Uefa denuncia Estrela Vermelha por racismo contra Ibra, dias depois de ele levar uma enterrada de LeBron James
A Uefa anunciou nesta quarta-feira que, após conduzir uma investigação a denúncias de racismo contra Zlatan Ibrahimovic por parte de um torcedor do Estrela Vermelha no jogo de ida dos 32 avos de final da Liga Europa, abriu um procedimento disciplinar contra o clube sérvio. O curioso de tudo isso é ter acontecido apenas dias depois de Ibrahimovic levar uma enterrada de LeBron James, astro do Los Angeles Lakers, da NBA, em uma discussão sobre a participação de atletas no debate político.
Em uma entrevista ao Discovery+ da Suécia, Ibrahimovic elogiou a habilidade de LeBron James com uma bola de basquete, mas afirmou que não gosta quando ele “faz política”. LeBron foi um dos líderes do movimento dos atletas da NBA que usou a bolha organizada em Orlando para terminar a temporada como uma plataforma para reforçar a mensagem do Black Lives Matter, após o assassinato de George Floyd.
LeBron respondeu no último sábado dizendo que nunca deixará de pregar sobre igualdade, justiça social, racismo, repressão sistemática de eleitores e outras questões importantes para a sua comunidade. Como padrinho de mais de 300 crianças na escola que fundou em Akron, no Ohio, não fugirá da responsabilidade de ser a voz desses jovens e “colocar luz sobre tudo o que está acontecendo”. E também lembrou de uma vez em que Ibrahimovic reclamou de sofrer preconceito na Suécia porque o seu sobrenome, de origem bósnio-croata, era diferente.
Pois é. O Estrela Vermelha conseguiu se envolver em um caso de racismo em um jogo (teoricamente) sem torcida. Mas uma pessoa que estava no camarote VIP do seu estádio teria se dirigido a Ibrahimovic, que estava no banco de reservas, com uma palavra pejorativa utilizada por nacionalistas sérvios para insultar o povo bósnio.
Jarring video of Zlatan Ibrahimovic, who is ethnically Bosnian, being harassed and having ethnic slurs spewed at him at the Red Star Belgrade game.
“Balija” is an ethnic slur for Bosniaks that’s been used for years by Serb nationalists especially as one of the biggest insults. pic.twitter.com/W5yB0Xuknn
— Arnesa Buljušmić-Kustura (@Rrrrnessa) February 19, 2021
“Após uma investigação disciplinar conduzida pelo inspetor de Ética e Disciplina da Uefa, procedimentos disciplinares foram abertos de acordo com o Artigo 55 do Regulamento Disciplinar da Uefa, após os incidentes que ocorreram no jogo dos 32 avos de final da Liga Europa entre Estrela Vermelha e Milan, disputado em 18 de fevereiro, na Sérvia”, informou a entidade, em um comunicado no seu site.
O Estrela Vermelha foi denunciado por comportamento racista, cantos ofensivos e provocativos e violação do protocolo da Uefa de retorno ao jogo – porque não deveria haver torcida no estádio naquela partida. “O caso será lidado pelo Órgão de Disciplina, Ética e Controle da Uefa no devido tempo”, completou.
Em sua tréplica, Ibrahimovic afirmou que “atletas unem o mundo, e políticos o dividem”. “Nosso papel é unir o mundo fazendo o que fazemos de melhor. Atletas deveriam ser atletas e políticos deveriam ser políticos”, explicou o atacante do Milan.
O que escapa a Ibra nessa discussão que é os atletas têm uma plataforma única para unir o mundo combatendo justamente os preconceitos que o dividem, por gênero, por orientação sexual, por religião. E por raça ou etnia.
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