Europa

Volta por cima

O Red Bull que lidera o Campeonato Austríaco não parece ser o mesmo time que oscilou demais no meio da competição e viveu momentos de crise. Sem perder há seis jogos (três vitórias e três empates desde o dia 7 de março) e há cinco rodadas consecutivas na ponta da tabela, os touros vermelhos parecem ter encontrado o caminho para se firmar como o favorito da competição, que vem sendo marcada pela inconstância da maioria das equipes.

Um bom exemplo é o empate no clássico contra o Austria Viena neste domingo. Pelas circunstâncias, o jogo poderá entrar para aquela galeria de coisas que só acontecem com times predestinados ao título. O Red Bull perdia por 1 a 0 – resultado que o tirava da liderança – até os 47 minutos do segundo tempo. Mas aí a zaga violeta resolveu dar um presente e entregou a bola nos pés de Ibrahim Sekagya. Do círculo central, ele lançou a bola na entrada da meia-lua, onde estava Stefan Maierhofer, que ajeitou de cabeça para o brasileiro Leonardo, na grande área, pegar de primeira e fazer o gol de empate. Gol que valeu um ponto, justamente a diferença do Red Bull para o Rapid Viena, segundo colocado.

O técnico Ricardo Moniz foi a primeira pessoa que Leonardo procurou para abraçar. E é pela capacidade do treinador holandês que passa boa parte do mérito pela recuperação dos touros vermelhos, time que mais vezes terminou a rodada como líder do campeonato na atual temporada (12, em 28).

Apesar do pouco tempo no cargo (esta é sua primeira temporada), Ricardo Moniz parece entender bem a filosofia de trabalho da empresa a que está a serviço. A Red Bull prima pela busca de um futebol ofensivo em todas as equipes que possui espalhadas ao redor do mundo. Na Bundesliga austríaca, os touros vermelhos são os donos do melhor ataque, com 43 gols em 28 jogos (média de 1,53 por partida) e têm dois dos quatro artilheiros da competição: Stefan Maierhofer e Jakob Jantscher, ambos com nove gols.

O treinador também soube suportar a pressão imposta a ele entre setembro e novembro do ano passado, quando a equipe ficou sete jogos seguidos sem vencer pelo campeonato nacional. Na época, ele chegou a dizer que estava vivendo o pior momento de sua carreira e passou a conviver com o fantasma de nomes que surgiam a todo instante, apontados como seu substituto – até o de Rafa Benitez foi ventilado.

O mérito do holandês esteve em manter a tranquilidade, acreditar nos diretores que diziam que ele estava “prestigiado” e passar confiança aos seus jogadores, mesmo num momento em que as coisas pareciam caminhar para um fim melancólico.

A recuperação começou ainda no ano passado, com a classificação para o mata-mata da Liga Europa (derrotando Paris Saint-Germain e Slovan Bratislava). Desde o dia 26 de novembro, quando aplicou 6 a 0 sobre o Kapfenberger pela Bundesliga, o Red Bull jogou 17 vezes, somando todas as competições. Foram nove vitórias, cinco empates e três derrotas.

Outro mérito de Moniz está em “vestir a camisa” do clube em que trabalha e ir além de suas funções à beira do campo. O treinador vem planejando as temporadas futuras da equipe. Nesta semana, declarou que o clube deve trabalhar para atingir o sistema que batizou de 8-8-8: um elenco formado por oito jogadores estrangeiros, oito austríacos bons de bola e outros oito jogadores vindos da categoria de base.

Apesar da proposta ser interessante, isso ainda está longe de acontecer. O Red Bull é atualmente o time mais internacional da Bundesliga, com atletas vindos de Alemanha, Suécia, Brasil, Finlândia, Holanda, Suíça, Uganda, Eslováquia, Uruguai, Argentina e Espanha. Fora isso, reunir num mesmo time oito jogadores austríacos que atuem num nível superior à maioria só é possível, por enquanto, para a seleção do País.

A primeira parte do 8-8-8 pretendido pelo treinador que deve funcionar é a de jogadores da base. Na semana passada, o clube iniciou a construção de um centro de treinamentos que atenderá 400 jovens nas equipes de futebol e hóquei no gelo.

Restando oito rodadas para o fim da Bundesliga, o tudo ainda pode acontecer – apenas cinco pontos separam o primeiro do quarto colocado. Mas, nesta reta final, o Red Bull começa a despontar como o principal favorito para conquistar o título.

CURTAS

ÁUSTRIA

– Sensação no início da temporada, o Admira vai despencando na tabela da Bundesliga. No sábado, foi goleado em casa pelo Rapid  Viena por 4 a 0 e caiu para a sétima posição.

– Só para variar, houve troca de líder na Erste Liga. O St. Andrä, que era o primeiro colocado, viajou a Linz e perdeu para o Lask por 2 a 1. O Altach recebeu o Scholz Grödig e ganhou por 2 a 0, reassumindo a ponta.

SUÍÇA

– O Neuchâtel Xamax anunciou na semana passada a nova composição de sua diretoria. A presidência ficou com Christian Binggeli, um empresário de 58 anos, que atua no ramo da tecnologia odontológica. É possível que o nome do clube seja alterado, já que o anterior foi levado à falência pelo checheno Bulat Chagaev.

– O fato que mais chamou a atenção na rodada foi que o Lausanne voltou a marcar gols após 608 minutos (mais de 10 horas) de jejum. A agonia dos torcedores acabou aos 15 minutos do jogo contra o Servette, quando Matt Moussilou fez o primeiro da vitória por 3 a 1. O Lausanne é o penúltimo colocado, à frente apenas do Sion.

– O Basel continua nadando de braçada no Suíção. Com a vitória sobre o Thun por 3 a 2 fora de casa (e a folga do Luzern, que não jogou na rodada), abriu 14 pontos de vantagem na liderança do campeonato.

– Quem também segue tranquilo é o St. Gallen, líder da Challenge League. O time recebeu o Wil 1900 e ganhou por 3 a 2. Sua vantagem para o Bellinzona, vice-líder, é de 11 pontos.

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