FrançaLigue 1

Ah, que é isso, o PSG está descontrolado

Esta coluna já havia destacado como o Paris Saint-Germain está com os nervos à flor da pele. As expulsões de Beckham, Verratti e Sirigu contra o Évian, porém, não serviram como lição para o time. Agora, Thiago Silva foi para o chuveiro mais cedo no empate por 1 a 1 com o Valenciennes, mas o caso do zagueiro é bem mais brando do que o visto nos vestiários. Por mais que Leonardo vista o traje de vítima, nada justifica sua atitude ao cobrar uma satisfação do homem do apito ao fim do jogo.

O destempero de seu diretor de futebol ilustra muito bem como o PSG está com o lado emocional frágil no momento no qual mais precisava ter calma. Alexandre Castro, o árbitro no centro desta polêmica, sem dúvida alguma exagerou ao expulsar Thiago Silva ao se julgar intocável. O erro complicou o PSG e causou a justa revolta dos parisienses. Só que isso não permite a ninguém ultrapassar a linha do bom senso.

O sangue quente de Leonardo pode custar muito caro ao time da capital, logo agora quando faltam três rodadas para o fim da Ligue 1 e sete pontos separam o time do Olympique de Marseille, seu perseguidor mais próximo. Não adianta falar em complô ou evocar teorias da conspiração contra os ‘pobres coitados’ do PSG. Por sua posição, Leonardo deveria ser um dos primeiros a transmitir tranquilidade para o elenco.

A ansiedade para findar o longo jejum de títulos e, de certa forma, calar os críticos eleva naturalmente a adrenalina e a vontade de querer resolver logo o assunto. No PSG, porém, esta pressão ganha contornos muito maiores do que deveria ter. O mais paradoxal foi constatar que este time apresentou um impressionante sangue frio quando enfrentou o Barcelona duas vezes, em seus melhores momentos nesta temporada.

A mudança comportamental do time em um intervalo tão curto intriga quem acompanha o PSG. Quatro expulsões nos dois últimos jogos, muita discussão e brigas em campo contrastam com o time zen visto nas estatísticas. A equipe é a segunda que menos cometeu faltas na Ligue 1 até aqui (441), atrás apenas do Lorient (401). No ranking do fair play… Bem, os números chamam a atenção. O PSG já levou 69 cartões amarelos e nove vermelhos nesta edição do Francês e é o segundo mais indisciplinado do torneio. Leva a melhor apenas sobre o Bastia, com 78 amarelos.

O nervosismo excessivo não é novidade para Leonardo como dirigente do PSG. No ano passado, ele foi suspenso por duas partidas por conta de seu comportamento nada exemplar após o jogo contra o Montpellier. O brasileiro fez duras críticas à arbitragem, muito por conta da expulsão de Sakho, e não escondeu sua irritação. O jogo terminou empatado por 1 a 1. Coincidência?

O PSG será campeão francês, com quase certeza de forma antecipada. Esses passos finais rumo ao título deveriam ser suaves passadas de quem vê a glória se aproximar e sem ninguém para atrapalhá-lo. Em vez disso, o clube da capital prefere criar fantasmas inexistentes e enxergar um adversário extracampo que deseja derrubá-lo a qualquer custo, como se precisasse provar que o time é bom também na base do ‘contra tudo e contra todos’. Não é bem assim. O despreparo emocional do clube somente mostra que este PSG ainda não está preparado para se tornar a máquina que tanto deseja.

Revolta contra o Monaco

Os clubes da Ligue 1 já se armam para boicotar o Monaco, que está perto de retornar à primeira divisão. Há um clima geral de reclamação sobre os privilégios financeiros dos quais o time do principado se benéfica (leia-se isenção de impostos), o que gera um desequilíbrio de forças – ainda mais pelo fato de o ASM ter por trás um magnata disposto a injetar milhões para formar um time forte.

Dmitry Rybolovlev se tornou dono do Monaco no fim de 2011. O magnata russo, 119º homem mais rico do mundo de acordo com a revista Forbes, sonha em repetir o ‘plano PSG’. Com dinheiro de sobra, ele ainda conta com as benesses da isenção fiscal no principado. Um incentivo para a gastança desenfreada ganhar impulso e dar ao clube mais força na hora das negociações.

A possibilidade de enfrentar a concorrência desleal de um clube com bala na agulha incomoda demais os clubes franceses, que pressionam a Ligue de Football Professionel (LFP) para tomar alguma atitude. E ela veio. O conselho de administração da Liga decidiu que todos os clubes franceses devem estar sediados em território nacional antes de junho de 2014. Ou o Monaco se muda e se submete às rígidas leis fiscais francesas ou está condenado ao ostracismo.

Fala-se que a mudança do Monaco para o território francês ficaria em torno de € 200 milhões. Rybolovlev, claro, está furioso. Apoiado pelo governo do principado, o dono do ASM vociferou contra a LFP e promete ir à Justiça contra a decisão da entidade. Muitos dirigentes de clubes da Ligue 1 ameaçam boicotar jogos contra a equipe monegasca caso a mudança seja revogada. O braço de ferro promete ser intenso.

Há rumores de que Rybolovlev estaria disposto a gastar € 200 milhões para contratar reforços para a próxima temporada. O Monaco lidera a Ligue 2 com folga: tem 67 pontos, cinco a mais do que o vice Nantes a três rodadas do fim da competição. Essa conta, porém, não é a mais importante. O que está em jogo agora é a diferença entre os euros gastos pelos clubes franceses e pelo ASM.

Com isenções fiscais e com impostos menores sobre os salários dos jogadores, o Monaco gera naturalmente uma grande força atrativa. Quando o Monaco gasta € 2, os clubes franceses precisam pagar € 5 para conseguir igualar esta despesa. O retorno quase certo dos monegascos à Ligue 1 passará antes pelos bancos da Justiça.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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