Europa

Um problema a menos

O AEK confirmou o título na Copa da Grécia neste final de semana. Decidindo a partida única no Estádio Olímpico de Atenas, tradicional palco da final da copa, os Dikefalos contaram com o apoio maciço do público para vencer o Atromitos por 3 a 0. Mais que o troféu extra para a galeria do clube, o título representa um fim de temporada um pouco mais tranquilo do que nas temporadas anteriores. Depois de oito temporadas seguidas sem um título sequer, a torcida ateniense finalmente tem algum motivo para comemorar.

Atuando em um esquema 4-4-2, com o meio-campo em losango, o AEK teve boas chances de gol já nos primeiros minutos de jogo, especialmente com o meia-atacante Nacho Scocco. O Atromitos, por sua vez, se mantinha com a defesa avançada em campo e pressionando a saída de bola dos adversários, na tentativa de aproveitar possíveis brechas de um rival tecnicamente superior. Entretanto, aos 28 minutos de jogo, Scocco cruzou para Nikos Liberopoulos abrir o caminho rumo ao título. Quatro minutos depois, Scocco saiu machucado e os Dikefalos caíram um pouco de produção.

Após o intervalo, o Atromitos teve duas boas chances de marcar, mas as desperdiçou. Enquanto isso, o miolo de zaga do AEK, composto por Dellas e Manolas, tinha atuação sólida. A confirmação da vitória só viria após os trinta minutos da segunda etapa, quando Panagiotis Lagos iniciou as jogadas para Baha e Kafes fecharem a conta em 3 a 0. Depois de mais um lamentável episódio de batalha campal entre torcedores e polícia, que durou alguns minutos, a cerimônia de premiação foi especial para o veterano Nikos Liberopoulos. Apesar da carreira consagrada, este foi o primeiro título conquistado pelo atacante.

A última vez que o AEK havia levantado uma taça foi em 2002, quando ganhou a mesma Copa da Grécia ante o Olympiacos. Depois disso, foram dois vice-campeonatos na Liga e mais duas finais de Copa em que o time perdeu. Se não resolve todos os problemas, a conquista ajuda a sanar parte deles. Não é a volta aos tempos de esplendor da equipe, mas a vitória ao menos diminui a cobrança por resultados.

O que parece não ter fim é a preocupação do clube com a sua vida financeira. Sem um padrinho endinheirado como os rivais Olympiacos e Panathinaikos, o AEK tem se esforçado para manter as contas em dia. Ao longo desta temporada, o clube manteve uma política de poucos gastos nas janelas de transferências, apostando em jogadores com contrato próximo do fim e investindo cerca de 1,3 milhão de euros no reforço de seu elenco. Para a próxima temporada, as expectativas são de menos dinheiro fluindo nos caixas, com redução de 40% do capital disponível para compra de jogadores.

Até mesmo o técnico Manolo Jiménez demonstrou preocupações. O treinador manifestou oposição a uma política de empréstimos que possa ser feita pela diretoria e afirmou que o time só pode obter bons resultados com a continuidade do elenco. Os contratos de oito jogadores do elenco terminam ao fim desta temporada, sendo três deles adquiridos por empréstimo. Ismael Blanco, Nikos Liberopoulos e Traianos Dellas, todos referência na equipe, ainda precisam acertar a renovação do vínculo.

Além disso, o AEK também passa por mudanças importantes nos seus bastidores. Petros Pappas, acionista majoritários do clube, deve anunciar a sua saída dentro das próximas semanas. Antes de ir embora, porém, Pappas planeja deixar para os Dikefalos um plano de sustentação econômica “inovador”, segundo as suas próprias palavras. Há a expectativa também de que o clube recorra cada vez mais à associação com os seus torcedores.

Um dos responsáveis pela construção do centro de treinamentos do clube na última década, o acionista quer deixar como legado de sua gestão a adequação às normas do “Fair Play Financeiro” da Uefa. Para tanto, o AEK vai saldar cerca de seis milhões de euros em dívidas. Se não conseguir apoio financeiro, terá que apertar os cintos. Cogita-se até mesmo a venda de alguns jogadores e a criação de um limite para o salário anual de cada atleta, que não deveria ultrapassar os 300 mil euros.

Uma luz que surge neste mês de maio é a conquista do quadrangular final da Super League, que dá uma vaga nas fases qualificatórias da Liga dos Campeões. Ainda que esteja com um lugar assegurado na próxima Liga Europa, uma participação na Champions possibilita um acréscimo financeiro muito bem vindo ao clube. Menos pressionados após a conquista da Copa da Grécia, os Dikefalos apostam o restante de suas forças nestes playoffs. Mesmo que o significado não seja tão grande quanto o de um título, um triunfo na competição deverá ser bem mais importante para o futuro dos atenienses.

Cabeça a cabeça

A disputa acirrada pelo topo da Süper Lig turca terá mais um capítulo na próxima rodada. Fenerbahçe e Trabzonspor venceram as suas partidas no último final de semana e se mantêm empatados em pontos na tabela, com leve vantagem para o time de Istambul no saldo de gols. Restando apenas três etapas para o fim do campeonato, o título deve mesmo ser decidido nos pequenos detalhes.

Apesar de atualmente estar em segundo, o Trabzonspor foi o vencedor moral da disputa na última rodada. Afinal, os Karadeniz Firtinasi venceram por incontestáveis 3 a 0 o Gaziantepspor, um dos melhores times do segundo turno e atual quarto colocado. O êxito contou com dois tentos e mais uma bela atuação do meia Burak Yilmaz, que vem sendo decisivo nesta reta final de campeonato. Do outro lado, o Fenerbahçe abriu o placar contra o Istanbul BB já aos 2 minutos de jogo, com gol de Miroslav Stoch. No fim da primeira etapa, Alex deu números finais ao encontro. Este foi o 22º gol do brasileiro, artilheiro isolado da Süper Lig.

Para a próxima rodada, ambos os times atuam fora de casa. O Fenerbahçe pega o 8º colocado Karabükspor, sem mais interesses na competição. Já o Trabzonspor enfrenta o quase rebaixado Bucaspor, que tem sua última oportunidade de fugir da degola. Dois jogos de grande valia para a briga pelo título e que podem deixar o páreo ainda mais embolado.

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Equipe Trivela

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