Europa

Um ano após o colapso de Eriksen, mais de 25 mil dinamarqueses se capacitaram para o uso de desfibriladores

Ao longo dos últimos 12 meses, o número de socorristas aptos na Dinamarca cresceu 23%

A parada cardíaca sofrida por Christian Eriksen durante a última Eurocopa, há exatamente um ano, sensibilizou muita gente. E, sobretudo, conscientizou sobre a importância dos primeiros socorros o quanto antes. A recuperação plena do meia se tornou possível graças à velocidade no atendimento e ao procedimento feito pelos socorristas. Como consequência, o número de pessoas aptas a usar desfibriladores na Dinamarca cresceu 23% ao longo do último ano. Mais de 25 mil habitantes do país se habilitaram junto às autoridades de saúde para prestarem os primeiros socorros em emergências do tipo.

“O que vimos imediatamente depois que Eriksen desmaiou no Estádio Parken foi um grande interesse nas pessoas em se capacitarem”, afirma Grethe Thomas, que gerencia um projeto que oferece o uso de desfibriladores na Dinamarca, ao jornal local Berlingske. Segundo os dados, o número de pessoas capacitadas na Dinamarca subiu de 113,8 mil para 139,6 mil, um crescimento de 23% durante os últimos 12 meses.

As pessoas habilitadas recebem alertas se estiverem próximas de alguém que sofreu uma parada cardíaca. Tal sistema de monitoramento permite muitas vezes que esses socorristas capacitados cheguem antes ao local do que as equipes médicas. Assim, os salvamentos são mais eficientes. Na Dinamarca, são registrados em média 13 paradas cardíacas por dia. Cerca de 20 pessoas recebem os alertas a cada ocorrência. Mais de 2,3 mil pessoas estão aptas ao uso de desfibriladores a cada 100 mil habitantes. O sistema de monitoramento dinamarquês foi desenvolvido em 2017, para garantir uma maior eficiência dos desfibriladores espalhados pelo país.

“Os socorristas são cruciais para que as pessoas que sofrem uma parada cardíaca tenham sua vida preservada. Isso simplesmente porque existem pessoas aptas para o atendimento imediato na área próxima. Sabemos que a chance de sobrevivência diminui dez por cento a cada minuto que passa”, afirma Grethe Thomas. Se a situação de Eriksen foi excepcional, com uma equipe médica de prontidão para agir de imediato, o episódio assustador também criou consciência para que mais compatriotas tenham as mesmas chances de sobrevivência do astro da seleção nacional.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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