Era para ser apenas mais uma etapa na espera cada vez menor pela confirmação do título do Liverpool, mas o dérbi de Merseyside contra o Everton seguiu sua própria história, como é costume em grandes jogos. A exemplo dos últimos dois encontros entre as equipes no Goodison Park, os rivais se anularam e saíram do confronto com um empate sem gols. E olha que o Everton é quem mais tem motivos para lamentar a perda de pontos.

A primeira oportunidade da partida foi dos Toffees, quando Fabinho errou um recuo de cabeça, e Richarlison partiu pela esquerda. De um ângulo fechado, marcado pelo volante do Liverpool, o brasileiro conseguiu finalizar com perigo, com a bola cruzando a extensão do gol, mas sem encontrar destino na meta. O Liverpool respondeu com Minamino, aos dez minutos, batendo forte, de fora da área, mas a bola subiu demais, indo por cima do gol.

Os Reds demoraram um pouco a entrar na partida, mas por volta dos 15 minutos já começavam a dominar a posse de bola. Pela direita, Henderson e Alexander-Arnold começavam a ameaçar, com o lateral especialmente se colocando em posições perigosas.

Aos 30 minutos, em cobrança de falta, Alexander-Arnold levantou a bola na área com a potência e precisão que lhe são características, e Matip cabeceou sem direção. Também de bola parada, o Everton ofereceu sua réplica com cabeçada de Richarlison, mas a bola decolou acima da meta, e o brasileiro estava em posição de impedimento.

Em sua melhor construção de jogada, o Liverpool assustou aos 34 minutos. Minamino tomou a bola de André Gomes no meio do campo, e Henderson puxou o contra-ataque. Tocou para Mané, que ajeitou de calcanhar para Firmino. O brasileiro, bem colocado à frente da área, pegou mal na bola e mandou pela linha de fundo. À sua esquerda, Naby Keita aparecia livre e era a melhor opção.

Com James Milner lesionado, Klopp teve que fazer sua primeira alteração ainda aos 43 minutos da primeira etapa, promovendo a entrada de Joe Gomez.

Especialmente levando em conta as expectativas para o jogo, o primeiro tempo foi pouco movimentado. O segundo tempo não seria extremamente diferente, mas teria as melhores oportunidades do confronto, ambas para o Everton.

No entanto, quem começou ameaçando foi o Liverpool. Aos seis minutos da etapa complementar, Keita tabelou rapidamente com Firmino, que fazia o pivô, e, de dentro da área, arriscou um sem pulo, mas mandou longe da meta.

O Everton tinha dificuldade em manter a posse de bola e precisava adicionar qualidade ao seu meio de campo. Ancelotti então colocou Gylfi Sigurdsson no lugar do garoto Anthony Gordon, de 19 anos, que teve atuação apagada em sua primeira partida como titular.

Aos 16 minutos, Richarlison, mais uma vez, botou a defesa do Liverpool para correr. Lançado pelo alto por Calvert-Lewin, partiu em disparada e chegou à área, mas sua finalização foi muito forte, por cima do gol.

Depois de falta controversa de Digne na frente da área, que rendeu ainda o amarelo ao francês, Alexander-Arnold foi para a cobrança, mas acertou a barreira por pouco. Sem o desvio providencial, a bola parecia ter direção certa.

Buscando mexer na transição ofensiva e também no produto final, Klopp tirou Keita e Firmino e colocou Wijnaldum e Origi em campo. As mudanças, entretanto, não surtiriam efeito, e o Everton é quem ameaçaria.

Aos 35 minutos do segundo tempo, Richarlison recebeu a bola na linha de fundo pela esquerda, cruzou baixo para o meio, e Calvert-Lewin desviou de letra, forçando Alisson a uma boa defesa. Na sobra, em boa posição, Tom Davies chegou chutando, mirando o contrapé do brasileiro, e a bola caprichosamente pegou na trave, antes de Van Dijk mandar pela linha de fundo por precaução. No escanteio, mais emoção: Sigurdsson levantou na área, Holgate desviou, e Calvert-Lewin, na segunda trave, cabeceou com perigo, mas para fora.

No minuto seguinte, mais uma boa chance para os donos da casa. Richarlison, pela esquerda, driblou Lovren para tirá-lo da jogada e, sem ângulo, chutou com força, mas em cima de Alisson, enquanto tinha opções de passe no meio da área.

Os cerca de dez minutos restantes não trouxeram mais oportunidades significativas, e o empate sem gols foi confirmado. Foi apenas a terceira vez em 30 jogos nesta temporada de Premier League que o Liverpool saiu sem a vitória, mas, pelas circunstâncias, pode ficar feliz por não deixar o Goodison Park com a derrota.

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O time de Klopp definitivamente sentiu falta de Salah e Robertson para a sua criação de jogadas, mas poderia ter feito mais com os nomes que estavam em campo. De qualquer forma, a situação é confortável. Com oito rodadas restantes, os Reds esperam o Manchester City encerrar a rodada nesta segunda-feira (22) para saber em que pé estará em sua briga pelo título. Em caso de vitória dos Cityzens, o jogo da festa pode ser adiado justamente para o confronto contra a equipe de Guardiola, daqui a duas jornadas.

Se o time de Manchester tropeçar, o troféu pode ser garantido já na quarta-feira, quando o Liverpool enfrenta o Crystal Palace – o que, convenhamos, seria igualmente simbólico, considerando o empate em 3 a 3 na temporada 2013/14 que basicamente selou a perda do título à época.