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A culpa não é dele

Os sabichões donos de bolas de cristal pregam aos quatro cantos a culpa de Didier Deschamps em apostar em Elinton para substituir o suspenso Steve Mandanda contra o Bayern de Munique no jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões. O goleiro brasileiro falhou, teve participação fundamental (negativa) na derrota por 2 a 0 do OM e viu o time praticamente se despedir da competição. No entanto, crucificar o treinador parece ser o caminho mais fácil (e burro) para querer explicar o revés marselhês.

A expulsão de Mandanda no fim da partida contra a Internazionale significaria a escolha natural por Gennaro Bracigliano, que atuou no último lance do jogo em Milão. Só que a bobagem cometida na vexatória eliminação da Copa da França para o Quevilly abriu espaço para Elinton. Na dúvida, Deschamps preferiu optar pelo brasileiro. O desempenho dele, porém, deixou o técnico em maus lençóis.

Elinton não havia disputado uma partida sequer nesta temporada. Disse, antes da partida, que era como uma fênix, a ave que renasce das cinzas. No Vélodorme, o brasileiro logo viu que sua noite terminaria mesmo chamuscada. Sim, o chute de Mario Gómez no primeiro gol do Bayern era perfeitamente defensável, mas também não foi um lance para arremessar o goleiro em um abismo. Ele fez uma boa defesa em outra finalização de Gómez e pouco podia fazer no gol de Robben, que definiu o resultado.

Culpar Elinton pela derrota e pela provável eliminação do Olympique de Marselha da Liga dos Campeões seria apenas uma forma de desviar a atenção para os verdadeiros problemas da equipe. O brasileiro nada tem a ver com a falta de confiança demonstrada pelos marselheses diante do Bayern – um rival mais forte, mas que nem por isso deveria ser encarado com tanta passividade pelos donos da casa. O OM ainda se mostrou completamente inofensivo no ataque, sem fazer cócegas na defesa dos bávaros.

O Bayern nem precisou apresentar um estilo de jogo envolvente para comprovar sua superioridade. O OM deixou sua versão LC escondida em algum canto do Vélodrome e ligou a chavinha da Ligue 1, aquela na qual o time prima pela desorganização em campo. Loïc Rémy finalmente ganhou uma vaga entre os titulares, mas logo percebeu que havia entrado em uma fria. Isolado no ataque, ele viu seus companheiros mais preocupados em se defender do que em criar alguma coisa.

A defesa marselhesa até começou bem, com um bloco sólido e que não sentiu tanto a ausência de Diawara. Fanni, seu substituto, segurava as pontas ao lado de um N’Koulou em boa jornada. Nos flancos, Ayew também desempenhou bom papel no auxílio ao setor defensivo, ainda mais contra um rival que conta com Ribéry e Robben. Já Amalfitano, em má fase há cerca de um mês, mais uma vez deixou a desejar. Esta formação que até começou bem não aguentou 90 minutos e caiu ainda antes do intervalo no contra-ataque finalizado por Gómez.

O duelo de volta na Allianz Arena apenas ratificará mais um fracasso do OM nesta temporada. Restará apenas a Copa da Liga Francesa, cuja final contra o Lyon será no próximo dia 14, como salvação para um time marcado pelas oscilações, sobretudo quando menos deveria apresentar altos e baixos. Fosse com Elinton, Bracigliano ou Mandanda, goleiro nenhum faria diferença para mudar o espírito derrotista impregnado na alma dos marselheses.

Defesa que é uma desgraça

O Parc des Princes se tornou um território hostil para o Paris Saint-Germain na semana que passou. Dentro de casa, o time da capital foi eliminado da Copa da França pelo Lyon, vencedor por 3 a 1. Para piorar, o PSG amargou um empate por 1 a 1 com o Bordeaux e viu o Montpellier assumir a ponta da Ligue 1 – as duas equipes têm o mesmo número de pontos, mas o MHSC leva a melhor nos critérios de desempate.

A situação poderia ser ainda pior, pois Guillaume Hoarau fez o gol salvador diante do Bordeaux e evitou a derrota. O PSG fez mais uma apresentação estéril, sem o menor ritmo e qualidade de um concorrente ao título. A equipe comandada por Carlo Ancelotti corre risco de ver a taça passar sob seu nariz, ainda mais com exibições pífias de seu setor defensivo. A cada rodada, as críticas à defesa se repetem, em claro sinal de que não há como corrigir tantos defeitos de posicionamento, sobretudo em jogadas pelo alto.

Há algo de irônico nisto tudo. Ancelotti chegou à França com a reputação de ser um treinador que dá atenção especial à montagem de seu sistema defensivo. No entanto, basta analisar os números para ver que o trabalho do italiano pouco surtiu efeito, bem como as tentativas da diretoria de contratar reforços para estancar a hemorragia.

Nos 14 jogos oficiais que disputou em 2012, o PSG levou nada menos do que 15 gols. Os números seriam mais estapafúrdios se Salvatore Sirigu não comprovasse a cada partida ser um dos melhores goleiros em ação na Ligue 1, ao lado de Steve Mandanda e Hugo Lloris. Não fosse por suas defesas milagrosas, os parisienses teriam perdido ainda mais pontos preciosos em sua corrida pelo título.

Curiosamente, desde a saída de Antoine Kombouaré, antecessor de Ancelotti, o PSG apresentou uma grande evolução no ataque. No total, foram 30 gols em 14 partidas disputadas sob as ordens do italiano. Evidencia-se um desequilíbrio completo entre os dois setores da equipe, mas Ancelotti não consegue tapar o buraco defensivo. E não só as jogadas de bola parada preocupam o treinador. A linha burra também impera e, em boa parte das vezes, é feita de forma equivocada.

O PSG contratou Maxwell, Alex e Thiago Motta para tentar trazer um pouco mais de segurança para a defesa, mas sem sucesso. Ancelotti testou nada menos do que nove duplas de zaga desde o início da temporada e ainda não encontrou uma formação que lhe agradasse. Para fazer esta composição, o técnico dispõe de Sakho, Alex, Lugano, Camara e Armand, com a preferência pelos dois primeiros.

Sakho, embora use a braçadeira de capitão, não está em sua melhor forma física. No começo do ano, ele se reapresentou acima do peso desejado e, ao que parece, não conseguiu se recuperar. Alex, que chegou no meio da temporada, também encontra dificuldades para se adaptar ao time, mas ao menos tenta compensar os erros de posicionamento com seu vigor físico. No entanto, nenhum deles poderia ser considerado como o dono da posição por conta de suas atuações abaixo do esperado.

Diego Lugano chegou com moral ao Parc des Princes no começo da temporada, mas o uruguaio ainda não correspondeu às expectativas e amarga o banco de reservas. Zoumana Camara foi muito bem no primeiro turno, mas foi deixado de lado por Ancelotti e praticamente não entrou em campo em 2012. A esta altura, quando a Ligue 1 caminha para seu final, a defesa do PSG parece ser a de um time que acabou de começar a disputa.

Enquanto isso, o Montpellier aproveita as bobeadas do PSG para mostrar suas garras. Após a derrota para o Nancy (1 a 0) e a eliminação da Copa da França pelo modesto Gazélec (também 1 a 0), o MHSC se recuperou diante do Saint-Étienne com uma vitória (adivinhem…) por 1 a 0. Olivier Giroud apareceu novamente como o salvador da equipe ao fazer o gol decisivo poucos minutos antes do apito final.

O Montpellier contou com o retorno de Belhanda, o que ajudou a equipe a ter maior posse de bola do que os Verdes, nitidamente armados em busca de um empate fora de casa. Pela enésima vez, os anfitriões dependeram de Giroud para seguir com chances de título. Aliás, esta disputa pela taça está bem estranha. De um lado, um time que pena com uma defesa pouco confiável; do outro, um rival com altíssima dependência em torno de seu principal atacante. Nessa, o Lille sonha em passar os dois e levar o bicampeonato.
 

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Equipe Trivela

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