França

A revolução nortista

O Lille começou a temporada sem despertar grandes atenções. A equipe colecionou resultados pouco animadores e figurou na parte de baixo da tabela da Ligue 1. no entanto, a equipe se recuperou de forma incrível. Com uma série de vitórias, o LOSC não apenas subiu na classificação, como atingiu o pódio, tornou-se o dono do melhor ataque do torneio e agora até acredita na possibilidade de concorrer com o Bordeaux pelo título nacional. Isso sem contar a boa campanha na Liga Europa.

Em seus quatro primeiros jogos na Ligue 1, o Lille somou apenas um ponto. A crise rondava a equipe, que não podia contar com a experiência do goleiro Landreau, machucado. Ou então com um Cabaye sem a concentração exigida, ou um Gervinho ainda em fase de adaptação ao time. Para completar o cenário de horrores, o elenco sentia demais a falta de uma referência no ataque.

A grande virada dos Dogues veio na 13ª rodada, quando a equipe surpreendeu ao derrotar o poderoso Bordeaux por 2 a 0. Era o impulso que faltava ao time para sair do marasmo e encontrar dentro de si mesmo a solução para seus problemas. Em sua melhor sequência, o Lille marcou 19 gols em apenas cinco jogos, assumiu a segunda colocação (embora o Montpellier tenha um jogo a menos) e está a nove pontos do líder Bordeaux. A diferença para os Marine et Blanc parece gigantesca, mas o LOSC também parecia fadado a um destino bem pior nesta temporada.

A revolução no Lille passa, sem dúvida, pela excelente fase vivida pelo seu ataque. Nas últimas temporadas, soaria mais como uma piada apostar que o time teria o melhor setor ofensivo da França. Hoje, a brincadeira mudou completamente de rumo. Agora, há quem chame o LOSC de “Barcelona nortista”, dada sua força na artilharia. Ao todo, foram 37 gols marcados em 19 jogos – uma média de quase duas bolas na rede por partida, um número alto se levarmos em consideração a tradicional média baixa da Ligue 1 neste quesito.

Se antes o Lille sentia a falta de um atacante que servisse de referência, o time se dá ao luxo de contar com cinco jogadores que metem medo em qualquer defesa. Hazard, Gervinho, Cabaye, Túlio de Melo e Frau são os grandes responsáveis pela transformação da ‘armada’ do LOSC, com a grande maioria dos gols anotados pela equipe. Ironicamente, o jovem belga Hazard simboliza este momento de sorte e, sobretudo, competência.

Enquanto a pausa de inverno não termina, o Lille tem tempo para pensar em como não perder o encanto. A missão desde já se mostra difícil, pois janeiro marca a disputa da Copa Africana de Nações – ou seja, o time sofrerá baixas consideráveis em seu elenco. No ataque, Gervinho desfalcará o clube por um longo período, já que a Costa do Marfim promete ir longe no torneio continental. Uma opção seria Aubameyang, mas ele também estará ocupado com a seleção do Gabão.

Os problemas trazidos pela CAN-2010 não se limitam ao setor ofensivo. O Lille certamente perderá força na marcação com a saída de Chedjou, que defenderá Camarões no torneio disputado em Angola. A reação do LOSC às perdas causadas pela competição africana mostrará onde o time pode chegar no final da temporada: com um bom elenco, mantendo-se no topo, ou então a um insosso meio da tabela.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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