Balanço da Ligue 1
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Abaixo, a última parte do balanço de tudo que aconteceu no Campeonato Francês 2010/11. A primeira parte está aqui e a segunda aqui.
Rennes
Colocação final: 6º (56PG, 15V, 11E, 12D, 38GP, 35 GC)
Técnico: Frédéric Antonetti
Maior vitória: 4×0 Arles-Avignon
Maior derrota: 1×5 Sochaux
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Fabien Lemoine
Decepção: Stéphane Dalmat
Artilheiro: Victor Hugo Montano (9 gols)
Líder em assistências: Jérôme Leroy (7 assistências)
Ao contrário de temporadas recentes, o Rennes largou muito bem na Ligue 1 e deu todos os sinais possíveis de que chegaria com força para disputar as primeiras posições e, por que não, o título. Seria a oportunidade de, enfim, provar que era uma equipe regular e concretizar seus sonhos de grandeza. Só que, desta vez, o time teve uma brutal queda de rendimento nas rodadas finais, quando estava mais acostumado a dar suas arrancadas. Mesmo sem exibir um futebol dos mais brilhantes, os rubro-negros estavam bem perto da liderança até maio. Em seguida, veio uma terrível série: foram nove jogos sem vitórias, o que tirou qualquer esperança da equipe em se classificar para a Liga dos Campeões. Nas doze rodadas finais, o Rennes obteve somente uma vitória (2 a 1 sobre o Saint-Etienne), somou ridículos sete pontos e sentiu a frustração novamente tomar conta de seu espírito.
O primeiro instinto seria jogar a culpa por tamanha perda de produtividade à inexperiência do elenco. Contudo, seria mesquinho demais julgar desta forma. Mais da metade do elenco do Rennes nesta temporada veio de suas categorias de base, o que sem dúvida é um mérito. O grande problema enfrentado foi a ausência em profusão de jogadores importantes na reta final. Apam, Marveaux, Brahimi, Dalmat, Mangane e Théophile-Catherine foram apenas alguns dos exemplos de atletas que sofreram lesões em um período crucial para a equipe. Sendo mais direto, a preparação física do Rennes foi inadequada, e os jogadores, que já vinham no seu limite, estouraram. Enquanto tiveram pernas, os rubro-negros se orgulharam de seu sistema defensivo, o melhor da Ligue 1. Foram apenas 35 gols sofridos e um sistema de jogo baseado na forte marcação, o que não agrada aos que preferem ver a bola girar de um lado para o outro em toques rápidos e incisivos. Com um elenco mais maduro e a revisão dos planos de preparação física, o Rennes pode incomodar muito na próxima temporada.
Saint-Étienne
Colocação final: 10º (49PG, 12V, 13E, 13D, 46GP, 47GC)
Técnico: Christophe Galtier
Maior vitória: 3×0 Montpellier
Maior derrota: 1×4 Lyon
Competição continental: nenhuma
Principais jogadores: Dimitri Payet e Blaise Matuidi
Decepção: Sylvain Marchal
Artilheiro: Dimitri Payet (13 gols)
Líder em assistências: Rivière (5 assistências)
Após viver temporadas conturbadas e ameaçadoras, o Saint-Étienne voltou a respirar um pouco mais aliviado. Se o desempenho em campo não foi dos mais entusiasmantes, ao menos o clube escapou do terror de conviver com o medo do rebaixamento. A equipe quase sempre figurou na primeira metade da tabela e, melhor do que isso, demonstrou o equilíbrio que lhe faltou nos últimos anos. Para completar, o ASSE conquistou seu título particular. Após 16 anos, os Verdes enfim levaram a melhor no dérbi sobre o Lyon. Além disso, o time liderou a Ligue 1 após um hiato de quase 30 anos. Embora haja motivos para comemorações, o clube sabe que poderia ter ido um pouco mais longe.
O principal problema do Saint-Étienne esteve em sua defesa, em fase de reconstrução. Contratado para ser a referência do setor, Sylvain Marchal decepcionou. A equipe também sofreu com a desatenção no fim de alguns jogos, como contra Caen, Auxerre e Paris Saint-Germain. Com 47 gols sofridos, o ASSE foi apenas a 14ª melhor defesa da Ligue 1. Em compensação, seu setor ofensivo viveu momentos positivos. Com 46 gols marcados, os Verdes tiveram o sexto melhor ataque do torneio. Méritos para as grandes atuações de Dimitri Payet (em grande forma após a frustrada tentativa de ir para o PSG) e Blaise Matuidi (com sua inteligência e senso de combate, comandou o meio-campo com segurança e foi eleito pela torcida como o melhor jogador da equipe na temporada). Os dois ganharam oportunidades na seleção francesa e devem crescer ainda mais. Só há um pequeno detalhe: esta evolução deve ser em outra equipe.
Sochaux
Colocação final: 5º (58PG, 17V, 7E, 14D, 60GP, 43GC)
Técnico: Francis Gillot
Maior vitória: 5×1 Rennes
Maior derrota: 1×3 Toulouse
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Marvin Martin
Decepção: Geoffroy Tulasne
Artilheiros: Modibo Maiga e Ideye Brown (15 gols)
Líder em assistências: Marvin Martin (17 assistências)
Os Leões rugiram alto nesta temporada. Com uma incrível arrancada nas rodadas finais, o Sochaux conquistou uma vaga na Liga Europa com méritos. Previa-se um período caótico para o clube, ainda mais quando jogadores importantes como Richert, Brechet, Faty e Mikari se machucaram. Entretanto, os jovens que ganharam oportunidades na equipe (Cros, Peybernes, Martin, Boudebouz, Butin, Nogueira e Poujol) mantiveram o nível elevado. Muito do sucesso do FCSM se deve ao desempenho da equipe como mandante e ao excelente desempenho do seu ataque. O Sochaux marcou 60 gols na Ligue 1, a quarta melhor marca da competição.
A importância de Modibo Maiga e Ideye Brown para o time se traduz nos números. A dupla fez nada menos do que metade dos gols do Sochaux (cada um vazou as redes adversárias 15 vezes). Para completar, os dois contaram com a ajuda providencial de Marvin Martin, autor de 17 assistências. O meio-campista terminou como o maior “garçom” do campeonato. A temporada de Martin foi coroada com a convocação para a turnê da seleção francesa pelo Leste Europeu. Ele entrou em campo durante o segundo tempo do amistoso contra a Ucrânia e mudou os rumos do jogo ao fazer dois gols e dar uma assistência. Martin se prepara para viver a temporada da afirmação. Com tantos talentos em mãos, Francis Gillot sabe muito bem que não pode se dar ao luxo de perder uma de suas pérolas. Por isso, ele já pressionou o presidente dos Leões para manter seu promissor elenco.
Toulouse
Colocação final: 8º (50PG, 14V, 8E, 16D, 38GP, 36GC)
Técnico: Alain Casanova
Maior vitória: 3×0 Lens
Maior derrota: 3×1 Rennes
Competição continental: nenhuma
Principais jogadores: Étienne Didot e Ali Ahamada
Decepção: Yannis Tafer
Artilheiros: Braaten, Sissoko e Santander (5 gols)
Líderes em assistências: Tabanou e Machado (5 assistências)
Desde o início da temporada, o Toulouse havia deixado claro que se contentava em ser um coadjuvante na Ligue 1. O time cumpriu o script à risca, mas por pouco não se tornou protagonista de uma catástrofe. O TFC chegou a viver com a ameaça do rebaixamento, mas suas boas atuações nas últimas rodadas o livraram do risco da degola. Os Violetas mostraram que ainda sentem os efeitos da saída de André-Pierre Gignac. O ataque da equipe funcionou muito mal, com uma carência sem precedentes de um atacante de verdade. Basta ver que Braaten, Sissoko e Santander foram os artilheiros do time no campeonato com cinco gols cada um, uma marca bastante ruim.
A grave lesão sofrida por Xavier Pentecôte logo no início do campeonato ajuda a explicar a ineficiência do ataque dos Violetas. Formado no Lyon, Yannis Tafer foi contratado para ser uma alternativa na frente, mas revelou-se um desastre. Ele não se encaixou no sistema tático montado pelo técnico Alain Casanova (com apenas um atacante centralizado). Mesmo deslocado para outras funções, Tafer se escondeu. Por outro lado, o Toulouse compensou a falta de agressividade de seu setor ofensivo com uma defesa segura. O TFC sofreu apenas 36 gols ao longo da Ligue 1 e viu surgir um goleiro de qualidade de onde menos se esperava. Ali Ahamada era apenas a quarta opção para o posto, mas assumiu a condição de titular com as lesões e a fase ruim de quem estava à frente. Em sete partidas, ele levou apenas dois gols e exibiu qualidades suficientes para transformá-lo em dono da posição. Casanova procura um artilheiro, mas também precisa cuidar de sua defesa, que perdeu a referência do capitão Mauro Cetto, que não renovou seu contrato.
Valenciennes
Colocação final: 12º (48PG, 10V, 18E, 10D, 45GP, 41GC)
Técnico: Philippe Montanier
Maior vitória: 3×0 Arles-Avignon, 3×0 Brest
Maior derrota: 0x2 Monaco
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Grégory Pujol
Decepção: Matthieu Dossevi
Artilheiro: Grégory Pujol (17 gols)
Líder em assistências: Cohade (8 assistências)
Foi uma temporada esquisita para o Valenciennes. O time passou longe de ser uma maravilha, mas também não era tão ruim para lutar tanto contra o rebaixamento. A permanência na elite só foi confirmada na última rodada, com a vitória por 2 a 1 sobre o Nice. Curiosamente, o VA aparecia muito bem cotado no início da Ligue 1, quando arrancou dois preciosos empates fora de casa e, em Nungesser, desbancou o campeão Olympique de Marselha (3 a 2). O desempenho no fim de 2010 e no começo deste ano, porém, comprometeu os planos de uma boa campanha. Foram cinco derrotas e apenas uma vitória entre dezembro e janeiro. A recuperação veio entre fevereiro e maio, quando a equipe foi derrotada apenas duas vezes. O clube ainda pode se orgulhar de não ter figurado uma vez sequer no grupo dos degolados.
Também merece elogios a atuação da defesa do Valenciennes, a sétima melhor da Ligue 1 com 41 gols sofridos. No ataque, Grégory Pujol se destacou com seus 17 gols e foi o terceiro maior artilheiro da temporada. O desempenho dele poderia ser melhor ainda se o meio-campo fosse mais criativo. A missão foi dada a Matthieu Dossevi, que chegou ao clube para substituir Fahid Ben Khalfallah. O ex-jogador do Le Mans, porém, fracassou. O meia fez apenas dois gols em 24 partidas e não deu uma assistência sequer. Ele próprio reconheceu suas atuações abaixo da crítica e prometeu melhorar para a próxima temporada. O futuro do VA se mostra incerto. O presidente Francis Decourrière deixa o cargo após sete anos. O treinador Philippe Montanier deixou o clube para assumir o comando da Real Sociedad. Até a casa da equipe mudará, com a inauguração do estádio Nungesser II. Com tantas mudanças, espera-se que o elenco também sofra muitas modificações.
Lille
Colocação final: 1º (76PG, 21V, 13E, 4D, 65GP, 34GC)
Técnico: Rudi Garcia
Maior vitória: 5×0 Arles-Avignon
Maior derrota: 1×3 Olympique de Marselha, 1×3 Lyon
Competição continental: Liga Europa (eliminado na 16ª de final pelo PSV)
Principais jogadores: Eden Hazard e Mickaël Landreau
Decepção: Túlio de Melo
Artilheiro: Moussa Sow (22 gols)
Líderes em assistências: Gervinho e Eden Hazard (9 assistências)
Uma dobradinha que não ocorria desde 1946. O LOSC viveu uma temporada mágica com a conquista dos títulos da Ligue 1 e da Copa da França. O time desbancou os favoritos Olympique de Marselha e Lyon para, com sobras, dominar o cenário nacional. A equipe apenas confirmou uma tendência já observada há alguns anos. A equipe apresentava um futebol envolvente, marcado pela ofensividade, mas pecava quando precisava se cuidar na defesa. A diferença foi o equilíbrio encontrado em 2010/11. pode-se dizer que o Lille surpreendeu, pois seu objetivo no começo da temporada era apenas ficar entre os cinco primeiros colocados. Não apenas terminou no topo como ganhou um apelido que traduz muito bem sua qualidade ao longo da temporada: o “pequeno Barcelona”.
A eficiência ofensiva do LOSC se verifica pelas estatísticas. Nenhuma equipe balançou mais as redes adversárias do que o Lille: foram 65 gols. Praticamente um terço deles saiu dos pés de Moussa Sow. O atacante, esquecido até pouco tempo no Rennes, encontrou seu lugar e teve suas qualidades potencializadas por um time que joga fácil. Artilheiro do campeonato com 22 gols, Sow podia contar com a ajuda de Gervinho e Eden Hazard, dois dos melhores jogadores da Ligue 1 nesta temporada. Além das nove assistências, o marfinense fez 15 gols e teve importância fundamental para o bom funcionamento do ataque dos Dogues.
Hazard, com apenas 20 anos, tornou-se um dos jogadores mais cobiçados do mercado. Ele confirmou as expectativas em torno de seu talento, com habilidade para superar seus marcadores com dribles rápidos e passes imprevisíveis. De seus pés, partiram nove assistências para os companheiros. Com justiça, foi considerado o melhor jogador da Ligue 1. Na defesa, o LOSC contou com a participação crucial de Mickaël Landreau. O goleiro, quando não salvava a pele da equipe com suas defesas providenciais, dava a tranquilidade necessária à equipe nos momentos mais difíceis – como por exemplo na reta final da Ligue 1, quando o Lille apresentou uma queda de rendimento e teve seu título colocado em risco. Landreau foi o líder que faltava para os Dogues em campo.
Para a próxima temporada, o Lille terá o desafio de se confirmar como uma equipe forte, e que o título francês não foi apenas uma casualidade. O retorno à Liga dos Campeões dará ao elenco ainda mais experiência para lidar com a pressão, algo essencial para quem deseja se tornar grande e frequentar o alto escalão por mais vezes. O LOSC, porém, precisa suportar o grande assédio sobre seus jogadores, bastante visados por grandes clubes europeus. Os Dogues recuperaram sua força apostando em uma fórmula que já havia dado certo em épocas anteriores: um elenco sem estrelas, no qual sua força estava no grupo. Manter esta característica, agora como vitrine, será fundamental para o sucesso da equipe.