Champions League 2026/27França

Ah, Ibra…

Zlatan Ibrahimovic nada de braçada na Ligue 1, mas parece não se encontrar quando o assunto muda para mata-matas de Liga dos Campeões. A chave do atacante do Paris Saint-Germain virou para o lado negativo durante a vitória por 2 a 1 sobre o Valencia fora de casa no jogo de ida das oitavas de final. Expulso e com um desempenho para lá de discreto, o sueco volta a conviver com as críticas de não aparecer nos momentos decisivos.

Levando-se em consideração apenas os jogos de mata-mata da LC, Ibrahimovic marcou apenas quatro gols em 28 partidas deste tipo. Uma estatística que contrasta com sua fúria goleadora nesta Ligue 1: 21 gols marcados em 14 confrontos. Diante do Valencia, o sueco teve duas chances daquelas para matar o time espanhol, quando o placar apontava 2 a 0 para o PSG. Ibra desperdiçou as duas.

Na primeira, em um contra-ataque construído ao lado de Ezequiel Lavezzi, Ibrahimovic não conseguiu passar por Guaita, em bela saída do gol. Na segunda, após receber passe de calcanhar de Clément Chantôme, o sueco surgiu na cara do goleiro do Valencia. Errou. Pagou o preço com o gol de Rami no finalzinho do jogo, que mantém vivas as esperanças de classificação dos Ches.

Claro que o PSG ainda tem uma vantagem considerável para o duelo de volta no Parc des Princes, mas sua situação seria muito mais confortável se tivesse que defender um placar de 3 a 0 – e com Ibrahimovic em campo. Pode parecer injusto, mas a ausência do sueco pode até beneficiar os parisienses. Como o Valencia terá a obrigação de sair para o ataque, o time da capital terá a chance de explorar os contra-ataques e a velocidade de Ménez, ou o oportunismo de Gameiro.

Enquanto esteve em campo, Ibrahimovic passou maus bocados. Perdido quando ajudava a defesa, o atacante pagou pela fama de exagerar na dose em algumas disputas de bola e recebeu um cartão vermelho totalmente evitável. Se o sueco vivia seu inferno astral no Mestalla, Lucas não tremeu em sua estreia na Liga dos Campeões e mais uma vez teve atuação destacada.

A noite parecia começar mal para o brasileiro após um choque com um adversário. Lucas demorou para entrar no ritmo e perdeu a posse de bola ao tentar dribles inúteis. No entanto, foram poucos minutos de atuação confusa. O ex-são-paulino logo encaixou seu estilo, acertou a trave e deixou a defesa do Valencia em apuros com suas arrancadas. Sua atuação foi coroada com a assistência para o segundo gol do PSG.

Os parisienses tiveram o controle da partida, já que o Valencia não cumpriu a promessa de pressionar os visitantes desde o começo. Os Ches falharam demais no meio-campo, perdendo a posse de bola de forma boba. Era a senha para o PSG encaminhar sua classificação sem grandes sustos, mas a desatenção geral nos minutos finais e a expulsão de Ibrahimovic deixaram aberta a partida de volta no Parc des Princes.

Lições da derrota

Franck Ribéry não foi decisivo, mas ganhou muitos pontos na derrota da França para a Alemanha por 2 a 1 no amistoso disputado no Stade de France. Ele não desperdiçou a oportunidade para mostrar sua redenção e provar que está em muito boa forma física. Suas arrancadas lembraram seus melhores tempos com a camisa dos Bleus, quando o público suspirava a cada subida do ex-jogador do Olympique de Marselha ao ataque.

Desde o vexame protagonizado pelos Bleus em Knysna na Copa do Mundo-2010, Ribéry cumpria exibições de pouco brilho. Ele parecia ser mais um problema do que solução para Didier Deschamps. Criticado, o meia-atacante soube dar a volta por cima com uma primordial evolução de suas condições físicas. Mais incisivo e confiante para avançar, Ribéry incomodou os alemães e serviu como válvula de escape de uma França privada da posse de bola.

A atuação de Ribéry nos últimos jogos pelos Bleus apenas confirma seu crescimento e serve para calar quem o critica por não repetir na seleção o mesmo desempenho visto no Bayern de Munique. O meia-atacante já havia feito um gol e duas assistências contra a Bielorrússia e somou outro passe decisivo no duelo contra a Espanha. Diante da Alemanha, ele teve bom entendimento com Mathieu Valbuena, autor do único gol francês, e esta parceria deixou Deschamps empolgado.

Apesar da derrota, o treinador conseguiu filtrar pontos positivos. A dupla de zaga demonstrou evolução e passou segurança, algo que não acontecia há algum tempo. Terceira opção no Paris Saint-Germain, Mamadou Sakho esteve concentrado todo o tempo e fez uma apresentação sólida. Laurent Koscielny, em baixa no Arsenal, reencontrou seu melhor nível; porém, lesionou-se e não teve mais chances de se firmar por completo.

Na lateral direita, Bacary Sagna voltou à seleção após uma ausência de aproximadamente um ano e meio. O resultado foi positivo: com uma atuação segura, ele provou que pode, sim, ser um concorrente forte para Mathieu Debuchy. Já Patrice Evra continua em um nível abaixo do exigido na lateral esquerda e está cada vez mais ameaçado de perder sua vaga entre os titulares.

Quanto ao setor ofensivo, os números continuam cruéis: desde que Deschamps assumiu o comando dos Bleus, a equipe marcou apenas sete gols em oito partidas. Ironicamente, o ataque azul apresenta evolução. Com Ribéry, Valbuena e Ménez, os franceses enfim puderam criar algumas jogadas. Falta ainda melhorar a pontaria e, sobretudo, perder o medo de finalizar.

A questão para Deschamps resolver antes dos duelos contra Geórgia e Espanha, próximos adversários dos Bleus nas eliminatórias da Copa-2014, reside no esquema tático. No 4-2-3-1 escolhido pelo treinador para iniciar os jogos contra Itália e Alemanha, os franceses se viram em dificuldades. Os principais problemas foram a perda de força no meio-campo e a consequente seca do ataque. Quando o time se reagrupou em um 4-3-3, a situação melhorou. Mais equilibrada, a equipe conseguiu sair para o ataque e incomodar. Talvez seja a melhor saída para o técnico.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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