Champions League 2026/27Futebol francês

Cemitério cipriota

O principal pilar da temporada do Lyon ruiu em Nicósia. A eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões para o APOEL Nicósia na disputa por pênaltis deve marcar, de forma melancólica, a série de participações do OL na principal competição interclubes da Europa. Em situação complicada na Ligue 1, os lioneses dificilmente estarão na LC na próxima temporada. Trata-se de uma interrupção brusca no sonho de Jean-Michel Aulas de tornar o clube uma referência além das fronteiras francesas.

Pode parecer uma vergonha sem tamanho cair diante de uma equipe que sempre esteve na periferia continental, e assim o foi. No entanto, o APOEL Nicósia jogou da forma como se espera que um bom time atue na LC. O Lyon, por sua vez, acumulou decepções, arrastou-se na fase de grupos (venceu apenas duas vezes em seis partidas) e obteve sua classificação em um resultado muito esquisito até hoje, com a vitória Mandrake sobre o Dínamo Zagreb fora de casa. Um resultado suspeito (7 a 1), que mascarou as limitações de um clube que se iludiu com algo que nunca teve condições de alcançar.

O APOEL Nicósia não fez uma bela apresentação, mas foi o suficiente para eliminar um débil Lyon. O OL, que já havia feito uma exibição pífia em Gerland, voltou a jogar mal. Não soube segurar a mínima vantagem obtida em casa e sucumbiu diante de um adversário mais aguerrido do que técnico. Agora, só restam as lamentações para quem se acostumou a participar da LC de forma consecutiva desde 2000.

Se na primeira partida o APOEL Nicósia deu apenas um chute a gol e se mostrou extremamente cauteloso, a postura do time em casa foi bem diferente. Armado em um 4-4-2, os anfitriões partiram para a pressão sobre o OL desde o pontapé inicial. A passividade lionesa foi ‘coroada’ com o gol precoce de Manduca. Longos 20 minutos se passaram para que o Lyon enfim se desse conta de que precisava correr um pouco.

O APOEL Nicósia assumiu o papel que o Lyon deixou escapar de sua alma: pegar o adversário pela garganta e impedi-lo de respirar. Nem mesmo a entrada de Bafétimbi Gomis no lugar de Ederson, fazendo a equipe mudar sua formação em campo e jogar em um 4-4-2, fez o OL melhorar ou ameaçar a meta de Chiotis. Mesmo com um melhor preparo físico para a prorrogação, os lioneses em nada colaboraram com seu futuro ao se pautarem pela falta de criatividade e a consequente inoperância ofensiva.

Sétimo na Ligue 1 e sete pontos atrás do Lille, terceiro colocado e dono da última vaga na próxima LC, o Lyon mergulha em um pesadelo jamais visto em sua decadente trajetória nas últimas temporadas. O LOSC pode afundar ainda mais o OL, já que as duas equipes se enfrentam no fim de semana. A se julgar pelos últimos resultados dos lioneses, a torcida pode se preparar para sofrer. Em suas quatro últimas partidas, o Lyon saiu derrotado em nada menos do que três delas.

Eliminado da Liga dos Campeões e com chances reduzidas na Ligue 1, as únicas esperanças do Lyon se tornam as Copas da França e da Liga Francesa. Nem dá para falar em prêmios de consolação em caso de títulos, já que o OL paga caro por querer colocar todas as belas maçãs em seu cesto sem conhecer a técnica correta para colhê-las. O risco de ver todas caírem no chão, como se provou, não vale a pena.

Líder de novo

Durou apenas uma rodada o sonho do Montpellier de liderar a Ligue 1. O MHSC tropeçou fora de casa diante do Dijon e o empate por 1 a 1 não foi suficiente para segurar o Paris Saint-Germain. Em grande estilo, o time da capital apagou as últimas exibições ruins, goleou o Ajaccio por 4 a 1 e devolveu aos seus torcedores a esperança de comemorar a conquista do título nacional. Contudo, o resultado esconde os problemas que o time ainda parece distante de resolver.

O Montpellier mostrou como depende demais de Olivier Giroud. Sem o artilheiro da Ligue 1, suspenso, o MHSC ainda se viu privado do lesionado Younès Belhanda para enfrentar o frágil Dijon. Com de Bedimo e Saihi no banco de reservas, o então líder entrou em campo com um time titular bastante reformulado. Mesmo assim, dominou os donos da casa, confusos no setor defensivo.

Embora tenha dominado a posse de bola e criado boas chances, o Montpellier sentiu demais a falta de seu grande finalizador. De nada adiantavam os bons cruzamentos de Garry Bocaly se não havia quem colocasse a bola para dentro. O Dijon, mesmo aos trancos e barrancos, foi mais feliz e abriu o placar com Kakuta. O MHSC só igualou em uma jogada de bola parada com Tinham e tem muito a lamentar.

No Parc des Princes, o placar elástico ilude. O PSG realmente fez valer sua excelente linha ofensiva, mas continua dando calafrios por sua defesa longe de se entender. Javier Pastore, desta vez, fez a diferença a favor dos donos da casa, ao lado dos outros componentes do quarteto de frente (Guillaume Hoarau, Jérémy Ménez e Nenê). Méritos também para o técnico Carlo Ancelotti por apostar nesta formação para massacrar os corsos, ameaçados pelo rebaixamento.

Só que a vida do PSG tem sido marcada pelo oito ou oitenta. De nada adianta Ancelotti fazer mudanças e puxar a orelha de seus comandados. A defesa do time da capital não oferece muita segurança, mesmo com a chegada de reforços. O Ajaccio se aproveitou disso e não se intimidou no começo do jogo, quando acertou o travessão de Sirigu. Os parisienses acordaram, aceleraram o ritmo e abriram uma vantagem de 2 a 0 sem maiores esforços. A primeira etapa, porém, ainda reservaria mais emoções.

O Ajaccio explorou um dos pontos críticos da defesa parisiense nesta temporada: os lances de bola parada. O gol de Poulard deixou a torcida com o pé atrás no Parc des Princes. O ACA ainda perdeu grande chance de empatar logo no início do segundo tempo. O PSG precisa agradecer pela imprecisão dos corsos. Se tivesse enfrentado um adversário com um pouco mais de objetividade, certamente o time da capital sairia de campo sem a liderança.

O PSG só deslanchou no fim, quando marcou duas vezes e selou a goleada. Apesar de retornar à ponta, o time da capital deixa uma sensação de insegurança quanto à permanência no topo. Mesmo se tiver Pastore inspirado, Nenê em seus melhores dias, Hoarau e Ménez com seu faro de gol apurado, a defesa continua como o calcanhar de Aquiles da equipe. O Montpellier ainda está no páreo, tanto por seus méritos próprios como pelas seguidas falhas cometidas pela defesa parisiense.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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