França

Balanço do primeiro turno – II

Olympique de Marselha

Colocação: 5º (32PG, 8V, 8E, 3D, 33GP, 24GC)
Destaque: Niang
Decepção: Erbate

A temporada começou de forma esperançosa para os marselheses. A equipe se firmou na vice-liderança, ameaçava tomar a ponta do Lyon e mantinha uma certa regularidade. No entanto, aos poucos o Olympique voltou a apresentar seus velhos problemas. A equipe vinha sem derrotas até 26 de outubro. O primeiro revés aconteceu da pior forma possível: logo no clássico contra o Paris Saint-Germain, o time da capital levou a melhor em pleno Vélodrome e ganhou por 4 a 2. Foi o suficiente para a confiança do OM desabar, assim como a posição do clube na tabela da Ligue 1. Os jogos em casa se transformaram novamente em um tormento, pois o clube sentiu enormes dificuldades em se impor – ainda mais após a contusão sofrida por Niang e que o afastou dos gramados por um período considerável.

Exatamente este problema complicou a vida do Olympique na Liga dos Campeões. Em um grupo com Liverpool, Atlético de Madrid e PSV, era completamente plausível pensar em algo mais do que se contentar com uma vaga para a Copa Uefa. A campanha ridícula na LC (apenas quatro pontos, um a mais do que um PSV medíocre) deixou o treinador Eric Gerets em maus lençóis. Na Ligue 1, o OM possui o melhor ataque (marcou 33 gols), mas essa marca se perde com o fraco desempenho da defesa (a equipe sofreu 24 gols, a 13ª neste quesito). Levando-se em consideração apenas o desempenho em casa, a vergonha é ainda maior: o clube tomou 16 gols no Vélodrome, a pior marca como mandante (ao lado do Le Havre). Os principais problemas vistos no elenco estão no setor defensivo e, ironicamente, no ataque. Sem Niang, todas as formações testadas por Gerets fracassaram. Ao menos Ben Arfa se salvou, mas o meia-atacante segue com atuações irregulares.

Lille

Colocação: 6º (32PG, 8V, 8E, 3D, 28GP, 19GC)
Destaque: Michel Bastos
Decepção: Vittek

A saída de Claude Puel, de malas prontas para comandar o Lyon, predizia uma temporada sombria para o Lille. Sem o treinador com o qual viveu seus melhores momentos, o time parecia carregar um peso extra para superar uma campanha discreta na Ligue 1 em 2007/08. O LOSC não apenas deixou de lado suas fortes ligações com o passado recente como construiu uma base sólida para o presente. Rudi Garcia, o novo técnico, mudou o estilo da equipe. Ao contrário de Puel, habituado a dar uma atenção especial ao setor defensivo, o ex-treinador do Le Mans repetiu a fórmula de sucesso em seu antigo clube: optou por olhar com mais carinho para o ataque. Embora o Lille tenha penado um pouco no começo, como em todo fim de relacionamento com alguém marcante, logo o time progrediu e briga por seu lugar no bloco dos primeiros colocados.

Nas três primeiras rodadas, os Dogues obtiveram um mísero ponto. Garcia teve o mérito de motivar o elenco a deixar o passado para trás e o Lille reagiu. Foram nove jogos seguidos de invencibilidade e, ao final do primeiro turno, o time conta com o terceiro melhor ataque da competição (28 gols). Michel Bastos se tornou a referência do LOSC. O brasileiro, usado na lateral-esquerda por Puel, passou para o meio-campo com o novo treinador e explodiu. Ele se tornou o principal artilheiro do clube (nove gols, um a mais do que em toda a temporada passada), melhor “garçom” (quatro assistências) e suas cobranças de falta de esquerda sempre levam perigo à meta adversária. Com um bom desempenho, o Lille sonha em voltar a disputar logo uma competição européia, um objetivo traçado para médio prazo mas que, pelo jeito, será cumprido antes do tempo.

Nantes

Colocação: 16º (5V, 5E, 9D, 15GP, 25GC)
Destaque: Alonso
Decepção: Klasnic

Após amargar uma temporada na Ligue 2, o Nantes queria mostrar a todos ter aprendido a lição. Com o desenrolar da temporada, os Canários deixaram claro o contrário. Após perder para Auxerre e Bordeaux e empatar com Monaco, o treinador Michel der Zakarian foi demitido. Ele já não contava com a simpatia da direção do clube, mas estava com crédito por ter promovido a equipe de volta à elite. Veio Elie Baup, mas o novo técnico viu o time perder em seus dois primeiros jogos no banco de reservas. Mesmo sem mostrar um grande nível de jogo, o Nantes evoluiu ao longo do campeonato, ao ponto de até surpreender o Lyon e vencer por 2 a 1 de virada em uma partida emocionante. Apesar disso, em La Beaujoire a preocupação é evitar o retorno à zona de rebaixamento.

Em quantidade de jogadores, o Nantes está bem servido. No total, o clube conta com 35 sob contrato, mas a qualidade… Uma das principais apostas do clube para a temporada, Klasnic teve poucos lampejos. O atacante croata, acostumado a ir às redes em quase todos os jogos no Werder Bremen, machucou-se logo no começo, ficou no banco de reservas por um longo período e só apareceu mesmo no duelo com o OL, quando marcou os dois gols da vitória do Nantes – seus primeiros pelo clube, já na 17ª rodada. Para completar, o croata não cansou de manifestar seu descontentamento por ficar no banco e deixou no ar a possibilidade de sair. Para um clube na situação atual vivida pelo FCNA, um ataque de estrelismo era o pior a acontecer. Se evitarem o retorno para a segunda divisão, os Canários devem erguer suas asas para os céus.

Saint-Etienne

Colocação: 17º (19PG, 6V, 1E, 12D, 15GP, 28GC)
Destaque: Paulo Machado
Decepção: Feindouno

Quinto colocado na última Ligue 1, o Saint-Etienne trilhava um caminho de sucessos para esta temporada. O retorno à disputa de uma competição européia após uma ausência de 26 anos servia como motivação para uma campanha brilhante, mas em campo o time deu vexame. Os Verdes até ocuparam a lanterna do campeonato! Apenas nas rodadas finais do primeiro turno, o ASSE conseguiu se livrar da zona de rebaixamento. Já na Copa Uefa, o time apresenta uma cara completamente diferente: passou pela fase de grupos sem grandes sustos e se classificou para as 32as-de-final. Embora o torneio continental seja seu foco, o clube não precisa deixar de lado o Francês desta forma: em 19 jogos, o clube perdeu nada menos do que 12 (!) vezes e empatou apenas uma. O Saint-Etienne tem ainda o quarto pior ataque, com somente 15 gols feitos (ao lado do Nantes).

O técnico Laurent Roussey não resistiu à sequência de derrotas e o grande número de contusões e, após tomar de 3 a 0 do Rennes em pleno Geoffroy-Guichard, deixou o cargo. Alain Pérrin, ex-Lyon, entrou em seu lugar e colocou um pouco de ordem na bagunça. Nas quatro rodadas finais do turno, os Verdes obtiveram três vitórias, o suficiente para tirá-los da zona de rebaixamento. Antes, a equipe vinha de uma série de sete derrotas. Além dos problemas já citados, o ASSE lidou com outra dor de cabeça. Como se o ambiente já não estivesse abalado, Feindouno tratou de chutar o balde. O atacante nem quis saber: viajou para o Qatar sem a autorização do clube, negociou sua transferência para o Al-Sadd e levou sua rescisão com o ASSE para a Justiça. Embora tenha ganhado a causa, o jogador deixou um grande sentimento de revolta e ingratidão. Para o returno, o Saint-Etienne espera passar por vias menos turbulentas para se recuperar e ir o mais longe possível na Copa Uefa.

Toulouse

Colocação: 7º (31PG, 8V, 7E, 4D, 19GP, 15GC)
Destaque: Gignac
Decepção: Larsen

Por pouco, o Toulouse escapou de cair para a segunda divisão na última Ligue 1. Em 2006/07, os Violetas terminaram em terceiro e disputaram a fase preliminar da Liga dos Campeões; logo em seguida, ficaram em 17º, dois pontos acima do rebaixado Lens. Alain Casanova, ex-treinador assistente, assumiu o comando da equipe e conseguiu o mais difícil: devolver a confiança ao elenco. O resultado está na ótima campanha do TFC, sétimo colocado no primeiro turno e próximo da disputa por vagas em competições européias. O clube soube se virar muito bem mesmo com a saída de Elmander. O atacante sueco era a principal referência ofensiva do Toulouse nos últimos tempos, mas seu espaço foi muito bem preenchido por André-Pierre Gignac.

O ex-jogador do Lorient passou por períodos difíceis em 2007/08, quando se desentendeu com o então treinador Elie Baup e amargou a reserva. A situação do atacante mudou com Casanova. Gignac deixou os problemas disciplinares de lado, tornou-se titular absoluto e, para coroar seu desempenho, foi o artilheiro do primeiro turno com 12 gols. A continuar neste ritmo, ele logo vestirá a camisa azul da seleção. O problema fica na dependência excessiva do TFC em relação a Gignac. No total, o time marcou 19 gols em 19 jogos; uma eventual contusão de seu principal jogador fatalmente faria o time degringolar. Ao menos os Violetas agora contam com uma defesa confiável, que sofreu apenas 15 gols até aqui. O goleiro Carrasso e o meia Mathieu reencontraram sua melhor forma e também se destacam na equipe, com bom potencial para surpreender.

Nice

Colocação: 8º (8V, 5E, 5D, 23GP, 19GC)
Destaque: Rémy
Decepção: Ben Saada

Os rubro-negros terminaram o primeiro turno um pouco decepcionados. Após ocupar a vice-liderança, o Nice viveu um fim de ano magro: em suas quatro últimas partidas, somou apenas dois pontos (dois empates e duas derrotas), caindo para a oitava colocação – a mesma na qual terminou a Ligue 1 em 2007/08. Embora a queda de rendimento na parte final da primeira metade do torneio deixe uma certa frustração, o OGC deve comemorar. A equipe perdeu três de seus principais jogadores (o goleiro Lloris, o meia Ederson e o atacante Bakary Koné) e conta com um dos orçamentos mais apertados da primeira divisão. Mesmo com estas limitações, a diretoria conseguiu montar um time competitivo e na briga pela classificação a uma competição européia.

Dois jogadores chamaram a atenção nestes primeiros 19 jogos. No ataque, Loïc Rémy foi contratado para substituir Koné. Reserva no Lyon, o atacante precisou de pouco tempo para mostrar seu poder de fogo. Ele marcou seis gols e, além disso, exibiu boa técnica e chegou a ter seu estilo comparado ao de Henry. Tal desempenho lhe permitiu fazer parte da seleção de base da França. No entanto, uma lesão no joelho atrapalhou seu caminho – não por menos, o Nice começou a cair exatamente neste período de ausência do atleta. No meio-campo, Hellebuyck voltou a brilhar após uma passagem apagada pelo Paris Saint-Germain. Com oito assistências, ele se tornou o principal “garçom” da Ligue 1. No gol, Létizi manteve a segurança e confiança no setor. Nada mal para quem dispõe de um orçamento apertado, mas soube investir seu dinheiro em boas contratações.

Valenciennes

Colocação: 18º (3V, 6E, 10D, 16GP, 25GC)
Destaque: Bisevac
Decepção: Pieroni

Terminado o primeiro turno da Ligue 1, a torcida do Valenciennes se assusta ao ver o time como o primeiro na zona de rebaixamento. O time ainda não superou a perda de Savidan, seu grande destaque e principal referência ofensiva nas últimas temporadas. O baque pela transferência do jogador para o Caen fala por si só nas estatísticas. O clube marcou somente 16 gols no torneio – média inferior a um gol por jogo. Sem um substituto à altura para o antigo ídolo, o Valenciennes penou para sobreviver. Se em casa a equipe até obteve resultados razoáveis, fora de seus domínios foi um completo desastre. Como visitante, o VA não somou uma vitória sequer; em dez partidas, foram míseros três empates e dez (!) derrotas – o pior desempenho entre os participantes do campeonato. No estádio Nungesser, pelo menos houve algum progresso, mas nada para se fazer uma festa: o clube ganhou três duelos, empatou três e perdeu três.

Sem dúvida, um momento marcante deste primeiro turno do VA foi a aposentadoria de David Sommeil. O defensor se sentiu mal durante um treino e, após realizar exames, comprovou-se a existência de um problema cardíaco. A campanha ruim do clube vai além destes problemas. As contusões de diversos jogadores importantes também contribuíram para que a equipe vivesse um longo jejum de 14 (!) jogos sem ganhar. O time deu algum sinal de vida ao ganhar do Monaco (3 a 1) e empatar com o Paris Saint-Germain (2 a 2) nas rodadas finais, mas o Valenciennes está quatro pontos atrás do Saint-Etienne, primeiro time a escapar da degola. A salvação pode vir dos pés de Darcheville, contratado justamente para dar fim à ausência de poder ofensivo da equipe.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo