Viktor Fischer, uma lenda do Football Manager, encerra carreira aos 29 anos
O meia-atacante defendeu o Ajax mais de 100 vezes e tem um jogo de Copa do Mundo no currículo
Ninguém que jogou Football Manager na última década (ou pelo menos ninguém que jogou direito) nunca fez um save em que contratou Viktor Fischer, promessa dinamarquesa formada pelo Ajax. Era barato, podia atuar em mais de uma posição e se tornava um craque, a receita perfeita para ser uma lenda do jogo. Na vida real, ele nunca conseguiu estourar, embora tenha disputado uma Copa do Mundo pela Dinamarca, e encerrou a carreira precocemente aos 29 anos por problemas físicos.
O Royal Antuérpia, dono do seu contrato, anunciou a decisão nesta quinta-feira pelas redes sociais, citando uma lesão “persistente”. Ele estava emprestado ao AIK, da Suécia, até o fim de 2023. Os dois contratos foram rescindidos.
“Viktor Fischer (29) encerra sua carreira no futebol. O motivo é uma lesão persistente. Fischer foi emprestado ao AIK, da Suécia, até o fim deste ano. A seu pedido, os contratos com os dois clubes foram quebrados em comum acordo”, escreveu o Antwerp no Twitter.
O Ajax, clube que o revelou ao mundo, fez uma homenagem pelas redes sociais: “Obrigado por grandes momentos e desejamos tudo de melhor para o seu futuro”.
Viktor Fischer has retired from playing professional football.
Thanks for the great moments and we wish you all the best in the future ❤️ pic.twitter.com/QCk7qFtVjH
— AFC Ajax (@AFCAjax) June 29, 2023
Quem é Viktor Fischer?
Embora não tenha se tornado craque como no videogame, Fischer ainda faz parte do grupo de jogadores que defendeu o Ajax mais de 100 vezes, o que não é pouca coisa. Estreou em 2012 e foi muito bem, marcando dez vezes em 23 rodadas do Campeonato Holandês. Titular na Eredivise, ganhou experiência do mais alto nível enfrentando Manchester City, Borussia Dortmund e Real Madrid na fase de grupos da Champions League. A produção baixou na sequência e uma séria lesão muscular na reta final o faria perder quase toda a temporada seguinte, 2014/15. Recuperado, Fischer virou reserva de Frank de Boer em 2015/16 e anunciou que estava afim de ir embora.
Era uma aposta interessante para um clube que precisava de algumas delas, como o Middlesbrough, que retornava à Premier League após sete anos na segunda divisão. Mas ele conseguiu jogar apenas 13 vezes pela liga inglesa, 16 no total. Não fez gol e raramente foi titular. Saiu baratinho para tentar a sorte no Mainz e teve apenas um punhado de aparições em campo antes de retornar à Dinamarca para defender o Copenhague, em janeiro de 2018.
Quando foi negociado, levou uma indiretinha do diretor esportivo do clube alemão, Rouven Schröder. “Tivemos longas e intensas conversas com Viktor, nas quais ele deixou bem claro que gostaria de seguir outros caminhos e não o nosso. Gostaríamos de tê-lo desenvolvido ainda mais em Mainz, mas a vontade de encarar as coisas com paciência e consistência é um pré-requisito necessário com a nossa equipe e nosso clube”, disse.
Se estava em busca de mais estabilidade, encontrou. Brilhou na reta final da temporada regular do Campeonato Dinamarquês, com três gols e quatro assistências em sete rodadas, mas não conseguiu dar o título ao Copenhague. Fez o bastante, porém, para continuar convocado à seleção dinamarquesa. Integrou a lista do técnico Age Hareide para a Copa do Mundo da Rússia e fez 30 minutos contra a França na terceira rodada da fase de grupos. Foi seu único jogo naquela competição. Depois de enfrentar Gales em setembro daquele ano pela Liga das Nações, nunca mais defenderia a Dinamarca.
A temporada seguinte, 2018/19, foi positiva no Copenhague. Fischer marcou 11 vezes e deu 15 assistências em 36 jogos por todas as competições. Teve um começo arrasador no Campeonato Dinamarquês, mas uma lesão o deixou afastado por alguns meses. Retornou para o hexagonal final e contribuiu com a conquista do título.
Conseguiu emplacar mais dois anos atuando com regularidade, sem tanto impacto, e saiu para o Royal Antuérpia em 2021. No entanto, precisou operar o tornozelo em fevereiro de 2022 e não apareceu mais naquela campanha. Fez mais alguns jogos no segundo semestre do ano passado e foi emprestado para o AIK, que acabou defendendo apenas 12 vezes, com dois gols antes de se aposentar.



