França

Decisão acertada

Laurent Blanc deu seu veredito: Yoann Gourcuff está fora da Eurocopa. Prevaleceu a lógica de deixar o meia do Lyon fora do torneio continental, muito embora ele tenha sido titular no amistoso contra a Islândia. O treinador dos Bleus deu ouvidos à razão e preferiu não correr riscos com um jogador que acabou de se recuperar de problemas físicos e fez pouquíssimas partidas após seu retorno. Prevaleceu o bom senso.

Blanc aguardou até o último minuto para não sofrer surpresa alguma por lesão. Se já não era boa ideia relacionar Gourcuff na pré-lista dos convocados para a Euro, o treinador teve a convicção de que ainda vai demorar algum tempo para recuperar a confiança no meia. Como na maioria de suas partidas pelo Lyon, Gourcuff teve uma atuação bastante discreta, sem exercer o essencial que dele se espera: ser um foco de criatividade no meio-campo.

Todas as chances foram dadas a Gourcuff, até de forma exagerada. Blanc ainda acreditava em seu ex-pupilo, que pelo visto tem muitos créditos para gastar. Só que o técnico se rendeu aos fatos e percebeu que o estado físico e psicológico do jogador está em um nível abaixo do exigido para a disputa de uma competição tão importante como a Euro. Prova, também, que Gourcuff continua refém de sua inconstância, pois alternou bons jogos no fim da temporada pelo OL, mas refugou na hora que mais precisava provar sua capacidade.

O mais curioso foi ouvir a declaração de Blanc sobre os cortes. O treinador disse que a partida contra a Islândia não influenciou em nada sua decisão. Em outras palavras, todo o processo da possível presença de Gourcuff na Euro poderia ser evitado desde o princípio. Todo o desgaste, as discussões e a tensão no grupo seriam bem menores se o meia já ficasse fora da equipe e o treinador não lhe desse falsas ilusões.

O outro cortado do grupo previamente relacionado não trouxe grandes surpresas. A convocação de Mapou Yanga-Mbiwa havia sido um prêmio por sua bela temporada no Montpellier. O defensor foi chamado para cobrir a ausência do lesionado Younès Kaboul, mas teve pouco tempo para tentar convencer Blanc a levá-lo. Claro que não dá para disfarçar o sentimento de frustação dele, mas Yanga-Mbiwa certamente terá mais chances na seleção. Foi apenas um cartão de visitas para que ele sinta como é fazer parte dos Bleus.

A ousadia de Blanc foi justamente notada no miolo da zaga. O treinador preferiu levar apenas três jogadores naturais da posição: Rami, Mexès e Koscielny. Caso haja necessidade, Alou Diarra será deslocado para o setor. Teria sido melhor levar outro zagueiro e não correr o risco de improvisar em uma emergência, por mais que Diarra tenha plena capacidade de exercer esta função.

Virada e preocupação

Em Valenciennes, a França conseguiu a façanha de tomar dois gols da Islândia em pouco mais de meia hora de jogo. A série invicta de 18 jogos parecia ameaçada diante de um adversário de nível discutível e os Bleus estavam fadados ao fracasso. Enquanto Blanc diz não ter preocupações com sua defesa, a prática mostrou uma realidade bem diferente da tranquilidade exibida pelo treinador.

A Islândia entrou em campo disposta a se defender, mas soube aproveitar muito bem suas subidas ao ataque. Os visitantes identificaram rapidamente o ponto frágil da defesa francesa e o exploraram com sucesso. O lado esquerdo da defesa, com Evra e Mexès, revelou uma passividade alarmante – principalmente com o primeiro, perdido em campo. A França até tentou compensar abrindo o jogo pelas pontas, mas logo caiu naquele rame-rame com um estilo arrastado e sem um pingo de imaginação.

Muito dessa falta de agressividade se deve à atuação decepcionante de Gourcuff. Mesmo que o meia tenha sofrido uma pancada no tornozelo, isso não o redime. Para quem sonhava em jogar a Euro e precisava calar os críticos, Gourcuff apenas deu mais argumentos para justificar sua ausência da lista final de Blanc.

O panorama só mudou no segundo tempo, quando Blanc fez várias mudanças na equipe. Benzema, bastante isolado na primeira etapa, agora tinha um pouco mais de companhia na hora de finalizar. Foi assim que saiu o gol marcado por Debuchy. O que foi um time sem coesão nos 45 minutos iniciais tornou-se uma equipe mais organizada e objetiva, mas longe de merecer uma boa avaliação.

Ribéry, enfim, acabou com o jejum de gols pela seleção que durava desde abril de 2009 e empatou aos 40min. Dois minutos depois, Rami também deixou sua marca, virou e definiu a vitória dos donos da casa. Em comum nos dois lances está a participação decisiva de Olivier Giroud. O atacante do Montpellier começou no banco de reservas, mas sua entrada em campo deu mais variedade de jogadas ofensivas.

A França terminou a partida com um 4-3-3 bem mais equilibrado do que no começo, com Malouda e Ribéry também responsáveis por dar maior fluência de jogo à equipe. No ataque, Benzema precisa urgentemente ter alguém com quem jogar e não ficar tão visado. Giroud, artilheiro da Ligue 1, mostrou que pode ser uma opção interessante e realizou muito bem o papel de pivô.

Justiça seja feita, não foi apenas Gourcuff quem emperrou o meio-campo azul. Samir Nasri também deixou a desejar. Quando deveria ser uma alternativa ao meia do Lyon, ele se omitiu. Blanc ainda conta com Martin para a criação, o que pode se tornar uma solução a curtíssimo prazo. A poucos dias da estreia da Euro e em um grupo complicado, os Bleus mostram que ainda precisam de ajustes sérios, algo desanimador para quem espera uma campanha digna para apagar o fiasco visto na África do Sul.

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