França

Balanço da temporada – I

Temporada encerrada, chegou a hora de se analisar o desempenho de cada uma das 20 equipes da Ligue 1 em 2008/09. Começamos com Auxerre, Caen, Grenoble, Lille, Lorient, Monaco e Valenciennes.

Auxerre

Classificação: 8º (55PG, 16V, 7E, 15D, 35GP, 35GC)
Artilheiros: Jelen (14 gols), Kahlenberg (5)
Melhor “garçom”: Kahlenberg (6 assistências)
Cartões amarelos: 53
Cartões vermelhos: 0
Destaque: Ireneusz Jelen
Decepção: Daniel Niculae

Na temporada anterior, o Auxerre escapou do rebaixamento na reta final da Ligue 1. Portanto, em 2008/09 a missão do clube era passar longe das últimas colocações, mas com a consciência das limitações da equipe. A torcida do AJA chegou a temer pelo pior na primeira metade do campeonato, quando o clube ficou bem perto da parte de baixo da tabela. Aos poucos, porém, o Auxerre encontrou um certo equilíbrio e respirou aliviado. Após passar oito jogos sem ganhar (com cinco derrotas nesta série), a equipe celebrou a volta de Quercia, Jelen, Pedretti, Kahlenberg, machucados e fundamentais para a qualidade do time. Nos sete últimos confrontos do torneio, o AJA obteve seis vitórias e pulou para a oitava colocação. Nada mal para quem foi muito pouco às redes – seu ataque foi um dos piores da elite, com uma média inferior a um gol por partida. Desta vez, a defesa balanceou a equação, sendo uma das menos vazadas.

Por pouco, o Auxerre não beliscou uma vaga para a Liga Europa. Levado em consideração apenas o segundo turno, o AJA teve a terceira melhor campanha, atrás apenas de Bordeaux e Olympique de Marselha.O sprint se deu muito pela excelente fase vivida por Jelen. O polonês, que desfalcou a equipe por quase três meses, voltou aos gramados em janeiro e marcou nada menos do que onze gols em 16 partidas. Já Niculae, artilheiro do clube na temporada passada, amargou uma queda repentina em suas atuações e, mesmo com o treinador Jean Fernandez dando-lhe força, acabou mesmo no banco de reservas. A equipe agora pretende seguir com a mesma base para, enfim, sonhar com melhores dias em 2009/10. Jelen, Pedretti e Grichting renovaram seus contratos e Birsa, emprestado pelo Sochaux, transferiu-se em definitivo. É preciso encontrar um substituto à altura para Kahlenberg, principal meia criativo do elenco, de saída para o Wolfsburg.

Caen

Classificação: 18º (37PG, 8V, 13E, 17D, 42GP, 49GC)
Artilheiros: Savidan (14 GOLS), Nivet (6)
Melhor “garçom”: Savidan (5 assistências)
Cartões amarelos: 66
Cartões vermelhos: 2
Destaque: Steve Savidan
Decepção: Juan-Eduardo Eluchans

Ao final do primeiro turno, o Caen estava sossegado na tabela. Depois da pausa de inverno, a desgraça se abateu sobre a equipe. Ao todo, foram 17 jogos sem ganhar (contando todos os torneios), o que contribuiu decisivamente para a vertiginosa queda na tabela. Deixar a esperança para o final também parecia impossível, pois o clube teve pela frente Lyon e, na última rodada, um Bordeaux na luta pelo título. O SMC deixou claras suas limitações quando precisou suprir as ausências de Deroin, Eluchans, Ben Khalfallah, Leca e Florentin, machucados. A fragilidade ofensiva do time também ficou latente com a extrema dependência de Savidan. O treinador Franck Dumas ficou perdido quando o atacante passou por um grande período de seca, sem ter quem o ajudasse a marcar. Por fim, a falta de recursos na janela de transferências do meio da temporada custou caro, pois um elenco com claras necessidades de reforços continuou irregular, sem solução.

Para se ter uma ideia de como o Caen teve um péssimo retorno das férias, a equipe venceu apenas três partidas em 2009. Há quem diga que o presidente do SMC errou ao bater o pé e manter Dumas no cargo, mas a insistência no técnico foi o menor de seus erros. Mesmo Savidan, que carregou a equipe nas costas, teve sua parcela por causar celeuma nos vestiários. Eluchans, destaque em 2007/08, foi uma sombra de seus melhores tempos, com apenas um gol e uma assistência em 24 jogos. Claro, os dois jogadores não foram os maiores responsáveis por deixar a equipe viver um longo jejum de vitórias. Dumas também não tinha como tirar leite de pedra. O presidente Fortin ignorou os problemas e nem tirou a mão do bolso. Agora, o dirigente vê a debandada de seus principais atletas e um clube com um orçamento reduzido pela metade para a disputa da Ligue 2. Um recomeço a partir do zero.

Grenoble

Classificação: 13º (10V, 14E, 14D, 24GP, 37GC)
Artilheiros: Nassim Akrour (6 gols), Sandy Paillot, Daniel Moreira, Laurent Courtois (4)
Melhor “garçom”: Laurent Batlles (4 assistências)
Cartões amarelos: 68
Cartões vermelhos: 4
Destaque: Sofiane Feghouli
Decepção: Elliot Grandin

O mais frágil dos promovidos tinha seu destino na temporada quase selado para os críticos: aguardar pelo seu retorno à segunda divisão. O Grenoble, porém, superou suas dificuldades financeiras e, mesmo sem ser brilhante, contrariou as expectativas. Enquanto Nantes e Le Havre, os outros que vieram da Ligue 2, caíram, o GF 38 se manteve na elite e até surpreenderam no primeiro turno. Na sétima rodada, a equipe figurava em um honroso quarto lugar. Logo a realidade bateu à porta do clube, que provocou a ira de sua torcida pelo desempenho como mandante. Acreditem, o Grenoble marcou somente nove gols no Stade des Alpes pela Ligue 1 – ou seja, uma média inferior a 0,5 gol por partida em casa! Não à toa, o clube terminou com a vergonhosa marca de 24 gols feitos em todo o campeonato, de longe o ataque mais fraco da elite.

Por mais contraditório que pareça, o melhor jogador do Grenoble na temporada não marcou um golzinho sequer. Sofiane Feghouli chamou a atenção por praticamente passar incólume à transição da segunda para a primeira divisão. Até por conta de seu desempenho, ele pode ir para outros ares em 2009/10, apesar do seu desejo de ficar (o Olympique de Marselha já se interessou em contar com ele logo). Por outro lado, Daniel Moreira teve um bom início de campanha, mas aos poucos caiu de produção. Grégory Wimbée provou ser útil do alto de seus 37 anos, mas sua saída coloca um ponto de interrogação sobre quem será o goleiro titular do GF 38. Após surpreender com sua permanência na Ligue 1, o Grenoble terá o desafio de encontrar a estabilidade necessária para se manter no bolo em sua segunda temporada seguida na elite.

Lille

Classificação: 5º (17V, 13E, 8D, 51GP, 56GC)
Artilheiros: Michel Bastos (14 gols), Ludovic Obraniak (9)
Melhor “garçom”: Michel Bastos (9 assistências)
Cartões amarelos: 71
Cartões vermelhos: 1
Destaque: Michel Bastos
Decepção: Túlio de Melo

Como sobreviveria o Lille sem Claude Puel, seu mentor nas últimas temporadas? A questão atormentou os torcedores dos Dogues com a ida do treinador para o Lyon, mas logo a tensão se transformou em calmaria. Rudi Garcia, substituto no banco do LOSC, conduziu a equipe a uma inesperada classificação para a Liga Europa, depois de até flertar com uma vaga para a Liga dos Campeões. O desempenho pífio na reta final do campeonato (o time não ganhou uma sequer entre a 31ª e a 36ª rodada) quase complicou o clube, e certamente pesou na decisão de mandar Garcia embora. Embora tenha terminado em baixa, o Lille viveu grandes momentos, sobretudo contra o Lyon no começo de março. Em uma semana, os nortistas derrubaram o OL na Copa da França (3 a 2) e depois ganharam de novo, desta vez por 2 a 0, pela Ligue 1. Estas partidas foram fundamentais para a arrancada que logo se seguiu.

Durante o primeiro turno, o Lille começou mal, mas se recuperou e ficou entre o sexto e o sétimo lugares. Os triunfos sobre os lioneses impulsionaram a equipe, que conquistou quatro vitórias consecutivas e passou a incomodar os pretendentes ao título. No entanto, a queda de rendimento atrapalhou as pretensões de retornar à LC, e a Liga Europa só veio graças ao saldo de gols. Ficou um gosto de decepção, por conta da excelência do elenco do LOSC e de seu estilo de jogo coeso e bem montado. Em sua terceira temporada no clube, Michel Bastos continuou sua evolução e se saiu como um dos melhores jogadores da Ligue 1. Artilheiro e melhor assistente do time, o brasileiro teve outros companheiros que se destacaram. Cabaye, Obraniak e Mavuba mantiveram a constância com boas atuações, enquanto Eden Hazard foi eleito como o melhor jogador jovem do campeonato. Com um grupo talentoso, os Dogues precisam suportar o assédio em cima de seus principais nomes se quiser brilhar de novo em 2009/10.

Lorient

Classificação: 10º (10V, 15E, 13D, 47GP, 47GC)
Artilheiros: Kévin Gameiro (11 gols), Fabrice Abriel (7)
Melhor “garçom”: Kévin Gameiro (8 assistências)
Cartões amarelos: 48
Cartões vermelhos: 2
Destaque: Kévin Gameiro
Decepção: Rafik Saïfi

Como em 2007/08, o Lorient terminou a Ligue 1 na décima colocação. Mais uma vez, o objetivo de se manter na primeira divisão foi conquistado com certas sobras, mas sem aquela obstinação por algo melhor. A meta parecia ir para o espaço nas primeiras rodadas, quando os Merlus conquistaram somente uma vitória em nove partidas. A lenta recuperação permitiu à equipe sair da lama, apesar de sua inconstância e dos problemas defensivos. A falta de confiança na zaga se deveu às contusões que atingiram os jogadores do setor e impediram um entrosamento melhor. Uma nova série ruim, sem vitórias entre a 19ª e a 28ª rodada, deixaram o time em alerta. Fazendo o mínimo, o Lorient conquistou pontinhos preciosos, mas nunca deixou de lado suas ambições medianas. Coadjuvante nato, o clube deve enfrentar um grande processo de renovação, e definir se realmente quer um papel de maior destaque ou se conformar mesmo em ser um figurante.

Nas três últimas temporadas, o elenco do Lorient pouco mudou. A situação agora é diferente. Abriel, Ciani, Jallet, Morel, Saïfi e Amalfitano têm a possibilidade de deixar o clube. O treinador Christian Gourcuff não deve esperar grandes substitutos, até porque os Merlus oferecem poucos atrativos (há a necessidade de se melhorar o centro de treinamentos e cuidar das reformas do estádio Moustoir). Se a renovação do grupo se der com jogadores como Gameiro, o clube bretão sonha com o sucesso. Afinal, o atacante chegou do Strasbourg, formou uma excelente parceria com Vahirua, complementando o estilo de jogo do taitiano, e acabou como principal artilheiro e assistente da equipe. Ele era o nome que faltava para dar maior agressividade ao setor, um dos melhores ao longo do campeonato.

Monaco

Classificação: 11º (11V, 12E, 15D, 41GP, 45GC)
Artilheiros: Alexandre Licata (7 gols), Juan Pablo Pino, Frédéric Nimani (6)
Melhor “garçom”: Chu Young Park (5 assistências)
Cartões amarelos: 62
Cartões vermelhos: 6
Destaque: Stéphane Ruffier
Decepção: Freddy Adu

Há algum tempo, o Monaco deixou de brigar pelas primeiras colocações para se acostumar com um lugar apenas discreto na tabela. Pelo quarto ano consecutivo, a equipe do principado ficou distante do bloco dos líderes, mas também não esteve tão ameaçado de cair. O ASM mostrou duas caras bastante diversas ao longo das rodadas da Ligue 1. Contra as principais equipes do país, os monegascos foram bravos, com uma marcação cerrada e superação de suas próprias forças. Quando os adversários eram de menor renome, a apatia tomava conta de todos, e todo o esforço se transformava em uma sucessão de falhas. Incapaz de manter um desempenho regular, o Monaco passou por mais um ano de transição, como classificou o treinador Ricardo Gomes. A torcida só espera que este momento termine logo e o time volte a lutar por posições mais nobres.

Contudo, fica difícil almejar um ambiente calmo se no meio da temporada o clube troca de presidente. Jérôme de Bontin deixou o cargo em fevereiro e foi substituído por Etienne Franzi, o quarto nome desde a saída de Campora. Ricardo Gomes também deixou suas funções, em outro reflexo da inconstância do clube tanto dentro como fora das quatro linhas. Ao menos Guy Lacombe, novo treinador, tem algumas esperanças graças ao amadurecimento de algumas jovens apostas. Licata, Mollo, Nimani, Nkoulou, Mongongu e Pino devem formar a espinha dorsal do Monaco de 2009/10, que deve ganhar maior entusiasmo pela forma de trabalho de Lacombe, incentivador de promessas. Uma delas, o goleiro Ruffier, assumiu a liderança da jovem defesa, barrou o experiente Roma e fechou o gol em diversas partidas. Em compensação, Adu mais uma vez desperdiçou a chance de se firmar. O prodígio norte-americano disputou somente 97 minutos de toda a campanha na Ligue 1, com zero gols marcados e nenhum jogo como titular. Não à toa, Ricardo Gomes o chamou várias vezes para jogar pela equipe B no CFA (quarta divisão).

Valenciennes

Classificação: 12º (10V, 14E, 14 GC)
Artilheiros: Johan Audel, Grégory Pujol (7 gols), Jean-Claude Darcheville, Gaël Danic (4)
Melhor “garçom”: Gaël Danic (7 assistências)
Cartões amarelos: 76
Cartões vermelhos: 5
Destaque: Jean-Claude Darcheville
Decepção: Luigi Pieroni

Ao final do primeiro turno, o Valenciennes figurava na lanterna da Ligue 1 com uma campanha terrível. Em 19 partidas, a equipe havia conquistado somente três vitórias. A reviravolta do clube no campeonato aconteceu na janela de transferências de inverno. O ataque, como era de se esperar, perdeu muito de sua força ofensiva com a transferência de Savidan para o Caen. A esperança de Pieroni reencontrar seus melhores dias caiu no ridículo. A chegada de Jean-Claude Darcheville, encostado no Rangers, trouxe vida nova ao VA. Logo em seu primeiro jogo, ele deixou sua marca nas redes. Sua experiência serviu para trazer equilíbrio ao time tanto dentro como fora de campo, e o atacante contribuiu para que seus companheiros de frente também se desenvolvessem. Em menor grau, o retorno de alguns atletas machucados ou em forma física ruim também ajudaram o time do norte a sair da zona do rebaixamento e garantir sua permanência na elite.

Para o Valenciennes, 2009/10 desponta com ares de grandes mudanças. Depois de quatro anos, o treinador Antoine Kombouaré deixou a equipe e rumou para o Paris Saint-Germain. O VA não perdeu tempo e confirmou a contratação de Philipe Montanier, que levou o surpreendente Boulogne-sur-Mer pela primeira vez à Ligue 1. Além da troca de técnico, resta saber como ficará o futuro de Darcheville, cobiçado por diversos clubes. Se o atacante for mesmo embora, fica latente a necessidade de se repor esta perda à altura, sob pena de repetir o fiasco da primeira metade de 2008/09. O Valenciennes precisa também aprender a jogar fora de casa. Como visitante, o clube foi péssimo: não ganhou uma vez sequer, empatou dez vezes e perdeu outras nove. Os 34 pontos conquistados em Nungesser (8ª melhor campanha como mandante) compensaram, mas não dá para se ter tanto desequilíbrio assim. Outro fator a se corrigir: o excesso de cartões. O VA ficou na lanterna do ranking do fair play.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo