FrançaLigue 1 2026/27

PSG nem precisou do melhor de Ibrahimovic para ser tricampeão francês

Em alguns momentos da temporada, até pareceu que o título escaparia. Seria um fracassso retumbante de um time com poder de investimento muito maior que o dos outros. Mas, pouco a pouco, rodada a rodada, o Paris Saint-Germain foi reassumindo o lugar que ocupou três anos atrás e do qual não quer sair de jeito nenhum: a ponta da tabela. Com a vitória deste sábado sobre o Montpellier, o clube conquistou o tricampeonato francês.

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O primeiro título veio com 12 pontos de vantagem para o segundo colocado. O segundo, com nove. Atualmente, o PSG tem oito a mais que o Lyon, podendo ampliar para 11 dependendo da última rodada, mas não foi um passeio no parque como nas épocas anteriores. Se não tinha um rival com o mesmo poderio ofensivo como foi o Monaco ano passado, teve um ótimo Olympique Marseille para rivalizar com ele no primeiro turno, e outro excelente Lyon no segundo.

A liderança veio apenas na 30ª rodada, e durante mais dois jogos, o Lyon ficou a apenas um ponto de distância, à espreita, esperando um tropeço. Não veio. Depois de um começo irregular, o PSG não deu chance ao azar na reta final e garantiu o título, na prática, na rodada anterior, quando goleou o Guingamp por 6 a 0 e viu o Lyon perder do Caen. A distância entre os dois subiu para cinco e bastaria ganhar do Montpellier, neste sábado, para o Campeonato Francês continuar em Paris.

Foi o que aconteceu, sem grandes dramas. Matuidi abriu o placar, aos 17 minutos, e aos 26, Lavezzi ampliou. O PSG abriu 2 a 0 muito rapidamente e tratou apenas de administrar o resultado, apesar do gol de Anthony Mounier, antes do intervalo. Acabou sendo mais uma vitória burocrática e protocolar, como tantas do time nesse período de hegemonia na Ligue 1. O que não é um demérito: o clube soube usar o dinheiro injetado para ser dominante.

E desta vez, nem precisou tanto de Ibrahimovic para fazer isso. O sueco, já com 33 anos, sofreu algumas lesões ao longo da temporada e foi desfalque em quase metade dos jogos. Disputou apenas 24 dos 37 disputados pelo PSG na primeira divisão francesa, 23 como titular. Com 19 gols, não foi nem o artilheiro da competição, como nas duas edições anteriores. Está atrás de Alexandre Lacazette (27), do Lyon, e André-Pierre Gignac (21).

Nesse vácuo, coadjuvantes ganharam espaço, principalmente dois no meio-campo. Matuidi foi o motorzinho da equipe, incansável, e com boa técnica para chegar à frente. E Pastore, o maestro. Uma das primeiras contratações milionárias do clube, o argentino finalmente teve uma temporada à altura do que se espera dele. A defesa muito brasileira também soube segurar a barra, embora na Europa tenha decepcionado.

O grande jogo da campanha foi no começo de abril, contra o Olympique Marseille, que tentava se recuperar de um começo terrível de segundo turno e ainda brigar pelo título. O PSG também teve que enfrentar 67 mil pessoas, o maior público da história do estádio Vélodrome. Saiu atrás, empatou, voltou a ficar atrás, empatou novamente, e arrancou a vitória na raça.

Para o futuro, ficam algumas questões, principalmente sobre a permanência de Edinson Cavani, que mais uma vez reclamou em público porque não está jogando na sua posição favorita. É que ela é ocupada por Ibrahimovic, outro que gera algumas dúvidas. O sueco tem um histórico consistente de não ficar muito tempo em um mesmo lugar e o corpo começa a cobrar o preço. De qualquer forma, por mais importante que ele ainda seja, o PSG mostrou que existe vida sem Ibrahimovic.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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