-Avignon.
Os Sang et Or tiveram o domínio das ações diante do Auxerre, rival direto contra a queda. Mesmo jogando fora de casa, o Lens tinha totais condições de ir além do empate por 1 a 1 registrado no Abbé-Deschamps. Em seus dois últimos duelos, o time deixou escapar quatro preciosos pontos. Agora, precisa fazer o que não fez até aqui no campeonato: conquistar, no mínimo, 13 pontos nas seis rodadas finais. Para quem está oito pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento e sem um pingo de criatividade, parece ser mesmo um sonho impossível de se concretizar.
Com a queda do Lens praticamente encaminhada, resta saber quem será o último a garantir seu passaporte para a Ligue 2. O Auxerre sofre com a enxurrada de desfalques importantes (como Pedretti e Ndinga), o que se reflete em seu estilo de jogo dominado por uma pobreza absoluta de opções ofensivas. O Nancy teve superioridade numérica durante 80 minutos e nem assim foi capaz de derrotar o saco de pancadas Arles-Avignon – o que, por si só, já o colocaria como um dos fortes candidatos à degola.
O Caen, que hoje ocupa a 18ª posição, poderia se gabar de uma situação um pouco menos complicada se não fosse prejudicado pelo árbitro no empate por 1 a 1 com o Toulouse. Só ele viu um pênalti a favor do TFC, convertido por Moussa Sissoko. O SMC, ao menos, quebrou sua série de três derrotas. Ainda assim, parece ser muito pouco para quem deseja continuar na elite na próxima temporada.



