Após crise, França faz escolha interessante com Hervé Renard para treinar sua seleção feminina
O treinador se especializou em grandes feitos no futebol de seleções, como o título africano com Zâmbia e a vitória da Arábia Saudita sobre a Argentina na Copa do Mundo do Catar
Um dos melhores técnicos do futebol internacional masculino, Hervé Renard comandará a seleção francesa feminina na próxima Copa do Mundo e na Olimpíada de Paris, em 2024. A Federação Francesa confirmou a contratação do treinador francês de 54 anos nesta quinta-feira, esperando colocar ponto final em um crise que levou à saída de Corinne Diacre.
Acusada de cultivar uma cultura de abusos morais, Diacre foi demitida depois de jogadoras importantes, como Wendie Renard, Marie-Antoinette Katoto e Kadidiatou Diani, anunciarem que não defenderiam mais a seleção francesa. Além da proximidade com a Copa do Mundo, marcada para começar em julho na Nova Zelândia e na Austrália, a França ainda tem que se preparar para ser sede dos Jogos Olímpicos no próximo ano.
Renard é uma escolha interessante. Ele não tem experiência em futebol feminino, mas não é um Phil Neville, por exemplo, contratado pela Inglaterra apenas pela força do seu nome. Durante a última década, ele tornou o futebol de seleções a sua especialidade, alternando entre milagres e grandes feitos, e com poucos fracassos. A maioria deles quando se aventurou em clubes – fez trabalhos fracos à frente de Sochaux e Lille.
Foi campeão africano com Zâmbia, o maior milagre, e deu o título continental que a geração dourada da Costa do Marfim tanto queria, em 2015. Ele também quebrou um jejum de 20 anos de Marrocos sem participação em Copas do Mundo e, no Catar, orquestrou uma das maiores zebras de todos os tempos: a vitória da Arábia Saudita contra a Argentina na estreia.
“Após a reunião extraordinária do Comitê Executivo na tarde desta quinta-feira, a Federação Francesa de Futebol tem o prazer de anunciar a nomeação de Hervé Renard como técnico da seleção feminina da França até agosto de 2024”, confirmou a entidade, acrescentando que a sua primeira lista, para jogos contra Colômbia e Canadá em abril, será divulgada nesta sexta-feira, durante sua entrevista coletiva de apresentação.
Impulsionada pelas suas duas potências, PSG e Lyon, a França tem jogadoras talentosas, mas passou muitos anos sem uma boa campanha, antes de ser semifinalista da Eurocopa ano passado. Parou nas quartas de final das duas últimas Copas do Mundo, inclusive da que sediou, em 2019, e sequer se classificou para a Olimpíada de Tóquio, no ano seguinte. Ainda não disputou a final de uma grande competição feminina.



