Agora complicou

O Besiktas vinha de uma humilhante goleada de 8 a 0 sofrida para o Liverpool, além de outros fiascos na Süper Lig. A crise do time turco ampliou-se com a ameaça dos dirigentes de mandar meio elenco embora. As fragilidades nítidas demonstradas no duelo em Anfield deram ao Olympique de Marselha a sensação de que seria fácil sair de Istambul com algum precioso ponto. Pura ilusão; a derrota por 2 a 1 em uma chave tão embolada deixou todos os clubes com esperanças. Já o Lyon, embora tenha empatado com o Barcelona por 2 a 2 em Gerland, não mostrou um futebol capaz de encher os olhos. Além disso, o OL agora briga contra a matemática e as circunstâncias para seguir adiante na Liga dos Campeões.
Os marselheses até iniciaram bem a partida, diante de um rival quase inofensivo. Os problemas do OM se acentuaram a partir dos 25 minutos do primeiro tempo. Após uma dividida com Julien Rodriguez, Samir Nasri foi obrigado a deixar o gramado para a entrada de Djibril Cissé. Estava desmontado o equilíbrio do meio-campo montado por Eric Gerets. Poucos instantes depois, o gol marcado por Tello deixou os visitantes ainda mais nervosos em campo, uma prova de que a inconstância voltou a tomar conta do espírito do elenco.
O treinador foi forçado a transformar seu 4-5-1 em um 4-4-2 com a entrada de Cissé. Durante os 20 minutos restantes da primeira etapa, o Olympique demorou para se encontrar com a nova formação. No intervalo, Gerets conseguiu arrumar o time, que voltou a campo mais atento. A passagem de Bonnart para o lado direito da defesa e a entrada de Taiwo tinham como objetivo dar um pouco mais de estabilidade à retaguarda. Em parte, o plano deu certo.
O nigeriano empatou em um chute forte de longa distância. Seria o necessário para Taiwo se redimir de todas as falhas cometidas até aqui, mas ele não conseguiu terminar a partida sem estragar sua atuação. Foi por uma falha de posicionamento dele que se originou o lance do gol decisivo de Bobô. Além da nova falha do defensor, salta aos olhos a desatenção dos marselheses a partir do momento no qual o jogo estava 1 a 1. Depois de igualar, a equipe deixou de lado a marcação mais firme e relaxou, como se duvidasse da reação do Besiktas, acuado dentro de sua própria casa.
Agora, o OM recebe um ascendente Liverpool, que goleou o Porto por 4 a 1 e chega babando para o duelo no Vélodrome. Como o Olympique já fez questão de demonstrar várias vezes nos últimos tempos, os Reds não devem levar muito em conta o fato de atuar na casa do inimigo, pois os marselheses adoram entregar o ouro diante de sua torcida. O time francês chega de cabeça baixa para enfrentar um rival de peito estufado. Se o Olympique mantiver a postura irregular de suas últimas partidas na LC, verá a vaga quase garantida nas rodadas anteriores parar nas mãos de outros.
O Lyon também vive uma situação complicada. Para sorte dos hexacampeões nacionais, o Rangers deu uma força ao perder para o eliminado Stuttgart, que ainda não havia vencido qualquer jogo na competição e já está com a lanterna assegurada. Contra o Barcelona, os lioneses mostraram poder de reação, embora tenham contado com uma dose de sorte como no gol de falta de Juninho Pernambucano.
Contra um adversário que sabe controlar a bola e fazê-la rolar de forma rápida e precisa, os lioneses adiantaram um pouco a marcação na tentativa de complicar as trocas de passes dos blaugrana. Contudo, de nada adiantou apostar nos contra-ataques se lá na frente não havia Benzema, machucado, para concluir as jogadas. Em seu lugar, entrou Fred, ainda longe de sua melhor forma. Rémy, nos parcos minutos tidos no segundo tempo, foi mais incisivo do que o brasileiro, embora sua inexperiência tenha lhe atrapalhado na hora de definir as jogadas.
Com Juninho em evolução na temporada, o Lyon cresceu em seus últimos jogos. Entretanto o time tem a obrigação de bater o Rangers fora de casa se quiser disputar as oitavas-de-final. Nem é preciso dizer que o clube escocês colocará todo o seu elenco dentro de sua área para evitar a derrota. Diante de uma esperada retranca, nada melhor do que jogadas de bola parada para abrir frentes. Como a defesa ainda não inspira confiança total (Grosso, por exemplo, em nada acrescentou do ponto de vista ofensivo e deixou a desejar na marcação diante do Barça), atuar diante de um adversário mais preocupado em não levar gols terá suas vantagens. Resta encontrar o equilíbrio necessário para atacar e se defender com a mesma consistência para evitar surpresas.
Poço sem fim
O Paris Saint-Germain mais uma vez parece fadado a conviver com o fantasma do rebaixamento na temporada. Com a derrota por 2 a 1 para o Nice fora de casa, o time da capital aparece agora em antepenúltimo lugar na tabela da Ligue 1. Paul Le Guen retrata muito bem esse período tão ruim vivido pelo PSG. O treinador, responsável pelo salvamento da equipe na temporada passada, não consegue fazê-la reagir mesmo tendo quase esgotado todas as suas alternativas para mexer no time.
Sua última e desesperada tentativa foi lançar diversos jovens entre os titulares, em uma tentativa de mexer com os brios dos antigos donos das posições e aproveitar a empolgação dos novos atletas. No entanto, nem toda a energia trazida pelos jovens foi capaz de suplantar o peso da responsabilidade de carregar o clube nas costas. Lançados ao fogo apenas com pedaços pequenos de pano para apagar o incêndio, as promessas acabaram chamuscadas, sem obter o efeito esperado por Le Guen.
Contra o Nice, o PSG até pode reclamar de um erro de arbitragem ao anular um gol legítimo de Camara e que poderia selar o empate por 2 a 2, mas o time continuou nervoso em campo, sem saber direito como se organizar em campo. A instabilidade da defesa, sobretudo pelas falhas de marcação de Ceará e os problemas de posicionamento de Yepes e Camara, aliou-se ao isolamento de Rothen na armação das jogadas. Até então invicto como visitante, o Pars Saint-Germain enfim caiu.
A inexperiência de atletas como Arnaud e Ngoyi, bastante voluntariosos mas ainda crus para agüentar as exigências necessárias para um time de primeira divisão, contrasta com a nítida falta de vontade dos jogadores de maior rodagem. Se Pauleta parecia pouco confortável dentro de campo, aparentemente ele se acomodou com o banco de reservas e pouco se mexe para mudar a situação. Um retrato triste para uma equipe que sonhou em ser a maior do país.
Para piorar, quem ainda se esforça para manter um nível aceitável de qualidade não consegue enxergar um futuro melhor. Jérôme Rôthen, por exemplo, já deixou claro em uma entrevista ao Journal du Dimanche que, se o PSG permanecer na parte de baixo da tabela da Ligue 1, deixará o clube no final da temporada. A se julgar as perspectivas nebulosas do clube, seria melhor o meia abandonar o barco antes para não encalhar no fundo do mar.
O desgaste de Le Guen se acentua quando o treinador faz questão de se apegar a alguns dogmas e deixa de enxergar o óbvio. Gallardo, contratado para ser o maestro da equipe e ponto de referência, gasta seu futebol na equipe reserva. Enquanto isso, Ngoyi se arrasta em campo, repete uma série de falhas e, como ‘prêmio’, ganha seguidas presenças no onze titular. Incoerências à parte, o técnico segue o mesmo caminho de Guy Lacombe, seu antecessor, até mesmo no otimismo cego.
Em 2006/07, o PSG somou 17 pontos em 15 rodadas e aparecia em 13º lugar. Nesta temporada, o clube conquistou 16 pontos e ocupa o nada honroso 18º lugar. Com desempenhos tão parecidos, é de se esperar que Le Guen tenha vida curta no Parc des Princes. Entretanto, de nada adianta trocar de treinador se a principal mudança não ocorrer: fazer o elenco ao menos demonstrar um pouco mais de vontade dentro de campo – nem que, para isso, seja necessária uma reformulação do grupo de atletas em janeiro.
Grupo das Eliiminatórias-2010
A França terá um caminho complicado para garantir uma vaga na Copa do Mundo-2010. Os Bleus, cabeças-de-chave do grupo 7, enfrentarão alguns adversários bem chatos e que podem tranqüilamente complicar sua vida. De cara, a Romênia aparece como o adversário mais perigoso. A seleção provou sua qualidade nas Eliminatórias da Eurocopa-08, quando desbancaram a Holanda e terminaram na liderança com certa facilidade.
Se encarar os romenos parece uma pedreira, a França terá ainda muito trabalho diante de dois rivais cujo ponto forte está em seu sistema defensivo. A Sérvia, embora não tenha se classificado para a Euro, costuma dar trabalho ao vender muito caro a derrota. Por sua vez, a Lituânia, embora seja de um nível técnico inferior, fecha-se em sua defesa como uma concha, como os franceses comprovaram nas eliminatórias da competição continental.
Os austríacos podem oferecer alguma resistência, mas nada assustador, como se pode comprovar pelos resultados nada animadores de seus últimos amistosos. Para completar, Ilhas Faroe completa a chave para fazer a alegria dos atacantes adversários. À primeira vista, a França terá bastante trabalho para garantir sua viagem para a África do Sul.



