Europa

Turquia, o time da virada

Quando chegaram à Suíça, as perspectivas para a Milli Takim não eram das mais promissoras. Vindos de uma campanha um tanto complicada nas eliminatórias e de uma preparação sem grande brilho antes da Euro, nada indicava que os turcos conseguiram a classificação do grupo A. Ainda mais num grupo com Portugal, República Tcheca e Suíça, três equipes que estiveram na última Copa do Mundo.

A certeza de que nada aconteceria aumentou no momento em que os turcos foram derrotados por Portugal na estréia (2 a 0). Principalmente porque os otomanos não apresentaram um bom futebol e nem conseguiram fazer frente ao time de Cristiano Ronaldo e Deco. Certo que os Tugas eram a principal força do grupo, mas os turcos também não mostraram a que vieram.

Porém, houve a virada. E a partir da segunda rodada, os turcos mostraram que o coração é um ponto forte de seu futebol. Após sair perdendo para os donos da casa, num misto de azar e oportunismo do atacante turco-suíço Hakan Yakim, os turcos partiram para cima.

Esperava-se que os turcos fossem sentir o peso de dois fracassos seguidos, um deles, inclusive, para os suíços, mas nada disso aconteceu. As entradas de Semih Senturk e Mehmet Topal fizeram com que a Milli Takim melhorasse, e passassem a pressionar os helvéticos.

Senturk fez a assistência para Nihat Kaveci, que abriu o placar. E, quando menos se esperava, no final da partida, o meia do Galatasaray Arda Turan fez boa jogada, chutou de média distância, e teve alguma sorte para ver a bola encobrir o goleiro e entrar no gol.

Na terceira partida, contra os tchecos, a história foi semelhante. Os turcos saíram atrás –desta vez por 2 a 0-, mas conseguiram voltar ao jogo e virar. Novamente, Turan abriu o caminho para a reação, aproveitando um cruzamento de Sabri Sagrioglu. E Nihat completou o caminho para a reação, aproveitando duas falhas da defesa tcheca –uma falha constrangedora de Petr Cech num cruzamento e uma saída em falso da defesa que deixou o centroavante do Villareal livre, na entrada da área.

As viradas foram impressionantes. Fato. Mas também deixam alguma preocupação para a turma de Fatih Terim. Primeiro, porque não será sempre que os turcos acharão forças para este tipo de superação, e o caminho para estas viradas dependem de vacilos dos adversários –que nem sempre acontecerão.

Contra a Croácia, a história será mais complicada. Além de pegar um dos times com melhor campanha na primeira fase da Euro, ainda terão que enfrentar importantes desfalques em sua equipe. Além das ausências já definidas dos suspensos Volkan Demirel e Mehmet Aurélio, pelo menos mais cinco jogadores estão com problemas físicos, e podem não jogar contra os croatas. São eles os defensores Emre Gungor -que não joga mais na competição-, Servet Çetin e Gokhan Zan, e o meia Emre Belozoglu e o meia-atacante Tumer Metin.

O único com um substituto a altura é Volkan, que terá em seu lugar o veterano Rustu Recber. Recber era o dono da posição até se machucar, no final de 2006. Depois, Volkan assumiu o posto, e não mais o deixou. Porém, a besteira de empurrar Jan Koller no finalzinho do jogo deixa o posto livre para o arqueiro do Besiktas, que assim volta para tentar segurar os croatas –em sua 117ª partida defendendo o arco da Milli Takim.

Nas outras posições, algumas dúvidas. Emre Asik é a escolha lógica caso Çetin ou Zan não possam jogar na próxima sexta. Apesar de não dar tanta segurança quando Gungor, foi a escolha feita por Terim na partida contra Portugal e Suíça. Se ambos não puderem jogar, daí os turcos estarão em apuros, já que terão que adaptar alguém para fazer este papel.

No meio, Mehmet Topal deve ser a aposta para substituir Mehmet Aurélio. Emre tem sido bem substituído por Arda Turan nas duas últimas partidas. E, no ataque, Tumer foi sacado, mas ainda não há a certeza se o seu substituto seria o centroavante Semith Senturk, como no final da partida frente os suíços e no começo da partida frente os tchecos.

 De toda a forma, o sonho continua para os turcos, pelo menos até esta sexta (20). E o otimismo reina na Milli Takim depois de passar de um grupo que parecia complicado. O que vier depois é lucro. E, nesta mesma situação, os rivais gregos alcançaram o olimpo.

A história de um naufrágio

O Navio Pirata zarpou de Pireu confiante. A história mostrava que, numa competição de tiro curto, tudo é possível. E, mais do que ninguém, os gregos tinham consciência disso.

Desta vez, porém, a missão era mais complexa. Dependia de um conhecimento do mapa hidrográfico da região central do continente, que, infelizmente, não era a especialidade dos gregos. Mesmo assim, os intrépidos gregos sonhavam em repetir a façanha.

Em 2004, foi mais fácil. Chegar a um porto aberto, como era Lisboa, foi muito mais fácil. Os gregos tem milenar conhecimento nas técnicas de deslocamento marítimo, e, por isso a missão, em mar aberto, não tinha grandes segredos para eles. Com a sua tripulação em plena forma, a missão se desenrolou de forma perfeita. E, justamente por isso, o navio pirata desembarcou em Lisboa e levou a taça embora.

A missão de 2008, desta vez num rio, era mais complicada. Pegar o Danúbio desde a sua foz, subir, e novamente tomar a Europa de assalto, repetindo o feito de quatro anos atrás, um sonho. Mas não nada disso o que aconteceu.

Começou com uma preparação problemática, com alguns resultados ruins às vésperas da competição. E nem a tripulação estava com 100% de suas condições. Era um prenúncio de que o verão de 2008 não seria tão feliz para os helênicos.

A Europa, desta vez preparada, impediu mais uma pilhagem dos gregos. Preparou uma vingança cruel para os piratas. Flagrou a embarcação ainda no início de sua campanha, e deu um couro nos gregos, que voltaram bem doloridos para Pireu.

Foi uma campanha desastrosa para um time de tanto sucesso há quatro anos. Foram três derrotas, num mês completamente oposto ao de 2004. Em Portugal, os gregos eram os azarões que tiveram os ventos a seu favor. Jogaram com um sistema de marcação forte e um contra-ataque mortal, com aproveitamento quase total de suas oportunidades, numa aplicação perfeita de planos táticos, com vitórias importantes e decisivas em momentos fundamentais.

Já na Áustria, pouca coisa funcionou. A defesa ficou desprotegida com a ausência de um terceiro volante -como foi Zagorakis em Portugal. Ok. Zagorakis parou há algum tempo, e a Grécia chegou a mais uma Euro, com uma campanha irrepreensível nas eliminatórias -ainda mais na segunda metade, quando o capitão já assumia a Presidência do PAOK de Tessalônica. Mas em jogos como os das Eliminatórias, em um grupo fácil, o sistema com dois atacantes fixos funcionou perfeitamente, já que não foi testado e os desafios não eram dos mais complexos. Na Euro, a falta de Zagorakis se fez sentir de forma mais aguda.

Com Karagounis e Gekas sem estar em perfeitas condições, a Grécia também ficou sem muitas opções para alimentar o seu Panzer (Charisteas). E, com isso, o ataque também não funcionou. Ou seja, além de não marcar com propriedade, os gregos também não conseguiam atacar com eficiência.

A derrota para os suecos foi outro fator complicador para os gregos. E, da mesma forma que a vitória sobre Portugal naquela campanha de quatro anos atrás foi importante psicologicamente, já que foi o estopim de um mês perfeito, a derrota para a Suécia deixou os gregos em xeque já na primeira rodada.

No fundo, até o mais fanático torcedor grego sabe que o Navio Pirata poderia ter produzido um pouco mais. Mas, da mesma forma, eles sabem que um mês perfeito como o de quatro anos atrás não irá se repetir com tamanha facilidade –se é que vai se repetir no futuro. Por isso, há uma pontinha de frustração, mas também não há uma caça às bruxas.

Na segundona..

Deseja saber um pouco mais sobre as segundonas de Grécia, Turquia e Chipre? Então vamos lá.

Na Grécia, houve um amplo domínio dos times do norte grego. Dos seis primeiros colocados da Beta Ethiniki, quatro eram da região setentrional da península. Tal domínio se refletiu entre os promovidos. Panserraikos, Thrasyvoulos e Panthrakikos serão os novos integrantes da Super League na próxima temporada.

Panserraikos (de Serres) e Panthrakikos (de Komotini) vêm da região da Macedônia, no extremo norte helênico, próximos da fronteira com a Turquia. Já o Thrasyvoulos é de Fyli, região da Ática (grande Atenas), que é o centro do futebol grego.

Na Beta Ethiniki, o Pansseraikos dominou de forma tranquila o campeonato, sem dar chances para os rivais. Com 64 pontos (18 vitórias, 10 empates e cinco derrotas), o clube de Serres sempre esteve na liderança da competição e mereceu o acesso.

Com esta campanha, o tradicional clube do norte consegue superar o peso de falhar na hora da decisão nas últimas temporadas -quando também esteve perto da classificação- e volta à primeira divisão grega depois de 16 anos. A última vez em que os leões estiveram na Alpha Ethiniki (antiga 1ª divisão grega) foi em 1992.

O time da Ática, por sua vez, tem uma ascensão mais recente. Tanto que, na virada do milênio, ainda estava disputando os campeonatos regionais do país (equivalente à quinta divisão). História com alguma semelhança tem o Panthrakikos de Komotini. O clube também tem conquistado sucessivas promoções nos últimos anos, depois de alguns anos no ostracismo.

Na Turquia, os dois primeiros colocados da Lig.A garantem acesso direto à Süper Lig. E, nesta posição, se garantiram dois velhos conhecidos da divisão principal turca.

O Kocaelispor foi o campeão da Lig.A. Apesar de estar na segunda divisão desde 2003, é um time tradicional, que chegou a conquistar dois títulos da Copa da Turquia e disputou 20 vezes a principal divisão turca.

Já o Antalyaspor é um time que tem se acostumado com uma espécie de gangorra entre a principal competição do futebol turco e a segundona. E, nas últimas três temporadas, subiu duas vezes para a Süper Lig como vice da Lig.A.

O Eskisehirspor venceu o Playoff disputado entre o terceiro e o sexto colocados na Lig.A, que vale a última vaga de promoção. Na temporada, o Es-Es (como é carinhosamente apelidado o clube da Anatólia) ficou na quarta colocação. E, no mata-mata, eliminou o Diyarbakirspor nos pênaltis (6 a 5) depois de um empate sem gols no tempo normal. E venceu o Boluspor por 2 gols a 0, garantindo a vaga do clube de Eskisehir na próxima Süper Lig.

Como curiosidade, vale lembrar que o Kayseri Erciyesspor, que participou da Copa da Uefa desta temporada -graças ao vice-campeonato da Copa da Turquia de 2006/7-, não conseguiu o acesso. Os dragões azuis de Kayseri ficaram na sexta colocação da Lig.A, sem conseguir sequer uma vaga nos Playoffs.

Já no Chipre, a segundona não teve grandes surpresas. Os promovidos sempre estiveram no topo da tabela, e dominaram a competição de forma exemplar. Dois dos promovidos vem da região de Paphos, região oeste da ilha mediterrânea -que não tem lá grande tradição no futebol local.

Um deles, o campeão da Beta Ethiniki, é o AE Paphos, da cidade de mesmo nome. O AEP se recuperou com estilo da temporada anterior, quando foi o último colocado da Alpha Ethiniki.

O APEP, de Pitsilia, não vem do oeste. Mas sim do sul, da região de Limassol. Este é outro clube que subiu para a divisão principal do Chipre e não conseguiu se manter por lá. A única diferença é que o clube de Pitsilia caiu na temporada anterior (2005/6).

Já o Atromitos Yeroskipou é o clube que vem subindo de divisão ano após ano. E, se em 2004 o clube da região de Paphos ainda participava das divisões regionais (quarta divisão cipriota), agora os rubro-azuis estarão na divisão maior do futebol cipriota.
 

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Equipe Trivela

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