‘Por que não?’: Ex-Flamengo quer ajudar projeto ambicioso do Paris FC com meta ousada
Em entrevista exclusiva à Trivela, o zagueiro brasileiro revela detalhes e frustrações envolvendo sua saída do rubro-negro
Otávio foi um dos destaques da histórica classificação do Paris FC sobre o rival Paris Saint-Germain, na última segunda-feira (12) pela Copa da França. Mas, antes de se tornar a contratação mais cara da história do vizinho “tímido” do PSG, já pensou até em desistir do futebol.
Em entrevista exclusiva à Trivela, o zagueiro brasileiro revela detalhes e frustrações envolvendo sua saída do Flamengo, a ida ao Porto que quase foi à Premier League e como o projeto ambicioso do Paris o convenceu a ir ao time recém-promovido à Ligue 1.
Como um ‘time desconhecido’ fez Otávio ser sua maior contratação da história
Aos 23 anos, Otávio vinha de uma eliminação frustrante no Mundial de Clubes com o Porto. Na volta a Portugal, o presidente do clube, André Villas-Boas, chegou com a novidade: “Temos uma proposta de um clube que acabou de subir da segunda divisão na França”.
— Chegando em casa, meu empresário me ligou. A gente conversou melhor, ele me contou do projeto (do Paris) e eu gostei bastante. Mesmo que no momento eu não conhecesse o time — revela o zagueiro à reportagem.
A partir do momento que soube do interesse parisiense, Otávio pesquisou sobre o clube que estava interessado nele — o qual, inclusive, sequer havia ouvido falar. Perguntou a amigos dos tempos de Famalicão, que também tinham jogado na França. E o que ouviu ajudou no processo de convencimento: soube que era um bom clube e que estavam se reinventando com um projeto novo.

Para ele, o projeto oferecido pelo clube “foi incrível”. Otávio reforça que foi bem recebido e todos estavam sempre disponíveis para ajudá-lo, principalmente por conta da barreira linguística.
— O grupo tem um projeto e o clube também tem um projeto muito ambicioso. E acredito que no final da temporada, a gente vai conseguir bater as metas do clube e os nossos objetivos também como grupo — afirma.
Em termos quantitativos, o projeto é claro, e principalmente a curto e médio prazo: à Trivela, Otávio revela que a ideia do Paris FC é brigar entre as cabeças no futebol francês.
— O projeto que eles têm para daqui, por exemplo, dois ou três anos, é estar disputando Champions League, batendo de frente com o PSG. E vai que daqui dois anos ou na próxima temporada a gente consiga uma vaga na Champions, ou porque não talvez o título do Campeonato Francês.
E ser o jogador mais caro de todos os tempos no seu clube tem seu peso. Otávio até tentou disfarçar inicialmente, mas depois que começou a jogar, sentiu. Principalmente nos momentos de cobrança.
— Depois dos três, quatro jogos, eu senti que, sendo a contratação mais cara, eu tinha que mostrar mais, tinha que estar mais concentrado, mostrar mais no dia a dia, dar exemplo. E hoje já não sinto mais, já estou aliviado com isso — desabafa o zagueiro.
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Paris x PSG: uma rivalidade muito maior do que se imagina
Otávio ainda é novo na capital francesa. Em tom de lamentação bem humorada, diz que ainda não foi à Torre Eiffel e nem conheceu a Disney de Paris. E que conheceu de fato a rivalidade local só recentemente.
Foram dois clássicos seguidos entre Paris e PSG: primeiro pela Ligue 1, com vitória dos gigantes por 2 a 1, depois na classificação por 1 a 0 na Copa da França. Foi nessa sequência que o zagueiro sentiu na pele uma rivalidade que nem ele esperava.
— Eu não conhecia muito, não sabia como era. Para mim, a rivalidade parece mais com o Corinthians e Palmeiras. Nesse nível. A gente eliminou eles e foi uma festa incrível, no vestiário estavam todos felizes — revela.

Apesar da festa na vitória e a comoção externa, o zagueiro reforça que a preparação para o clássico não se torna especial por isso. “Só mudamos a forma de defender, que jogamos com o linha de cinco, e normalmente a gente joga com linha de quatro”.
Se preparar contra o Paris Saint-Germain, inclusive, pode até ser uma tarefa menos trabalhosa. Otávio reforça como é uma equipe mundialmente conhecida e acompanhada de perto — até mesmo individualmente. “A minha preparação foi normal, só que tive que olhar bastante vídeo, porque tinham jogadores muito rápidos e habilidosos, então, foi um pouco complicado”, brincou.
Antes do glamour de Paris: frustração no Flamengo e ‘quase’ na Premier League
Foi aos 13 anos que Otávio chegou ao Flamengo. Passou pelas categorias de base até receber sua primeira chance em um duelo histórico contra o Palmeiras: o “jogo da Covid”, em 2020, quando diversos titulares estavam infectados. O empate nesse jogo, inclusive, garantiu a diferença na pontuação para o título do Rubro-Negro no Brasileirão.
A estreia, sob o comando de Domenèc Torrent, não significou sequência. O zagueiro foi emprestado ao Sampaio Corrêa, onde também não conseguiu performar, e até pensou em desistir da carreira:
— Quando eu fui para o Sampaio Corrêa, fiquei um pouco frustrado porque eu tinha acabado de estrear e não entendi o porquê não tive sequência. Depois, chego no Sampaio Corrêa e também não jogo, e ali que bate um pouco da realidade do futebol. Bateu uma frustração grande, e tu chega lá e não consegue jogar. Eu estava querendo desistir. Falei: ‘Se eu não jogo aqui, eu não vou conseguir jogar em nenhum lugar.
Felizmente, Otávio estava errado. Conseguiu jogar no Famalicão, emprestado, e seu destaque o levou ao Porto, onde garantiu a titularidade rapidamente. Mas quase o Porto foi trocado pelo futebol inglês.
𝐃𝐞 𝐒𝐚̃𝐨 𝐏𝐚𝐮𝐥𝐨 𝐚̀ 𝐏𝐚𝐫𝐢𝐬 🇧🇷🇫🇷
Revivez les premières minutes d'Otávio lors de son arrivée au Groupe ADP centre d’entraînement Paris FC.
Bem-vindo @AtaideOtavio ✨
🔵⚪️ #CertifiéParis #ParisFC pic.twitter.com/1J7wDFct9N
— Paris FC (@ParisFC) July 28, 2025
O jovem mal sabia do interesse portista na época. “Me mandaram ir lá para o Porto, para poder assinar um contrato. E eu sem saber de nada. Só foi uma ligação, meu empresário falou: ‘Vai lá’. E eu não pensei duas vezes. Era a oportunidade da minha vida”, lembra.
Mas o “sim” repentino ao Porto veio depois de um “quase” na Premier League, como o zagueiro revelou à reportagem. “Tinha outra proposta, mas acho que o time já tinha contratado muitos jogadores na época, que era o Nottingham (Forest). E se eles contratassem mais um, acho que perderiam ponto, pelo fair-play financeiro”.
— Eu preferia ir para a Premier League, mas como o Porto estava mais certo e é um clube muito grande, fui. E a Champions League, que joguei com eles, me mostrou para o mundo todo. Foi o clube que me deu uma oportunidade.
Mesmo sem ir ao futebol inglês, que coloca como sonho na carreira, o jovem zagueiro vê na França um estilo muito próximo da Premier League. Em sua análise, a Ligue 1 é um campeonato que exige muito do físico e da intensidade dos jogadores.
— No futebol brasileiro, o jogo é mais aberto, tem mais espaço. Em Portugal, é um pouco mais calmo, mais posse de bola. E aqui na França é totalmente diferente dos dois. Tem pouco espaço, é um jogo muito tenso, praticamente parecendo a Premier League. Um jogo muito de força, duelo — reflete.
Otávio tem contrato com o Paris até 2030. Até lá, a ideia do clube é crescer exponencialmente e já estar consolidado como uma grande equipe nacional e continental. Nesse processo, o zagueiro espera acompanhar o crescimento — e também não deixa passar a vontade de fisgar a seleção brasileira no caminho.



