França

Chance extra

Quando se pensava que Hatem Ben Arfa estava de saída, o Olympique de Marselha confirmou a permanência do meia-atacante em seu elenco – pelo menos até o final desta temporada. Assim, o drama que aparentava durar um longo período se transformou em uma microssérie, encerrada com o anúncio feito por José Anigo, diretor esportivo do OM. O dirigente sempre se mostrou um defensor ferrenho do jogador, e cairá sobre os ombros dele a responsabilidade de arcar com possíveis problemas futuros. Ou, por outro lado, colher os frutos por acreditar no atleta, que ganha uma nova chance para se destacar.

Se por um lado Anigo deixou clara sua crença em Ben Arfa, Didier Deschamps e Jean-Claude Dassier se mostraram bem mais céticos quanto à situação do meia. No entanto, eles foram obrigados a se curvar diante das circunstâncias. O Olympique de Marselha esperava receber boas propostas pelo jogador, mas a única oferta concreta até agora veio da Grécia, do Olympiacos. Um destino modesto para quem já foi elogiado por Alex Ferguson e sonha um dia em vestir a camisa do Manchester United.

Além da falta de interessados de maior peso, o OM se viu encurralado. Para começar, janeiro marca a disputa da Copa Africana de Nações, um terror para a maioria das equipes francesas. Com os marselheses não seria diferente. Junte a isso o fato de haver jogadores machucados e em vias de sair e a lista de ausências no meio-campo/ataque conta com os nomes de Niang, Koné e Valbuena. Se Ben Arfa realmente saísse, o OM teria sérios problemas no setor em um momento crucial na Ligue 1.

Os dirigentes do Olympique esperam agora que o meio-campista aproveite a oportunidade oferecida para agarrá-la com unhas e dentes. O OM espera um Ben Arfa como o da partida contra o Auxerre. Embora a equipe tenha perdido por 2 a 0, o jogador teve um bom desempenho, demonstrou interesse em campo e pareceu bem mais confiante. Com um lugar entre os titulares praticamente assegurado diante de tantas baixas, chegou a hora de ele provar suas condições de permanecer na equipe.

Até então, Ben Arfa se queixava da falta de chances para jogar, reclamava por ficar na reserva e criou um clima nada agradável no grupo. Ele terá seis meses para convencer Deschamps de que realmente pode acrescentar algo ao time e conduzi-lo para a disputa do título ou, na pior das hipóteses, por uma vaga na Liga dos Campeões e para ir longe na Liga Europa. Em um momento no qual o Olympique de Marselha depende dele para cumprir suas pretensões na temporada, Ben Arfa precisa mostrar se realmente amadureceu ou se faz jus à fama de promessa que nunca explode.

De volta?

Na temporada passada, Guillaume Hoarau tomou conta do ataque do Paris Saint-Germain e fez a torcida se esquecer rapidamente de Pauleta. Para 2009/10, as expectativas em torno do atacante anunciavam um ano de glória para o PSG, para deixar definitivamente para trás os tempos de luta desesperada para escapar do rebaixamento. Por um destes motivos que só o destino explica, Hoarau passou mais tempo na enfermaria do que dentro do gramado na primeira parte da Ligue 1.

Para começar, o atacante foi obrigado a conviver com uma lesão muscular na coxa de maio a outubro. Obviamente, o problema físico o impediu de fazer uma preparação adequada durante a pré-temporada. Em outubro, veio a contusão que o tirou novamente de ação por um longo período. Contra o Toulouse, Hoarau sofreu uma grave torção no joelho direito. Era a continuação de seu calvário.

Na Ligue 1 passada, o jogador marcou 17 gols. Em 2009/10, na primeira metade do campeonato, Hoarau disputou apenas sete partidas e foi às redes uma única vez. A ausência de seu principal atacante fez o PSG oscilar demais no torneio. A perda de referência dentro da área contribuiu para o time da capital perder muito de sua força ofensiva e, lógico, deixar de conquistar pontos importantes.

As esperanças da torcida parisiense para que o time saia da mesmice se renovaram após a virada do ano. Hoarau participou de um treino do PSG ao lado de seus companheiros de equipe. O atacante sabe de sua importância para o time e deixou bem claro sua vontade de voltar logo aos gramados. Enquanto todo mundo estava de férias curtindo o fim do ano, lá estava ele no Camp des Loges, ao lado de um preparador físico, trabalhando duro a parte física para se recuperar o mais rápido possível.

Hoarau realizou trabalhos específicos de arrancada, com exercícios para aprimorar a força e a explosão física – exatamente duas de suas principais características. Apesar do desejo de um retorno em breve, o atacante sabe dos perigos de queimar etapas. Por isso, nem pensa em atropelar o tempo, sob o risco de sofrer uma nova lesão que o deixe afastado por um período ainda mais longo.

O mês de janeiro se mostra decisivo para o Paris Saint-Germain. Serão cinco partidas em um intervalo de três semanas. Entre os duelos, estão jogos contra Lille e Lyon. Ou seja, seria no mínimo arriscado querer que Hoarau entre em campo logo e resolva a parada para o PSG da mesma forma como antes. A promissora parceria com Erding terá que esperar mais um pouco.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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